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Não consegue alegrar um ente querido que sofre? Tente isto!

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Edifa - publicado em 23/03/20

Quando alguém íntimo de você está em apuros, é difícil encontrar as palavras certas para o animar. Mas é ainda mais difícil de o fazer quando está a sofrer de uma "doença espiritual". Como podemos então o ajudar?

“Hoje, não estou com vontade” Quem não ouviu essa frase por aí? E quando tentamos analisar este estado desconfortável, descobrimos uma pessoa desanimada, sem energia, com pensamentos tenebrosos. Ela se sente como se não conseguisse sair deste buraco em que se afundou, e talvez sinta que está se deteriorando. Então qual é este mal que está sempre pronto a surgir quando ocorre um evento doloroso? E como você ajuda a pessoa que sofre disso a sair da situação?

E se for um “mal espiritual”?

Este sentimento de tristeza que por vezes nos ultrapassa pode ser natural, “normal”, quando sentimos desprezo, ódio, indiferença, até mesmo violência, ou depois de um acontecimento que causa dor (luto, separação, fracasso de um negócio…). Então não é nem moralmente bom nem mau. Mas pode ser destrutivo para o nosso ser mais profundo se estiver usado ao ponto de o transformar num estilo de vida, fechando-se ao controle das virtudes morais sobre as paixões da alma, como nos ensina São Francisco de Sales.

Podemos falar de “mal espiritual” quando nos deixamos dominar por estes males que experimentamos como insuperáveis e que perturbam o nosso ser mais profundo, a nossa alma, a ponto de dificultar ou mesmo congelar as nossas capacidades de compreensão e acção. ” A tristeza lança a alma no tumulto, na ansiedade e nos medos irracionais. É como um inverno rigoroso que priva a terra da sua beleza, entorpecendo todos os animais. Não se deixe deslizar pela inclinação da tristeza. Resista com força”, aconselha São Francisco de Sales em Introdução à Vida Devota.

Concretamente, como lidar com estes momentos de tristeza que tocam a alma y que afectam o nosso cônjuge, os nossos filhos, ou os nossos entes queridos? E tudo isto, sem os julgar e trazendo-lhes o conforto que eles esperam?

Estar lá um para o outro e rezar

Talvez tenhamos de começar por aprender a aceitar os nossos próprios momentos de tristeza sem julgar a nossa própria pessoa. Escolha o amigo certo para se expressar, porque “tudo o que não é expresso é impresso”, como Shakespeare escreveu em Hamlet. Também será importante cultivar sentimentos contrários, ser ocupado com ações dirigidas a algo distinto de nós mesmos, de modo a desviar a mente das preocupações que a entristecem.

Um marido pode entrar em pânico quando vê sua esposa chorar ainda mais se ele mostrar sua atenção, ternura e compaixão. Não importa. Seja um homem, uma mulher ou uma criança, o importante é estar lá, estar presente. Para assegurar ao outro do seu amor infalível sem querer apagar de repente o desconforto. O tempo vai terminar o trabalho. E a oração também nos pode ajudar a fazer isso, segundo o conselho do apóstolo São Tiago: “Alguém entre vós está triste? Reze!” (Tg 5,13).

Marie-Noël Florant (Conselheira conjugal e familiar)

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