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Discernir para decidir: como tomar boas decisões na vida

INTELLIGENCE

gaudilab - Shutterstock

Edifa | Jun 03, 2020

Na vida, todos os dias há decisões a serem tomadas. E, em certos casos, não é fácil ver imediatamente a direção a seguir. Aqui estão algumas dicas para você tomar boas decisões

A compra de uma casa, uma orientação vocacional, um novo compromisso… Entre as decisões que temos que tomar, algumas não têm grandes consequências, mas outras podem mudar o curso de nossa existência e a vida de toda a nossa família.

Assim que surgir uma situação inesperada, somos obrigados a discernir, ou seja, a exercitar nosso julgamento para escolher o melhor. Como fazemos?

Introduzir a presença de Deus na eleição

O primeiro passo é saber quais são os termos de nossa escolha. Nosso coração fica dividido diante das possibilidades, por isso depende de nós limitar o número que se abre diante de nós.

Às vezes, é necessário parar para formulá-las com precisão; caso contrário, corremos o risco de perder tempo com um número exorbitante de situações.

Como o padre Bernard Mendiboure explica: “É importante fazer a pergunta certa e escolher uma das alternativas: ou bem isto ou bem o outro”.

O segundo ponto de atenção é que, é claro, o discernimento só pode funcionar em circunstâncias moralmente aceitáveis ​​que vão na direção da caridade.

Para não deixar Deus fora de nossas decisões, devemos garantir que submetamos tudo a Ele, sob seu olhar paternal.

Por acaso não confiamos a Ele nossa vida diária? Sim e com mais razão, os pontos de virada da nossa vida.

“A primeira condição é introduzir a presença de Deus em nossa escolha e buscar qual é a vontade Dele, pois sabemos que isso nos fará felizes e mais livres”, insiste o padre Bernard Mendiboure. E com a certeza de que Deus nunca pede nada impossível, embora às vezes seja difícil dar o passo.

Para que a direção a seguir gradualmente surja, não podemos poupar no tempo que consagramos ao Senhor, no silêncio e na oração, com a consciência iluminada pela palavra de Deus para “sair assim dessa pura subjetividade”, aconselha o padre Bernard Mendiboure.

“No dia em que planejamos ficar noivos”, diz Grégoire, “nós dois partimos para um retiro espiritual. Quando a escolha a fazer é tão comprometida, você precisa se retirar do mundo e descer às profundezas”.

Sophie, mãe da família, confessa: “Como pais, estamos muito envolvidos e é difícil saber o que é bom para nossos filhos. Um dia entendi que tinha que distinguir a vontade de Deus do meu desejo pessoal e confiar Nele. Ele permite algumas coisas que, finalmente, acabam sendo benéficas”.

Depois de muita hesitação, Marion e Thibault viram que seus filhos iam estudar em outro país. “De fato, a escolha se mostrou muito positiva e, estranhamente, nossos laços foram fortalecidos”, confessam os pais.

Seguir a vontade de Deus às vezes pode ser um combate

Quando tomamos uma decisão, temos que operar com a precisão de um bisturi cirúrgico para separar o bem do mal, os bons motivos dos falsos. Às vezes, este exercício é assustador. Vemos isso no Evangelho com o jovem rico que vai embora triste.

Pierre, engenheiro, duvida de um emprego que lhe foi oferecido. A questão é colocada nestes termos: deve ou não assinar esse contrato de trabalho?

Pierre irá rever o que diz respeito às coisas que ele gosta, seu caráter, suas habilidades. Depois, ele juntará toda a informação objetiva sobre a empresa, verificará os vários argumentos presentes, a parte de risco que assume, fazendo uma lista de vantagens e desvantagens para os dois casos.

São Tomás de Aquino nos tranquiliza afirmando que a consciência tem uma intuição sobre aquilo que é bom.

Na oração, Pierre estará atento ao que Inácio de Loyola chama de movimentos, isto é, as sensações da alma. Algumas idéias, pensamentos ou projetos, levemente ajustados, proporcionam um prazer temporário, mas seguido de tristeza. Pelo contrário, outros menos sedutores proporcionam um alívio duradouro.

Em qualquer decisão, é essencial prestar atenção aos fatos: “Quando tivemos que ir embora por motivos profissionais para o exterior, levamos em conta as necessidades de nossos filhos”, diz Alphonse.

“Convocamos uma reunião de família na qual nossos três filhos deram sua opinião. Nós tivemos um tempo diante de Deus, pedimos conselhos aos nossos entes queridos e escolhemos uma cidade de fronteira com o nosso país”.

Uma decisão dos pais pode perturbar a vida das crianças. Portanto, os pais devem estar atentos ao que seus filhos sentem, mas sem pedir que eles assumam o papel de adultos.

Iluminar o caminho da decisão

Como o coração do ser humano é complexo, à medida que sentimentos, história pessoal, educação etc. se misturam por dentro, é necessário classificar para saber qual é a prioridade.

Sozinhos, podemos permanecer na subjetividade e confundir nossas ilusões com a vontade de Deus. Também não adianta perguntar à todas pessoas que nos encontramos a sua opinião.

Ben Sirá, o Sábio, dizia que “entre mil pessoas, somente pedimos os conselhos a uma”. Também é muito importante dialogar com o nosso cônjuge antes de decidir. De fato, existe uma graça no casamento que permite que um acolha o outro em suas dúvidas e dificuldades.

Paola pede conselhos ao marido para obter sua opinião, mas ela também consulta dois ou três amigos: “Às pessoas que valorizo, cuja opinião é valiosa para mim devido à sua consistência da vida”.

O tempo também é necessário. A Tradição nos diz que, se Deus nos chama, ele insiste no tempo, que Seu convite não é passageiro.

“As coisas são descobertas ao longo do tempo”, diz Agnès, mãe de cinco filhos. “Não podemos tomar uma decisão num instante. O tempo nos permite realmente comunicar, incluir o Nosso Senhor no assunto e ficar longe de sensações superficiais”.

Quando, depois de três filhos, Véronique discutiu a possibilidade de um quarto filho com o marido, recebeu um não categórico. “Philippe ficou paralisado pelo aspecto financeiro. Após dois anos de reflexão, finalmente concordamos”.

Então chega o momento da decisão. Frequentemente, quando realizamos esse trabalho de discernimento, mesmo nos distanciando de nossos sonhos, uma certeza serena surge e prevalece.

Agnès e Vianney discutem as questões, mas, para certas áreas, é um dos dois que acaba resolvendo, de acordo com sua competência específica. Às vezes, pode parecer confortável deixar a vida administrar os acontecimentos, numa forma de fatalismo.

“Exercitar o discernimento determina a passagem para a vida adulta”, diz Agnès. “É útil saber porque uma decisão é tomada e que frutos esperar dela”.

O discernimento é uma escola da liberdade.

“Ao administrar essa batalha de discernimento em tudo o que nos sentimos divididos em nós mesmos”, diz o padre Bernard Mendiboure, “ao sair de nós mesmos, encontramos nossa liberdade espiritual”.

Os frutos do bom discernimento são citados por São Paulo: “Amor, alegria e paz”. “Esses sinais são muito mais que alívio temporário. Uma boa escolha prolonga seus frutos a longo prazo”, conclui o padre Bernard Mendiboure.

Florence Brière-Loth

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