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Manual de instruções para administrar as emoções - e não sofrê-las

CIĄGLE SIĘ KRYTYKUJESZ

Lacie Slezak/Unsplash | CC0

Edifa - publicado em 05/05/20

Embora seja quase impossível enfrentar todos os acontecimentos do dia-a-dia com a mesma estabilidade emocional, é possível aprender a domar as emoções quando elas transbordam. Aqui estão algumas dicas para obtê-lo

Um excesso de emoções pode ser uma fonte de desconforto e até sofrimento. Algumas pessoas ficam doentes por causa da inveja, do ressentimento, da apreensão, da angústia. Elas também observam que quanto mais elas tentam controlar suas emoções, mais elas aumentam. Como não podemos ter vergonha ou raiva, se apenas pensamos nisso? Missão impossível, a não ser que apliquemos estratégias de fuga para evitar situações que possam gerar desconforto.

A emoção nos faz estar vivos

A médica e terapeuta Catherine Aimelet-Périssol fundamenta-se na neurociência, especialmente nos trabalhos do neurobiólogo Henri Laborit, para decifrar o mecanismo das emoções. “Acreditamos que poderemos controlar nossas emoções através do raciocínio e do senso comum. Isso é esquecer algo precipitadamente que antes de raciocinar com a parte do nosso cérebro que pensa e fala, raciocinamos com outra parte do nosso cérebro que é muito mais arcaica. Antes de refletir sobre o mental, reagimos primeiro com o corpo no caso de um problema.”

Quando o cérebro percebe uma informação relevante para a existência, que esteja presente ou que faça lembrar uma experiência passada, classifica-a como “boa para mim” ou “apresenta um perigo”. Se é boa, sentimos alegria. Caso contrário, sentimos medo, tristeza ou raiva. Se a percebemos como neutra, não sentimos nenhuma emoção. Boa notícia: a emoção é, portanto, um movimento biológico, automático e inconsciente, nem bom nem ruim em si mesmo. Quando temos alegria, medo, raiva, tristeza ou qualquer outra emoção secundária associada, simplesmente mostramos que estamos vivos. Portanto, é inútil tentar controlar esse fenômeno biológico. Assim, dizer à uma criança “Você tem o direito de ficar com raiva” não é justo. Ela está com raiva, só isso.

Catherine Aimelet-Périssol nos convida a explorar nossas emoções para detectar esse movimento, pois “o simples fato de reconhecê-lo já produz um certo relaxamento”. Deixe prá lá, ir devagar para considerar o acontecimento que causa o movimento e separá-lo de nós: “Eu não sou a causa da minha tristeza, do meu medo, da minha raiva”. “É importante lembrar que a emoção é sempre passageira, que não nos torna incapazes, mas alguém que sente e que não mancha o resto de nossa existência”, diz Catherine Aimelet-Périssol.

As emoções nos levam a desenvolver novas qualidades

Então, como lidamos com as outras pessoas, aquilo que as emoções geram, o pequeno discurso mental automático que procura uma explicação interior ou exterior de nossas emoções ou inclusive a culpa? Como corrigir os atos que levamos a cabo numa explosão emocional e que, pela força, podem se tornar num hábito, como o fato, por exemplo, de querer controlar tudo ou ficar separado sistematicamente enquanto outra pessoa disser que está em desacordo? Primeiro, renunciando um ideal de perfeição e assumindo nossa fragilidade. O olhar bondoso das outras pessoas pode nos ajudar a fazer isso.

Depois, devemos aceitar que nosso corpo construiu seu próprio sistema de ressonância com base num acontecimento primário pelo qual nos sentimos ameaçados em nossa existência. Se reagirmos, por exemplo, no registro da tristeza, vamos aceitá-lo e vamos olhar para o outro lado da moeda, o lado bom: as emoções podem expressar uma necessidade não satisfeita. Se houver medo, trata-se de uma necessidade de segurança e de liberdade. Se houver raiva, de uma necessidade de identidade, de pertencimento, de singularidade, de justiça. Se há tristeza, há uma necessidade de significado, de coerência, de iniciativa pessoal. Assim, se uma criança tem inveja, será necessário trabalhar no seu desejo de reconhecimento.

Embora seja impossível modificar à força o que o cérebro já adquiriu, é possível adicionar novos circuitos, novas conexões neurais. Como fazemos isso? Com base nas experiências que já foram bem-sucedidas para tirar-nos de uma situação. Nem sempre fomos violentos, tristes ou com muito medo! As emoções nos incitam a desenvolver qualidades para reagir ao acontecimento. A questão é encontrá-las e utilizá-las: “A busca de soluções de quem evita (medo) promove a vigilância, a observação e a criatividade; a busca do controle de quem luta (raiva) favorece o senso das responsabilidades e da decisão; a busca do significado de quem se retira (tristeza) favorece o desejo de entender ede saber”, conclui Catherine Aimelet-Périssol. Uma bela trajetória que nos torna mais inteiros e mais vivos!

Bénédicte de Saint-Germain

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