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O seu cônjuge está desempregado? Descubra como você pode ajudar

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© Sketchphoto
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Desconfiança em si mesmo, dúvidas sobre o futuro, ansiedades financeiras. As consequências do desemprego podem afetar muito a família, mas passar por essa provação juntos também pode fortalecê-la. Veja a seguir testemunhos daqueles que passaram por essa crise

Mãe, o papai vai ser obrigado a fazer como esse pobre senhor que pede dinheiro no farol vermelho?”. Claramente é uma pergunta de criança, mas que se junta aos milhares pontos de interrogação que invadem a cabeça dos pais face ao anúncio do desemprego. “Por quê? Como vamos fazer a partir de agora? O que vamos nos tornar?

Uma situação difícil de viver sozinho

Quando Joel anunciou sua demissão, diz Fabienne, mãe de três filhos, foi um verdadeiro colapso. Eu explodi em lágrimas, já me via precisando pedir comida na rua”. O desemprego não é apenas uma provação individual, ele afeta todos ao seu redor. A ansiedade toma conta da família e leva a um clima de insegurança financeira que as crianças experimentam, especialmente na adolescência.

A primeira vítima desse maremoto é o próprio desempregado. Nas conversas sociais, a questão sobre o trabalho de cada um é central: “O que você faz da vida?”. Joel, desempregado há quatro anos, reage: “Não sei responder nada. Eu me sinto excluído! Além da perda de status vem a sensação de não estar mais no jogo. As agendas cheias acabaram, as reuniões em torno da máquina de café, o ritual a viver todos os dias, toda a atividade intensa dá lugar a um vazio estonteante e a uma impressão de ter pulado da onda”.

Especialmente se o desempregado é o chefe da família, a ansiedade de não ser capaz de sustentar sua família pode assombrá-lo. A dúvida surge gradualmente e aumenta quando a procura de emprego falha. “Muitas vezes, diz Fabienne, meu marido diz que não serve para nada“.

Christophe, que vive o segundo ano de desemprego, admite: “Não tenho mais certeza da minha adaptação ao mercado de trabalho, tenho medo de não encontrar emprego“. A tendência é, então, recair sobre si mesmo e no casulo da família.

Tememos reuniões com vizinhos, andamos de cabeça baixa para evitar conhecidos na rua. Mesmo com os amigos, temos medo da famosa pergunta sobre o que estamos fazendo, observa a psicóloga Ginette Lespine. Sabine, cujo marido já esteve desempregado duas vezes, comenta: “Não saíamos mais. Bertrand alegava que ele não tinha mais espaço perante os seus amigos“.

Quando o desemprego coloca em xeque a harmonia familiar

A família sente e os olhos dos outros pesam: “Na escola, meu filho mais velho não sabia escrever – desempregado – no espaço para escrever a “Profissão do pai“, diz Pascoalina, cujo marido, Christophe , foi demitido há dois anos. “O seu orgulho foi ferido”. As crianças podem experimentar a injustiça do desemprego como uma humilhação.

Os relacionamentos do desempregado com aqueles próximos a ele também provavelmente se deteriorarão. Os filhos ou o cônjuge então passam a desempenhar o papel de fuga da sua exclusão. “José está muito tenso, não o reconheço mais“, admite Helena. “Na maioria das vezes, explode à mesa devido a uma besteira como um pouco de água derramada“.

O casal está sob tensão severa. “Estávamos ambos em casa e não conseguíamos mais nos suportar, diz Fabienne: eu sentia como se eu estivesse no seu lugar e ele no meu. Era insuportável para mim”. Quando não há mais trabalho também não há mais horários, a família fica perturbada: as noites são prolongadas no computador, acompanhadas de um acordar tardio na manhã seguinte.

Vergonha de si mesmo, imagem desvalorizada, tudo isso muitas vezes leva à somatizações tanto na vida do desempregado como na de sua família. “Fui fisicamente afetado pela situação de Bertrand, diz Sabine, tive insônia, ansiedade e gastrite“.

Pode-se até mesmo chegar à depressão. O desafio profissional é frequentemente acompanhado por uma crise espiritual. “Nós clamávamos como Jó: meu Deus, por que nos abandonastes? diz Fabienne. Onde está essa providência que nos deixou sem trabalho por tantos anos?”. É como se morrêssemos para nós mesmos.

O apoio incondicional do cônjuge

Durante esse período, qual pode ser o papel do cônjuge? Sustentar financeiramente a família por um tempo, se ele trabalha, torna a situação um pouco mais confortável. Menos uma preocupação. Mas o seu papel é acima de tudo moral: “Demonstrar uma presença amorosa, permanecer disponível para ouvir quando o outro quiser partilhar, sorrir, esse é o comportamento que tentei adotar“, diz Sabine.

