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São Bertoldo de Parma

Amar todos os dias aqueles que nos incomodam – missão impossível?

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© fizkes

Edifa - publicado em 25/02/20

"Amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês" (Jo 15, 12). Como esse ensinamento de Jesus é difícil de seguir, quando o comportamento de certas pessoas nos incomoda ou até mesmo nos irrita!

A palha que está nos olhos do nosso vizinho às vezes é muito irritante para nós. Ela é muito pequena mas…! Ela é uma vizinha que continua contando as mesmas histórias, uma colega cujos pequenos modismos estão nos dando nos nervos, a bondade avassaladora de um amigo, a lentidão de um de nossos filhos, até a maneira pela qual nosso marido ou nossa esposa assoa o nariz.

Detalhes, pequenas coisas que nem mereceriam nossa atenção se não abusassem do amor fraterno. Esses múltiplos aborrecimentos nascidos da vida comum são, nos mosteiros, uma das cruzes mais amargas: um irmão que pigarreia de uma maneira horrível, é difícil de suportar quando moramos juntos 24h por dia. É como a gota d’água que cai todos os dias no mesmo lugar. Uma gota de água é inofensiva, mas a longo prazo, é insustentável!

Os caminhos sem glória são os mais seguros

Mesmo uma cruz muito pequena é sempre uma cruz. Um dos ardis do Maligno é convencer-nos de que somente as grandes provações, as maiores dificuldades e os sofrimentos dignos desse nome merecem ser levados generosamente à Jesus e transfigurados à luz de sua ressurreição. De repente, deixamos de lado as pequenas cruzes, esperando para dar à nossa vida uma oportunidade que vale a pena. Porque esquecemos que, se existem galhos que se destroem pelo fogo, existem também degraus de madeira que se consomem com o tempo. Os aborrecimentos mais miseráveis são como pequenos pedaços de Paixão, cujo trabalho é matar-nos muito lentamente para a glória de Deus, matar-nos sem a nossa glória.

Sem a nossa glória! Isso não agrada ao nosso orgulho! E por isso mesmo é um conselho muito precioso. Caminhos sem glória são os mais seguros para quem procura a Deus. Precisamente porque eles oferecem pouca tentação de se orgulhar. Alegremo-nos por ter que lutar contra essas humildes lutas de amor, por ter que enfrentar esses pequenos aborrecimentos que impiedosamente nos confrontam com nossos limites e nossa pobreza. Como gostaríamos de dar grandes provas de amor ao Senhor e nos sentimos incapazes de suportar as pequenas falhas dos outros?!

Façamos uma breve oração para pedir ajuda a Deus

Nós devemos nos alegrar ao medir nossa impotência em amar, pois mesmo nas pequenas coisas, nada podemos fazer sem o amor do Senhor. Mesmo nos detalhes de nossa vida, precisamos dele. Quando ficamos admirados com a paciência de Santa Teresa, ela respondeu: “Não tive um minuto de paciência. Não foi a minha paciência!”

Vamos pedir a Jesus que venha e ame em nós. Quando sentimos que o nosso orgulho está crescendo, ou quando estamos apreensivos por precisar nos encontrar com alguém que sabemos que nos irritará, voltemo-nos interiormente para o Senhor: “Sou incapaz de ser amável, paciente e compreensivo. Vem, Jesus e ama em mim! Vem me encher com sua bondade e ternura, me dê sua doçura, seu sorriso, sua bondade, todas as minhas palavras, a delicadeza da sua misericórdia”.

E se aqueles que nos irritam nos foram oferecidos por Deus?

Podemos estar certos de que muito além de nossa irritação interior, o Senhor sabe como transmitir seu amor, mesmo que seja sem o nosso conhecimento. O que importa não é que sintamos simpatia pelo próximo, mas que desejemos amá-lo e que ele se sinta amado. Não devemos fugir das pessoas que nos incomodam. Parece impossível para nós, e mesmo quando possível, raramente desejamos isso. Contudo essas pessoas são oferecidas a nós pelo Senhor como nosso próximo para amar e servir.

Sem querer contornar as dificuldades, tomemos o que Deus nos dá como Ele nos dá. Estamos desapontados por não conseguir superar nossos aborrecimentos? Coisa boa! O Senhor não pede que façamos tudo impecavelmente, mas que recebamos seu amor através das pessoas que ele coloca em nosso caminho. Ele nos chama a abrir os nossos olhos para ver, além daquilo que nos incomoda ou desconcerta, as maravilhas que ele depositou em cada um de nossos irmãos. E, pouco a pouco, ele nos ensina a dar graças.

Christine Ponsard

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