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Receber uma herança sem brigas, missão (im)possível?

Inheritance

fizkes | Shutterstock

Edifa - publicado em 07/02/20

Às vezes, a divisão da herança pode ser um momento delicado na vida de uma família, que pode prejudicar os laços entre os irmãos. Descontentamento, frustração, sofrimento, sentimento de injustiça entre irmãos e irmãs. Nunca terminamos de fazer as contas e sobretudo de ajustá-las. O que fazer então para neutralizar esses conflitos e preservar os laços fraternos?

Infelizmente, às vezes encontramos ódio no lugar mais improvável: entre irmãos e irmãs. Questões de herança podem ser objeto de confrontos muito difíceis. Há quem se sinta ofendido: “Para onde foram as poucas joias da mamãe? Desapareceram?”, “Nosso irmão mais velho queria assumir a casa da família, ele comprou a nossa parte, mas nos pagou menos do que seu valor real“, dentre outros. E aqueles que são considerados os favorecidos, às vezes até os desonestos, não têm a mesma percepção das coisas: “Foi um especialista que estimou o valor da casa!“, “Mesmo que eu tivesse algumas vantagens, seria justo, afinal, quem cuidava de nossos pais doentes? (…) Nessas circunstâncias, a primeira pergunta a fazer é se esses problemas de rivalidade entre irmãos remontam a situações muito mais antigas.

O ciúme que surge desde a infância

O ciúme que aparece na partilha da herança geralmente data de um período bem anterior. Quando um bebê nasce, os outros filhos nem sempre ficam felizes. Lutas de poder podem começar muito cedo: “Nosso irmão mais velho sempre quis controlar tudo!“. O lugar de cada um é um fator importante para a formação de temperamentos, do caráter e pode explicar a tendência materna de um ou a agressividade latente do outro.

Já aquele irmão “do meio” pode parecer o não amado, o esquecido. Pode ter acontecido que os pais tiveram preferências (muitas vezes inconscientes) ou enfatizaram muito as qualidades ou os defeitos de um dos filhos, quando isso acontece o ciúme é amplificado. Isso gera um desejo de “recuperar o atraso” um dia – e porque não na hora de dividir a herança?! – evocando uma agressividade que será interpretada pelos outros como maldade. Mas como esses problemas podem ser concretamente diminuídos quando surge a questão da herança?

Antecipando a sucessão de bens antes da morte dos pais

A resposta pode parecer muito simples: você precisa antecipar esses problemas e tentar resolvê-los o quanto antes descobrir que eles existem – o que pode significar desde a infância dos seus filhos. Quando as crianças são pequenas, os pais precisam ensiná-las a resolver disputas, através do diálogo e do respeito mútuo. Isso geralmente impedirá o acúmulo de coisas não ditas. Mas os pais também precisam prever problemas de compartilhamento de herança, decidindo, ainda em vida, como isso ocorrerá.

Uma reunião de família pode ser a oportunidade perfeita para que todos expressem seus desejos e objeções. Pode-se temer que alguns não venham, mas raramente é esse o caso, pois se trata de uma questão de dinheiro! A dificuldade dos pais é de não ser suficientemente objetivos ao suprir as preferências dos filhos; ou quando querem conciliar o desejo de equidade com a preocupação em ajudar mais a um filho que seja deficiente ou que não tenha a mesma situação financeira que os outros.

Recorra a um terceiro e sobretudo ao Evangelho

Se o problema surgir após a morte dos pais, por exemplo no que diz respeito à estimação de valor dos bons familiares, é possível recorrer a um especialista ou até mesmo mais de um (sabendo que sua competência sempre pode ser questionada por quem se sente desfavorecido). Também é possível recorrer a um “mediador” aceito por todos, por exemplo, um dos irmãos cuja honestidade e desinteresse são reconhecidos por todos. Sua missão não seria tanto resolver problemas materiais, mas de ajudar cada um a expressar seu ponto de vista e acolher a opinião do outro sem julgamentos, e por fim, talvez convidar cada irmão e irmã a refletir sobre sua relação com dinheiro: “Porque sou tão cabeça dura com as minhas opiniões?“. Ou pelo contrário: “Por que sofro tanto e me sinto ofendido?”

O fato é que não há solução rápida. Acima de tudo, todos devemos falar sobre essa parte do amor (visceral) que nos habita, cada um deve fazer um esforço para entender as demandas de um e as frustrações de outro e, em todo caso, ser capaz de perdoar mais do que julgar. Podemos nos permitir utilizar sabiamente algumas palavras do Evangelho: “Bem-aventurados os pobres de espírito“, “De que serve ao homem ganhar o mundo?”, “Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica”. Mas, acima de tudo, o “Amem-se como eu vos amei”. Pode ser bom lembrar aos irmãos que eles geralmente se amam muito mais do que pensam!

Denis Sonet

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