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Dar autoconfiança a uma criança: a receita (quase) milagrosa

ENFANT HEUREUX
© Shutterstock
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A autoconfiança cresce aos olhos dos outros. Quanto mais positivo esse olhar, mais forte o desejo de seguir em frente. Gestos, palavras e olhares gentis permitem que a criança avance na vida e se sinta bem consigo mesma

Uma criança que se valoriza tem uma visão confiante da vida. Está melhor equipada para absorver falhas e assédios, coloca seus medos em perspectiva e avança com otimismo.

Políticos ou grandes esportistas, aventureiros ou empresários, todos têm em comum essa autoestima inabalável que dá asas e impulsiona a ir além.

A imagem positiva de si mesmo constitui um verdadeiro sistema imunológico psíquico: ajuda a encontrar forças para dizer não, proteger-se dos outros, decidir sobre a própria vida“, indica em seu livro Ser seguro de si (em tradução livre), o psicoterapeuta italiano Willy Pasini. E acrescenta: “O núcleo da autoconfiança é amplamente determinado na infância pela educação da família“.

A autoestima cresce no amor, combustível da confiança. O Dr. Ross Campbell propôs esta imagem: “A criança tem um reservatório emocional. Somente quando a criança está cheia é que ela é totalmente feliz e dá o melhor de si mesma “.

O tanque cheio não teme uma pane. Então como podemos garantir que o medidor nunca fique vermelho?

O amor, o grande motor do esforço

Entre momentos de rigidez e de ternura, uma cabeça cheia de conselhos claros ou divergentes, os pais têm normalmente bastante dificuldade de encontrar o tom correto.

Quando eu trazia boas notas, meu pai sempre me dizia que eu poderia fazer melhor“, lembra Lucas. “Ele nunca diria que eu era inteligente ou bonito. Não eram coisas a se dizer ao seu filho na época“.

Temíamos que ele ficasse muito arrogante se recebesse muitos elogios. Era preciso sempre levar o seu filho a se esforçar e a vencer a si mesmo, mas o que nós não tínhamos compreendido é que enfatizar as qualidades de alguém funciona justamente como uma força motriz para avançar.”

O amor não apaga a sensação de esforço. Mas uma criança que se sente incondicionalmente amada, pelo que é e não apenas por seu desempenho, compreende o seu valor.

Confusos entre sua modéstia e seu constrangimento, os adultos muitas vezes não se sentem a vontade nas suas demonstrações de afeto. “Eu não preciso dizer que o amo, ele sabe disso!”. Pensar assim é um erro, pois o afeto é algo que devemos expressar em palavras e atitudes todos os dias.

Christina e Yann adaptam a oferta à demanda: “Garantimos que cada criança receba carinho e um tempo dedicado a ela todos os dias, para que elas sintam que são caras aos nossos olhos“.

A jovem especifica: “Para os menorzinhos, pode ser um momento passado juntos ao contar uma história. Para os mais velhos, um momento juntos, só ele e os pais. É uma questão de gosto e de idade!”

“Uma criança precisa se sentir feliz por se sentir livre para existir e crescer”, diz a psicoterapeuta Isabelle Filliozat. Na casa de Maria Christina e Bento, nada como um jogo de tabuleiro para reunir todos na sala! “Apesar das disputas, trapaças ou brigas, o jogo de tabuleiro é para todos nós um momento de felicidade onde saboreamos a alegria de estar juntos!

Um lugar para cada um

Ao respeitar as diferenças de caráter e monitorar possíveis ciúmes antes que eles causem problemas, os pais vão encorajando cada um a ser feliz conforme a sua personalidade.

Por exemplo, incentivando aquele que é tímido antes de uma apresentação da escola, destacando a boa nota daquele que tem dificuldades com uma certa matéria, motivando o caçula apreensivo a sair de casa para ir ao acampamento, ou educando o irmão mais velho a não fazer mal aos outros. Essa vigilância essencial requer amor e firmeza.

Bertrand, 40, lembra-se amargamente da rivalidade com seu irmão mais velho, que arruinou sua infância: “Eu não conseguia dizer uma palavra sem que isso caísse sobre mim. Meus pais eram orgulhosos da autoconfiança dele e eu cresci com a crença de que eu era muito ruim. Não é fácil se afirmar quando você está nas sombras há tanto tempo!

Já Nathalia e Thomas sabiam como reagir para dar seu lugar aos mais novos. “Com quatro meninas mais velhas, era difícil ouvir Guilherme“, reconhece Nathalia. “Quantas vezes tivemos que silenciar suas irmãs mais velhas para que ele pudesse finalmente dar sua opinião!“, explica.

Quando as tensões aumentam, padrinhos ou avós também podem ser de grande ajuda, pois em um cenário diferente, um ouvido aberto e atencioso pode acalmar os conflitos.

Acabe com as frases destrutivas ou superprotetoras

Um momento de nervosismo e uma assim aparece: “Tome exemplo de sua irmã, ela, pelo menos, tem boas notas!” ou “Você é péssimo nisso!”. Comentários destrutivos são dispensáveis pois palavras assim magoam e acabam com a autoestima dos jovens.

