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São Fulco

Pais, evitem esses erros com seus filhos mais velhos

Brother, Sister, Family

© Lopolo

Edifa - publicado em 11/03/20

A personalidade do seu filho dependerá em parte do seu lugar entre os irmãos e, mais importante, de como você os educa. Uma atenção especial deve ser dada ao seu primogênito, que às vezes pode levar muito peso por causa da sua posição de filho mais velho

Nascer primeiro tem muitas vantagens. Muitos primogênitos se orgulham e ficam muito felizes com esse lugar.

Do ponto de vista material, o mais velho recebe tudo, as roupas, a primeira bolsa, os brinquedos, o lugar ao lado do motorista até que seja a hora de receber a sua própria carteira.

Seu tamanho e idade lhe conferem autoridade sobre os outros, a qual ele sabe bem utilizar. Ele geralmente é uma criança muito esperada e seu nascimento é uma grande alegria.

Mesmo quando o filho mais velho sai de casa, ele muitas vezes continua sendo uma referência para os outros. No entanto, se a ordem de nascimento não determina o temperamento, ela implica uma atitude nos pais e um papel atribuído à criança que acaba moldando o perfil do filho mais velho.

Ser o mais velho pode influenciar o caráter da criança

A primeira característica do primogênito é a ansiedade. Ela se explica muito bem pois é o primogênito a mudar o casal para o status de pai e mãe. E isso não é feito sem dificuldade.

Quantas ansiedades, muitas vezes durante a primeira gravidez, por medo de ser um pai ruim ou pelo medo do filho ter alguma deficiência, que é transmitido à criança! Laura confirma isso. Seu filho mais velho, Christiano, 6 anos, sempre parece estar muito nervoso: “Ele tem a necessidade de se sentir afetivamente seguro. Com ele eu ajo de forma diferente dos outros filhos porque eu me sinto culpada. Eu me lembro de ter vivido a gravidez dele entre sentimentos de alegria e angústia. Eu me preocupava com os sintomas mais simples, eu nem queria me mover para o proteger. Dos meus quatro filhos, ele foi quem mais chorou.

O mais velho também costuma ser o mais ponderado. João Maria Plaud, diretor aposentado de uma escola e pai, explica: “Os pais querem dar tudo para os mais velhos, tudo o que tiveram durante a infância e tudo o que foram privados. Então colocamos no primogênito uma pressão muito forte. Isso explica muitas vezes sua seriedade, seu lado introvertido e essa atitude constante de atenção”.

O primeiro filho tende a se adaptar à imagem que seus pais projetaram sobre ele.Antes mesmo de chegar, diz Joana Brossard, psicóloga clínica de crianças, a criança já está realizando um projeto dos pais. Muitas vezes, ele próprio é confundido com um projeto, que veio ao mundo a fim de substituir uma outra coisa que os pais não conseguiram alcançar.

Outra constante do personagem mais velho é a extrema sensibilidade. Ele é o primeiro a traçar a rota para os outros irmãos. Recebeu tudo com força total e também sentiu os pequenos infortúnios diários com mais força.

Clemence é uma primogênita, casado com um primogênito, neta de dois primogênitos. Ela sabe do que está falando: “Todos os primogênitos têm uma sensibilidade muito complicada, sem dúvida devido à extrema atenção que os pais prestam ao primeiro filho. Porque descobrem tudo com ele, cometem muitos erros“.

Esse aumento da sensibilidade frequentemente desperta na mãe um grande desejo de proteção. Cuidado! A criança sente essa preocupação e suporta esse peso. Clemence percebeu isso com seu filho Romain. “Ele percebe muito bem que eu quero protegê-lo, e por isso ele parou de me contar sobre suas dificuldades, e quando eu as conheço, ele tenta me tranquilizar“.

Privilégios que se tornam pesos

Os pais querem ter orgulho do filho mais velho e querem que ele seja perfeito. Eles tendem a fazê-lo realizar muitas atividades, sem a liberdade de descobrir por si mesmo seu profundo desejo. Com o primeiro filho, os pais ainda estão na fase teórica da educação. Eles leram sobre o assunto e desenvolveram sua pedagogia, ou então querem reagir à maneira como seus pais os criaram.

A criança percebe essas tentativas e erros ainda mais quando, para acalmar suas próprias preocupações educacionais, os pais geralmente tentam se explicar. Para Joana Brossard, os pais raciocinam demais: “Os pais tendem a “psicologizar” demais a educação. Eles corrigem o filho e depois ficam se explicando por cinco minutos“. Uma atitude paradoxal que deixa a criança inquieta.

A pressão é ainda maior para o filho quando ele também é o mais velho dos netos. Esse fato concentra nele um peso de projetos e desejos que tornam tudo muito pesado.

Quando o casal de pais é muito jovem, os avós querem ajudar e se mostrar mais presentes. É uma faca de dois gumes. João Maria Plaud aconselha: “Nesse cenário, os avós devem ser discretos para não sufocar a criança. Devem evitar, assim, se impor entre os pais e a criança“.

