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Devemos contar o nosso passado aos nossos filhos?

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© Alena Ozerova - Shutterstock
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As crianças são bastante curiosas e amam fazer muitas perguntas, inclusive aquelas ligadas ao passado. O que devemos contar de nossa vida passada aos nossos filhos? É preciso contar tudo, até mesmo nossos erros?

Está provado, nossos filhos adoram saber como era a nossa vida antes deles. Não se trata de ficar falando sobre os nossos feitos ou ações heroicas, mas de sinceramente dizer a eles o que fizemos de bom ou não. Muitas vezes temos medo de vê-los usar nossos erros do passado contra nós. Então, o que devemos dizer e o que devemos guardar para nós mesmos? Ser transparentes ou hipócritas, reescrever a história ou, cheios de cautela, jogar um véu pudico sobre as lembranças de uma juventude mais ou menos reta?

Não querer passar a imagem de alguém que não é você

Entre as partes do passado que teremos o cuidado de deixar em seu lugar, aquelas que não serão desenterradas na frente de nossos filhos estão: ressentimentos familiares, brigas graves, motivadas ou não, entre membros próximos ou distantes de nossa árvore genealógica. Podemos pensar que estamos dando explicações sólidas, mas na verdade, arriscamos oferecer à criança uma imagem de adultos que não cresceram, que permaneceram congelados no passado, que não conseguiram se libertar dele e que passam de geração em geração ideias de vingança ou vitimismo.

Além disso, deveríamos contar sobre o nosso amor de juventude, sobre uma ruptura difícil, sobre o primeiro cigarro fumado ou a primeira noite em uma festa com os amigos? Sim, podemos. Os pais não são seres perfeitos, e as crianças percebem isso facilmente. Portanto, não devemos procurar passar a imagem de alguém que só tirava nota dez na escola e que obedecia perfeitamente aos seus pais. Ou eles vão suspeitar de hipocrisia e mentiras, ou vão se perguntar o que aconteceu para essa criança perfeita se tornar o adulto que conhecem. Onde a história deu errado?

Dizer as crianças o que elas são capazes de compreender

Antes de tudo, tenhamos a coragem de contar a elas os elementos de nossa história que provavelmente marcarão também as suas vidas. Fatos relacionados à sua vinda ao mundo, por exemplo, e que os afetam diretamente. Assim como alguma situação que experimentamos e que lhes permitiria entender um pouco melhor o nosso comportamento em relação a eles. As crianças se culpam facilmente por problemas os quais não entendem a causa, por isso devemos dizer e explicar a elas o que são capazes de entender.

Por outro lado, algumas decisões infelizes que tomamos não lhes dizem respeito. Podemos partilhar isso com aqueles a quem desejamos testemunhar as dificuldades que a vida apresenta, e sobre como as superamos. Partilhamos para que os outros possam ver que a mão misericordiosa de Deus continua nos levantando e nos apoiando, que o perdão dado e recebido renova a alegria e gera confiança no futuro. Nossa história de amor com Deus é feita de altos e baixos, é com ele que nossa história é escrita e contada.

Jeanne Larghero

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