Sem assumir o papel de coach ou terapeuta. “É uma provação que estamos vivendo juntos“, diz Stefany. “Costumávamos sentar juntos para conversar muitas vezes. Eu tentava colocar os olhos dele no futuro, para evitar que ele ficasse pensando apenas no que ficou pra trás.”

No entanto, é uma presença que deve ser discreta! Fabienne logo percebeu que estava muito envolvida na pesquisa profissional de Joel. Todos os conselhos e injunções “Você deveria fazer isso”, “Você deveria ter telefonado assim e assim”, destinados a ajudar o cônjuge, devem ser banidos, porque o infantilizam e o paralisam ainda mais.

A olhar positivo do cônjuge é insubstituível. O outro pode ser valorizado com palavras encorajadoras, destacando o que ele está fazendo em casa ou com as crianças. Ele gradualmente reconstrói a confiança. “Quando meu marido volta de uma entrevista“, diz Pascoalina, “tento nunca julgar seu desempenho, mas olhar para ele de forma positiva”. Ainda melhor: expresse sua admiração por sua coragem de se levantar quando uma porta se fecha. Precisamos saber como dizer a ele: “Eu confio em você“.

E dos próximos

As crianças, por outro lado, não são seus confidentes nem apoiadores, mas algumas de suas atitudes podem energizar fortemente os pais que estão desempregados. “Meus filhos são muito solidários e isso me ajuda muito“, diz Christophe. “Eles sempre querem saber como eu estou, e se eu os peço perdão por estar muito estressado, sinto que eles me perdoam sem reservas.

Para atravessar este deserto, existem oásis onde você pode recarregar suas baterias. Uma família serena é o lugar da cura. Muitas vezes ela se manifesta em ofertas muito concretas e úteis como ajudando com as crianças ou dando apoio financeiro.

Para ambos os cônjuges, a rede de amigos também é essencial. Enviar uma mensagem de apoio, enviar um currículo, convidar o outro para uma bebida, manter contato, são todos gestos que ajudam a passar por esse momento difícil. Sob a única condição de evitar perguntas intrusivas ou conselhos excessivamente diretivos.

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei”

A fé continua sendo, para quem a vive, a principal fonte de conforto e dinamismo. “Todas as manhãs, coloco essa intenção em uma oração de abandono e confiança“, explica Christophe. As leituras do dia me carregam e se juntam a mim: “Você é precioso aos meus olhos” (Is 43, 4), “Pedis e recebereis” (Jo 16, 24): “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28). Isso me dá esperança. Saber que outras pessoas estão orando por nós também é um grande conforto“.

Uma vez desempregado, a tentação da amargura é forte. Mas o desemprego pode ser uma oportunidade de ver o todo com mais clareza e de se conhecer melhor. Mesmo que pareça paradoxal, esse período pode ser um presente da vida para respirar, dar um passo atrás, entender seus erros, às vezes se reorientar. É também um momento de voltar à vida familiar, de passar tempo juntos, de realizar atividades familiares baratas, como um piquenique, um museu, de acordo com o gosto de cada um.

Fui atraído pelo meu trabalho”, lembra Bertrand, “e vi muito pouco os meus filhos. Esse período, mesmo cheio de preocupações, nos permitiu um reencontro, com grande alegria, e me ajudou a redefinir minhas prioridades. Se vivido desta forma, esse parêntese pode fortalecer a família. Para os cônjuges, permanecer juntos nesse teste pode fortalecer o relacionamento a dois. É uma oportunidade de se comunicar mais profundamente. “Rezamos juntos todos os dias para que possamos aguentar, diz Stefany. Eu passei a ver a coragem do meu marido.

Deus pode podar galhos através do desemprego

Através da atitude do casal, sua fé, sua força, os filhos podem aprender o que é uma provação e como superá-la. “Aprendemos sobre a humildade, o desapego da pressão social e do sucesso“, observa Joel. Sabine percebe que estava olhando para o sofrimento dos outros sem prestar muita atenção. “Esta provação abriu meu coração à compaixão, às fragilidades das pessoas, a uma escuta mais atenta ao outro.”

Fabienne brigou muito com Deus: “Um dia, me cansei disso e me coloquei em uma posição de confiança. Descobri o abandono quando não sabia como pagar as contas e elas não deixaram de ser pagas“. Para muitos, o desemprego é uma queda vertiginosa em suas profundezas, onde redescobrem o Senhor: “O sofrimento, a dúvida, o isolamento foram terríveis, admite Christophe, mas me enraizei na fé. Somente Deus pode nos salvar do desespero, eu experimentei isso”.

Florence Brière-Loth

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