As palavras zombeteiras têm sobre a criança um efeito negativo que faz com que ela tenha uma imagem negativa de si mesma. Se utilizados de forma repetitiva, essas palavras de sarcasmo acabam gerando danos sérios, pois a criança perde a confiança em si mesma e não tem mais consciência do seu próprio valor”, alerta a psicóloga Béatrice Copper-Royer.

Outro ponto importante: para dar autoconfiança à criança, é preciso confiar nela. Deixando-a gerenciar algum dinheiro, quando tiver idade, e pegar um ônibus sozinha ou preparar uma refeição para a família, a liberdade é monitorada caso a caso.

Existe uma medida justa entre colocar nosso filho em uma tabela de horários restrita e remover todas as barreiras”, observa Isabelle. Ele deve sentir a presença firme e benevolente do adulto enquanto faz seus experimentos, com o risco de, às vezes, escorregar. Faz parte do jogo!”

Mas cuidado, deixá-lo livre não significa deixar que ele faça tudo. “Nossos filhos não são adultos”, ressalta Beatrice Copper-Royer.

Em uma fobia contra o autoritarismo ou uma preocupação em fazer o bem, alguns pais caem na armadilha do “proibido proibir”. Sem pontos de referência ou limites, pode-se dar de cara com a parede.

Francisca ensina turmas de jardim de infância há trinta anos e faz esta observação difícil: “Estou recebendo cada vez mais crianças aparentemente seguras em minha classe, mas é uma confiança de fachada“.

Aturdida com o comportamento das crianças ​​em um grupo, ela analisa: “Esses pequenos que têm o direito de fazer tudo que querem em casa, por isso ficam preocupados e pouco à vontade quando estão em outro ambiente. As barreiras tranquilizam e dão confiança.”

Portanto, cuidado para não se confundir: “Assim como o autoritarismo pode ser devastador, a autoridade sadia ajuda a criança a crescer“, continua Béatrice Copper-Royer.

São regras simples da vida cotidiana que ajudam a criança a se desenvolver. Cabe aos pais expressar uma vontade calma e estabelecer limites claros. É tudo uma questão de equilíbrio e complementaridade: pai e mãe caminham juntos.

Quanto maior a autoestima, melhores as notas

Notas ruins, competições e zombarias colocam pressão sobre a autoconfiança. “A criança chega com sua experiência familiar. Portanto, será mais fácil integrar-se aos outros quando ele se sente segura e estruturada em seu ambiente familiar“, diz Francisca.

Mãe de quatro filhos e diretora da creche, Sophie insiste: “A criança age como uma esponja. Se ela sente que a sua mãe está preocupada, ela também fica preocupada. Mas se os pais estão bem, ela flui em grupo como um peixe na água!

Os professores percebem que quanto maior a autoestima em uma criança, melhores as notas. É importante que os pais em casa apoiem a moral das crianças e mantenham contato com a escola.

Nas reuniões de classe ou com o professor, a criança precisa perceber que seus pais se importam e se preocupam com ela. A experiência escolar de um filho leva seus pais a reviverem sua própria experiência.

Quantos alunos se davam mau na escola por causa de seus pais tirânicos? Cuidado com a pressão desnecessária, pois ela alimenta o estresse.

Também atente para a obsessão com o desempenho que corta as asas da imaginação e destrói a confiança. Além isso, é absolutamente necessário diferenciar a criança do aluno.

O lazer também pode ser uma fonte de desenvolvimento sadio. Beatriz relata a metamorfose de seu irmão: “Stefano era um estudante comum e que não confiava em si mesmo. Contudo, ele tinha uma paixão pelo tênis e foi o esporte que lhe devolveu a confiança“.

Tênis, futebol ou teatro, as atividades de lazer adaptadas a cada criança são uma escola de liberdade, se o pai se esforçar para controlar qualquer espírito de competição excessiva.

Matilda, cujos resultados acadêmicos são médios, ama desenhar e pintar. A oficina de pintura estimula seu ego toda quarta-feira: a admiração de seus amigos e os incentivos do professor fazem tudo valer a pena.

O perdão, uma promessa de humildade e confiança

O adulto não tem nada a ganhar ao se fazer de herói: “Na sua idade, eu só tirava 10!” ou “eu ganhava todas as minhas partidas!”.

Isso apenas fará o seu filho mais inseguro e enganado da realidade. Os pais não são modelos intocáveis, eles são exemplos aos quais a criança absorve lições durante a vida. A criança não obedece, ela imita.

Peça perdão (“me desculpe, eu me irritei sem motivo”) ou mostre a sua fraqueza (“também pode acontecer de eu estar errado”). Tantas são as provas de amor e humildade que o jovem recebe em seu coração como um sinal de confiança!

O perdão dado e recebido na família evita muitos ressentimentos ou culpas mal administradas na idade adulta.

Pascale Albier

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