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No confinamento, como você lida com as birras das crianças?

Child, agressive, angry

© NadyaEugene

Edifa - publicado em 24/04/20

Depois de várias semanas de confinamento, todo o mundo pode sentir raiva. Embora os adultos saibam como administrar seu estado emocional, as crianças, por sua vez, são rapidamente presas num tumulto emotivo o qual é difícil a sua compreensão. Então, os gritos, os choros e o excesso de violência surgem regularmente. Como essa raiva é canalizada? E o que isso transmite aos pais?

Explosões de raiva, chutes, brigas … As birras das crianças geralmente nos deixam perplexos e desarmados. No entanto, a raiva é mais um sinal de boa saúde, desde que permaneça sob controle. Os pais precisam saber como identificá-la e encará-la com calma. Cabe também a eles orientar seus filhos para um nível mais alto de domínio e maturidade. Aqui estão algumas dicas para obtê-lo.

Cada idade tem seu tipo de raiva

“Eu não quero me vestir!” Pierre chuta e joga sua camisa e sua calça para o outro lado do quarto. Depois de mais de quinze minutos, a tempestade diminui repentinamente, o menino colérico se veste num instante e se junta com os seus pais na sala de estar. “Esses ataques de raiva tornaram-se num hábito desde que Pierre tinha 3 anos. Eu deixo a tempestade passar, até que ele fique mais tranquilo”, confessa Agnès, sua mãe. Todo pai ou mãe enfrenta essas explosões na infância mais ou menos regularmente. Nada de anormal, a raiva é um sinal de boa saúde. “Uma atitude natural e saudável perante a frustração da maneira de ser de cada um”, diz a psicoterapeuta Isabelle Filliozat.

Raiva e violência são frequentemente confundidas. A violência é destrutiva, começa quando a raiva se torna incontrolável. A raiva, por outro lado, é construtiva, é uma afirmação de um na frente do outro. Florent, 18 meses de idade, fica enfezado e se joga no chão porque sua mãe não lhe quer dar uma bala. É a maneira dele de expressar sua frustração. Uma criança mais velha reagirá de maneira diferente: cada idade tem seu tipo de raiva. A infância é marcada por estágios e cada um tem um tipo diferente de raiva: existe uma crise na idade de 3 anos na qual a personalidade é afirmada, existe uma fase de leitura na qual a criança argumenta e sabe expressar seus sentimentos … “A descoberta da leitura é um ponto decisivo: a criança se irrita com as palavras, sabe formular sua raiva ”, lembra Victoire, mãe de cinco filhos, dos quais o mais velho, Félicité, 8 anos de idade, tem um caráter forte. “Quando nossa garota irascível pega uma crise, ela se tranca no quarto e grita sozinha enquanto repete a cena”, diz a mãe divertida.

Por que as crianças têm ataques de raiva?

Existem as birras agressivas, a violência verbal da criança insolente ou mesmo o comportamento confuso com o qual ela engole o seu rancor e o expressa indiretamente. A criança que recusa a si mesma, o menino que faz xixi na cama de novo ou o bom aluno que, sem motivo aparente, acumula notas ruins nas aulas; todos eles mostram uma raiva reprimida que é expressada de maneira inesperada. Você precisa saber como reconhecer esses sinais menos visíveis. Também tenha cuidado com explosões de raiva fora do comum de algumas crianças. Às vezes, essas birras fogem da vigilância dos pais e os deixam desamparados porque são o reflexo de um mal mais sério. “Em alguns casos, a raiva é acompanhada por problemas comportamentais profundos. As origens são diversas: modificação do ambiente familiar ou doença neurológica, por exemplo. Quando a raiva revela problemas psicológicos na criança, ela se torna patológica. Então, é aconselhável consultar um especialista ”, aconselha um pediatra.

Na origem da tensão, há sempre uma falta. A falta de amor gera rancor, a necessidade não satisfeita traz frustração. “Paul pegou meu carro!”, gritou Victor, 5 anos de idade, vendo o irmão rolar o carrinho pelo parquet. “As crianças têm um grande senso de justiça”, analisa Victoire. “O sentimento de injustiça provoca raiva … A consciência se enfrenta, um pouco como um instinto de sobrevivência. Quando o menino fica zangado, isso faz com que ele pouco a pouco vai ficando mais liberado. Se uma criança está com um brinquedo nas mãos, e acabamos tirando esse brinquedo da criança, ela ficará com uma sensação de raiva e esse vai ser o seu meio de defesa”. Uma birra é como um sinal de alarme: algo está acontecendo na cabeça da criança e, acima de tudo, no nível de sua afetividade. O nascimento de um irmãozinho? A separação dos pais? Estes são todos os choques emocionais que a criança sente profundamente e procura externalizar. “As crianças são como esponjas, absorvem os medos, as tristezas, as tensões”, lembra Isabelle Filliozat. E como as emoções da infância não têm a maturidade dos sentimentos adultos, as crianças expressam elas através da raiva.

