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Podemos dar conselhos aos nossos próximos sem passar por um fariseu?

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Shutterstock | fizkes

Edifa - publicado em 19/02/20

"Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente” (Mt 18, 15). Como você pode seguir esse ensinamento evangélico sem ofender seu próximo ou ser chamado de fariseu por ele?

Ninguém quer fazer parte dos fariseus! Eles pensam que são melhores que os demais, não têm piedade dos pecadores, são incapazes de se adaptar às mudanças na sociedade e, por trás de seu moralismo, provavelmente escondem repressões prejudiciais ou cumplicidade escandalosa com a injustiça. Mas como podemos questionar certos comportamentos daqueles que nos rodeiam, sem ser chamados de fariseu?

“Não julgue”, tudo bem, mas…

O paradoxo é que, na história do judaísmo, a reação do fariseu foi uma reação saudável: um retorno à pureza da Torá no momento em que o paganismo grego estendeu seu poder político e cultural sobre o Oriente Médio, uma resistência ao domínio dos descendentes dos Macabeus sobre o Templo quando eles não eram de linhagem sacerdotal. Os fariseus opuseram-se resolutamente a esses compromissos, “separados” (este é provavelmente o significado da palavra que os designa). Sua influência foi grande, especialmente entre as pessoas comuns. O estudo diligente da Bíblia lhes deu autoridade moral e religiosa; como “doutores da lei”, sentaram-se no Sinédrio. Nos dias de Jesus, eles eram os que cuidavam do povo, um zelo evidenciado pelo apóstolo Paulo quando ele falou de sua juventude (Filipenses 3, 6). Mas em contrapartida desse zelo levou ao endurecimento do coração, ao orgulho espiritual, primazia da observância externa sobre a conversão interna, ao desprezo pelo povo “este poviléu que não conhece a Lei é amaldiçoado!” (Jo 7, 49) e, finalmente, a rejeição da novidade do Evangelho. Portanto, não podemos cair no farisaísmo.

Mas corremos o risco de cair na armadilha oposta, a do relativismo. Isto é, tolerar tudo, abster-se do menor julgamento, deixar dizer ou fazer. E então, por uma inversão inesperada, a boa consciência muda de lado! Podemos construir para nós uma moral variável, constituir nossa própria religião e julgar fortemente aqueles que estão empenhados em defender “seus princípios” ou “os princípios da Igreja”, porque consideramos como um princípio que Deus, ele mesmo, não tem princípios! Teremos até mesmo a convicção de que estamos do lado do Evangelho: Jesus não nos deu o exemplo da misericórdia? Ele não disse: “Não julgue” (Mt 7,1)?

Atreva-se a dizer a verdade sem machucar ninguém

Misericórdia para todos, sem dúvida sim, mas não por tudo. Não para julgar seu irmão, mas para levá-lo de volta se ele vier a pecar (Mt 18, 15). A misericórdia de Jesus não é cumplicidade. Ele ama o pior dos pecadores, mas odeia o pecado. Esquecemos com facilidade a violência com que Ele fez a grande purificação do templo (Jo 2, 13-16). Suas ameaças sobre o escândalo quase nunca são citadas (Lc 17, 1).

Ser liberal, tolerante, aberto? Esses novos valores podem esconder um neo-moralismo que reprime todos os questionamentos. É preciso muita força para ousar colocar nessa máquina o grão de areia da verdade e um pouco de coragem para não ficar do lado da prudência e até do silêncio diante de uma evolução inaceitável de comportamentos e leis.

Alain Bandelier

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