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Conselhos para habituar as crianças a uma alimentação saudável

Andy Shell | Shutterstock
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É importante que as crianças desenvolvam bons hábitos alimentares desde muito pequenas. Elas não se acostumam a comer bem da noite para o dia, portanto, os pais precisam se empenhar para conscientizar seus filhos em relação à alimentação. A seguir, encontre conselhos de nutricionistas para fazer isso de forma mais leve.

Os alimentos e as refeições não têm apenas uma função nutritiva. Muito mais do que isso, eles são uma forma de educação do gosto e de uma cultura – especialmente a cultura familiar – que é transmitida desde a primeira infância. Será que, em termos de comida, tudo seria agradável antes dos três anos de idade?

Na maioria das vezes, a relação com a comida é complexa, basta ouvir os depoimentos das jovens mães.

Há bebês que não comem nada, que comem demais, que têm dor de estômago, seja porque estão com fome ou porque têm dificuldades em digerir.

Um pouco mais tarde, quando o acesso aos alimentos é mais diversificado, os problemas são diferentes: “Meu filho só come macarrão!”; “Tudo o que parece com verdura ele rejeita”; “as refeições se transformam em um combate”, diz Mathilde, desesperada.

Para os pais, “comer bem” é essencial e até fundamental: “Quando, em uma conferência, pergunto: ‘O que é um bom pai?’, a maioria das pessoas que estão lá me responde: ‘Um pai que convence seus filhos a comer legumes’”, diz Myriam Alexis, nutricionista especializada em pediatria.

Passar bons hábitos alimentares para seus filhos é, portanto, crucial para muitos e, naturalmente, uma fonte de pressão.

Maus hábitos a banir

Parece que os comerciais existem para nos lembrar que “não devemos comer muita gordura, muito salgado ou muito doce” e que é importante comer “cinco frutas e legumes por dia”. Convivemos com o constante medo da obesidade.

Essa disciplina em ser sóbrio ao alimentar-se e cuidar em comer o que é saudável, é muitas vezes difícil de implementar. Muitas vezes, mesmo os pais não conseguem seguir as regras que desejam passar aos seus filhos”, enfatiza Myriam Alexis.

Obviamente, nós temos maus hábitos alimentares que devem ser evitados. Myriam Alexis também menciona os pais que submetem seus filhos a uma forma de extremismo alimentar, excluindo certos alimentos.

Nesse ponto, médicos e especialistas em infância são unanimes em enfatizar que é importante fornecer uma dieta saudável e variada para crianças pequenas.

Hábitos alimentares são aprendidos desde a infância, usando uma técnica específica para crianças menores de três anos de idade.

Para crianças mais velhas, é importante ensiná-las que não devemos comer entre as refeições ou ficar fazendo pequenos lanches, especialmente com biscoitos industrializados, e que devemos provar de tudo.

Mas essa relação com a comida é muito diferente dependendo da criança, especialmente em se tratando daquelas que ainda não adquiriram fala.

A relação com a comida deve ser uma relação de prazer

Quando as crianças pequenas estão muito bloqueadas para comer, os profissionais recomendam que não as pressionemos tanto.

É primordial não brigar pelo motivo da comida, porque é exatamente o que causa bloqueios em crianças”, observa o pediatra Dr. Philippe Grandsenne.

Por outro lado, o Dr. Victoire L. lembra aos pais que, se o bebê se recusar a tomar a mamadeira, “eles podem oferecer um iogurte ou queijo branco”.

É essencial descomplexar os pais, ensiná-los a contornar o problema e ter em mente que a comida deve continuar sendo um momento prazeroso”, enfatiza.

De fato, as crianças pequenas entendem desde cedo que a comida é uma preocupação para os pais e por isso muitas vezes elas usam deste canal para se expressar.

“A alimentação é um excelente apoio social e um apoio aos momentos de conflito!”. As crianças têm uma maneira especial de expressar sua insatisfação, principalmente quando não dominam a palavra.

Portanto, além da função nutritiva de uma refeição, é necessário levar em consideração as forças psicológicas e emocionais que entram em cena.

Stefan Kleintjes, nutricionista especializado em pediatria, acredita que é importante “não elogiar seu filho quando ele come bem ou não repreendê-lo quando ele não está comendo”.

Um bebê quer ser amado, então ele fará – ou não – o que ele quer que seus pais desejem para ele. Falar assim é colocar muita pressão sobre a alimentação”, diz o especialista.

Segundo ele, nada supera o exemplo. Portanto, refeições compartilhadas são provavelmente a melhor maneira de mostrar que comer é algo prazeroso e divertido.

Um bebê se desenvolve observando os outros, seja seus pais, irmãos e irmãs, ou seus amigos de berçário. Isso é verdade para todas as etapas do desenvolvimento, desde conversar, andar e, portanto, comer também“, diz Stefan Kleintjes.

Investir na refeição partilhada em família

Myriam Alexis também sublinha a importância do contexto favorável para as refeições. “Os pais ficam viciados no conteúdo do prato dos seus filhos, no entanto, o ambiente sonoro, as tensões e as preocupações da família são um ponto muito mais importante. Para crianças, o não-verbal tem prioridade sobre o verbal até 10 a 12 anos!”.

Camille disse que seu filho de dois anos não estava comendo nada e ficava brincando à mesa, “e antes ele era bem mais fácil e tranquilo”. “Eu percebi que ele não gostou do fato de eu arrumar a cozinha enquanto ele estava almoçando. Ele precisava que eu ficasse ao seu lado, conversasse com ele e até comesse, como ele! Durante a noite, as refeições passaram a ser muito tranquilas, para ele e para mim! É um momento privilegiado!”.

Portanto, é essencial reinvestir na família e no tempo da refeição compartilhada. “Um momento em que a criança estaria no centro, na medida certa”, insiste Myriam Alexis.

Um momento onde o cozinheiro do dia inventaria outra maneira de adaptar seus pratos. Crianças mais velhas (entre 4 e 7 anos) podem se envolver e preparar uma sobremesa de sua escolha. E assim, a cultura do paladar é transmitida suavemente, com prazer.

Ariane Lecointre-Cloix

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