Boas atitudes a adotar ao enfrentar uma criança zangada

“Nossos filhos devem aprender a canalizar sua raiva e expressá-la adequadamente”, diz o célebre médico Ross Campbell. Este especialista em infância está convencido: educar a raiva faz parte da missão dos pais. Mas como reagir diante de uma birra infantil? “Não há nada mais eficaz do que expressar uma diferença total”, diz Agnès. “Este método funcionou com meus filhos mais velhos!”

Manter uma calma olímpica na frente da criança irritada costuma ser mais eficaz do que uma batalha de gritos. No entanto, é difícil permanecer impertérrito quando uma criança exemplar se atira no chão do supermercado ou reclama gritando que quer o brinquedo do seu irmão mais velho. “Não tenho muita paciência e as birras dos meus filhos me deixam com raiva. Como evito essa escalada de violência? ”, pergunta uma mãe de dois filhos, com idades entre 6 e 4 anos.

Para começar, você precisa identificar o tipo de raiva com a qual está lidando. “Eu distingo rapidamente entre um capricho e a verdadeira aflição da criança que precisa de conforto”, diz Marie, mãe de três filhos. “Qualquer um deles que habitualmente demonstre sinais de raiva, eu não presto atenção nele. Outro deles eu o tranquilizo, porque ele precisa de gestos de ternura”. Laure, professora de pré-escola, tem o mesmo hábito: “Acima de tudo, nunca ceda aos caprichos, mas esteja pronta para cuidar de uma criança que precise de carinho … E, às vezes, levante a voz se for chantagem. Com a experiência, você rapidamente sente com quem está lidando.”

Uma criança deve ser castigada se ela tiver uma birra?

“Pais, não irritem seus filhos; pelo contrário, educá-los, corrigindo-os e aconselhando-os segundo o espírito do Senhor” (Ef 6,4). A birra torna-se uma bola de neve. De acordo com o doutor Ross Campbell, “são os pais que criam a atmosfera em que os filhos amadurecem”, um lar acolhedor e descontraído ajuda a criança a amadurecer com confiança e uma auto-estima saudável. “As crianças são espelhos, refletem o amor. O amor incondicional e constante dos pais é um guia seguro “, diz o especialista. “Nós procuramos que as crianças possam dizer tudo quando estamos reunidos com a família, sem se sentirem julgadas”, explica Anne, mãe de quatro filhos entre 8 e 16 anos. “Mas é difícil resistir à tentação do dominante ‘Você está errado’ e ouvir até o fim.”

Repreender a criança que faz birra? Existe o risco de que a birra volte mais cedo ou mais tarde. “Nosso papel”, insiste Isabelle Filliozat, “é usar nossa inteligência para identificar a necessidade da criança, ajudá-la a canalizar sua energia, restaurar seu sentimento de integridade, reparar-se apesar da falta ou afirmar-se diante da injustiça”. “Pais e mães, vocês são os professores das emoções de seus filhos”, diz o doutor Ross Campbell. Da raiva ao entusiasmo, todos os sentimentos são educados. Mas, para isso, leva tempo.

Cada família tem seus hábitos. Na casa de Catherine e Benoît, é a leitura da noite que abre a conversa. As estórias infantis, os contos tradicionais, geram nas crianças o amor, a tristeza, a piedade … São maravilhosos instrumentos pedagógicos. Por seu lado, Élisabeth, mãe de cinco filhos maiores de idade, sempre reservava por volta de dez minutos por dia para que cada um deles ouvisse suas confidências.

Saber acalmar a raiva antes de reagir à da criança

Dedicar tempo, mostrando disponibilidade desde o coração, são técnicas mais educacionais do que um ótimo discurso. Isso não significa que devemos aceitar tudo. É dever dos pais saber combinar paciência e firmeza. “Pais, estejam preparados!”, insiste o doutor Ross Campbell. “As pessoas que têm mais influência, para o bem ou o mal, nas crianças são os pais, e o fator determinante é a maneira que os pais controlam sua raiva”. Seria impossível resolver com calma as explosões de raiva da infância sem saber como acalmar os adultos. Uma aposta exigente, mas essencial.

No entanto, todos os pais têm seus limites. Uma noite interrompida pelo pesadelo de uma criança, pelo cansaço de um dia difícil … e caímos numa raiva brutal porque uma das crianças derrubou o seu prato. Não vamos nos preocupar, todos podem ceder ao excesso de fadiga. Simplesmente temos que aceitar que as crianças possam dizer aos pais que essa raiva é injusta e que os pais sabem como reconhecer com calma seus erros.

Acima de tudo, o mais importante é manter um clima de confiança com seus filhos. Desta forma, as palavras um pouco mais difíceis que são ditas num momento de exasperação podem ser mais facilmente entendidas como isso, algo acidental, sem necessariamente se sentir prejudicial. Finalmente, como diz o doutor Ross Campbell, “quanto mais os pais estiverem em forma física, espiritual e emocional, melhor poderão resistir à raiva”.

Pascale Albier

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