A chegada do primogênito também confronta os pais com sua própria infância e desperta uma série de lembranças. Não é incomum que um dos pais tenha experiências de infância quando o filho mais velho nasce.

Pode haver um pouco de ciúme, como se fosse difícil ter compaixão de seu filho, quando não se foi criado com compaixão. Quando o mais velho nasce, muitas curas internas também ocorrem. Todas essas situações e tensões vão afetando a criança.

Uma responsabilização excessiva

Com um primogênito, certas armadilhas devem ser evitadas. Para os pais, a primeira tentação seria a responsabilização excessiva. Por exemplo, quando a mais velha é uma menina de uma família numerosa, ela desempenha principalmente o papel de segunda mãe.

Se o filho mais velho é agressivo com os menores, é porque você é muito exigente com ele. Frequentemente, incapaz de enfrentar os pais, ele o faz através dos irmãos. O segundo filho é então imprensado entre o mais velho e o caçula, e o terceiro cresce sozinho.

Existe um refrão que é bem conhecido pelos mais velhos e um pouco pesado demais: “Dê um bom exemplo aos seus irmãos!”.

A primeira pergunta a se fazer é: será que nós estamos dando o exemplo? O exemplo dos pais deve ser suficiente, acredita João Maria Plaud. Você precisa confiar no seu filho, dar-lhe responsabilidades, mostrar que ele é valorizado, sem ficar pedindo que ele de o exemplo.

Em vez de exigir um bom exemplo, seria benéfico apresentar o exemplo de maneira positiva, não para dar uma ordem, mas para confiar nas qualidades da criança: “Você é alegre, pode ensinar isso aos seus irmãos. Esta é uma qualidade a ser compartilhada“.

Cuidado para não colocar expectativas muito altas ao tentar moldar demais o seu filho. Muitas vezes, os pais que seguem a fé têm uma imagem mítica da boa família cristã e desejam forçar a barra, mais para corresponder a essa imagem entre os amigos do que para o bem da criança.

Especialmente porque ele é o mais velho, e esperamos que outros filhos o imitem, desejamos criar um filho modelo. Contudo, dessa forma o inibimos e impedimos que ele se torne ele mesmo. Esse é o perigo da idealização. A criança pode facilmente se decepcionar e se desanimar.

O primogênito tem o direito de ser diferente

O filho mais velho deve ter a certeza de que é amado pelos pais, mesmo que tenha gostos diferentes. Muito cedo, ele deve perceber que tem o direito de ser diferente, de ser ele mesmo.

É libertador para os mais velhos – diz Olivia, mãe de três filhos – se o fizermos perceber que ele pode ser criativo e ir além dos pais nas áreas que ele desejar. Mas sempre com respeito por quem o precedeu”.

Para agradar seus pais, Michel sempre seguia conforme os desejos deles. “Só que, quando atingi uma meta, eu era imediatamente fixado em outra“, lembra ele. Ele sentia que a vida era uma pista de obstáculos e que ele nunca seria bom o suficiente. Essa atitude foi transferida para o seu relacionamento com Deus.

Ele multiplicava seus esforços para agradar a Deus mas tinha a impressão de que esse Deus exigente nunca estava feliz e satisfeito. Se você responsabiliza demais uma criança, ela entra em conformidade com o que lhe é pedido, mas também corre o risco de ser incapaz de fazer suas próprias escolhas.

Faça desta posição de primogênito uma vantagem

Geralmente, o pai ou a mãe tomam o filho mais velho como confidente. Ele é mais maduro, sério e por isso temos a tendência de procura-lo sempre para ser nosso confidente, porque temos a necessidade de falar com alguém.

Quando o filho é o confidente, explica Joana Brossard, ele é tomado como um adulto com quem gostaríamos de compartilhar nossas preocupações. Ele é convidado a abrir os ouvidos para coisas que ele ainda não tem a capacidade de suportar ou discutir. É uma maneira de lhe roubar a infância”.

Para não cair neste descuido é preciso às vezes deixar as crianças “irracionais”. Na verdade, eles ainda não têm as habilidades de raciocínio dos adultos.

Valorizar seu filho mais velho é reconhecê-lo em sua posição de primogênito: “Olivia acredita que seria melhor contrabalançar as responsabilidades que são confiados a ele, dando-lhe mais oportunidades de se afirmar. Quando ele percebe que alguém o olha com respeito, ele se sente mais livre para ser ele mesmo.”

Isso requer certas permissões: “Podemos autorizá-lo a ir para a cama meia hora depois dos irmãos por exemplo, aconselha João Maria Plaud e, assim, reservamos também um tempo para conversar com ele”. Também requer uma visão positiva dele: “Nunca deixe de dizer ao seu primogênito palavras sobre suas qualidades. Você exige muito dele, para torná-lo um homem ou mulher admirável. Portanto, saiba mostrar-lhe sua admiração pelo melhor que ele porta em si”.

Florence Brière-Loth

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