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Quer ser ouvido? Trabalhe a sua voz

fizkes I Shutterstock

Edifa - publicado em 23/07/20

Você quer que seus amigos ou colegas de trabalho te escutem? Isto é o que você pode fazer para encontrar sua voz e ser convincente quando se expressar

Todos nós experimentamos isto: o rádio do carro está ligado, e não estamos ouvindo direito; no entanto, pelo tom de voz, sabemos que estamos perdendo as notícias. Essa voz de rádio revela uma padronização da voz que supostamente a torna mais apto a atrair a atenção. Mas os jornalistas não são os únicos que desenvolvem esses truques verbais.

Espontaneamente, adaptamos nossa voz a diferentes maneiras de nos impor ou projetar uma imagem mais lisonjeira de nós mesmos.

Em particular, tendemos a adotar um tom de voz mais grave, pois pensamos que dessa maneira parecemos mais competentes e mais poderosos.

Erro fatal, porque “as cordas vocais não são feitas para isso”, lembra Michel Hart, autor do livro Découvrir sa voix: Parler et chanter avec plaisir et sans fadigue (“Descubra sua voz: cante e fale com prazer e sem fadiga”).

A imitação é perigosa: “O recurso a comportamentos de esforço vocal está na origem de inúmeras patologias vocais”, diz Michel Hart. Ainda mais quando as vozes patológicas são imitadas. Mas então, o que podemos fazer para que os outros nos ouçam?

Não há vozes bonitas, há vozes saudáveis

Em todos esses casos, uma voz falsificada indica que o locutor se identifica com uma função e não confia em si mesmo. A voz se torna uma máscara, um antigo significado da palavra pessoa em latim, que designa a máscara usada pelos atores da tragédia grega para projetar a voz nos anfiteatros.

Mas pessoa também adquiriu o significado de “pessoa” que conhecemos em nosso idioma. Nossa voz é o mais “pessoal” e íntimo que possuímos.

“O ser humano é o único ser dotado de uma voz verdadeira. Não se limita a repetir. A voz não é um objeto. A voz é vida”, lembra Jean Abitbol, ​​um dos especialistas mundiais em cordas vocais. Não é surpreendente que se saiba que em hebraico, entre outras línguas, a mesma palavra designa a respiração e a vida. A voz, transmitida pela respiração, é viva por excelência, é vibrante, expressiva e efêmera.

“Trabalhar a voz é uma busca da verdade. Trata-se de descobrir quem somos”, diz Florine, professora de canto. Diante dos alunos que gostariam de cantar “como” tal cantor tão famoso ou diante de uma voz que inconscientemente copia algumas formas de canto, dá o mesmo conselho: “Não finja ter uma voz bonita. Pergunte a si mesmo se ela sai facilmente, se você usou bem todo o seu corpo. Então será linda”. Em outras palavras, não há vozes bonitas, há vozes saudáveis, ou seja, com um bom timbre, elas sobem e descem facilmente e não deixam passar muito ar.

Assim, a voz seria como nossas impressões digitais: únicas e inimitáveis. Não é uma ferramenta que temos, mas o que somos. Seria como tentar mudar de cara. Mas, ao contrário do rosto (só podemos maquilhar suas falhas), é possível esculpir a voz. Os fonoaudiólogos e foniatras ensinam como usá-la novamente quando seu alcance ou clareza diminuíram devido a bloqueios psicológicos ou maus hábitos ou também para ajudar a se fazer ouvir, ou seja, a existir socialmente.

Não levante a voz, diminua o volume

Atualmente, trabalhar a voz é uma necessidade particularmente premente. Em cerca de cinquenta anos, parece que a elocução de adultos e crianças se degradou. O motivo, entre outros, é encontrado no uso de microfones, que geralmente diminuem o poder de persuasão e emoção da voz. E eles nos dão a sensação de que somos ouvidos sem esforço.

Por causa da técnica e dos microfones, não precisamos fazer o mesmo esforço físico para nos fazer ouvir. Os microfones estão por todos lados: na igreja, em conferências, reuniões, shows… Apenas cantores líricos ficam sem eles. Eles sabem como fazer suas vozes serem ouvidas precisamente acima da orquestra.

De fato, quando ouvimos um cantor lírico, isso nos dá arrepios! A presença da voz nua proporciona uma sensação física que a voz modificada por um microfone não transmite. Simplesmente porque o cantor sabe usar bem seu corpo e porque, devido a um fenômeno de empatia, isso leva ao bem-estar do corpo que ouve.

Ao passar da voz declamadora dos falantes do passado para a voz mais íntima dos falantes de hoje, amplificada por um microfone, não facilitamos o exercício da voz. E esquecemos que seu controle era uma arte a adquirir. Mesmo no âmbito da comunicação privada, trabalhar a voz pode ser revelado como algo precioso.

Laure é uma mãe e esposa de família que usa um treinador vocal: “Meu marido ficava me dizendo toda hora que ele tinha um tom impossível quando eu falava com ele. E quando eu reprovava ele por algo, não podia nem ouvir ele. Então ele trabalhou com um treinador vocal por cinco sessões: “Eu cantei muito. Eu aprendi a controlar a respiração. Mas, acima de tudo, aprendi a ouvir minha voz”. Desde então, ela conseguiu se comunicar melhor com seu cônjuge.

Os professores, por sua vez, estão particularmente conscientes do poder da voz. E eles sabem que existe uma maneira de usá-la que simplesmente permite ser ouvido. Todo mundo sabe que, para capturar a atenção de uma classe dispersa, é inútil elevar sua voz. Abaixar o volume, pelo contrário, permite focar a atenção em si mesmo, forçando o público a erguer os ouvidos. No entanto, a dicção deve manter o ritmo e nunca ser desonesta.

Acima de tudo, o que torna a voz brilhante é sua capacidade de projeção, sua capacidade de atingir um público. Ser uma ponte que se estende entre si e o outro. Pode-se concluir que as pessoas tímidas não podem ter uma voz bonita? Claro que não! Ao liberar a respiração, ao ganhar o controle de seu instrumento vocal, qualquer um de nós pode afirmar sua personalidade. É uma vantagem indispensável para qualquer momento da vida, tanto em uma entrevista de emprego quanto para solicitar um casamento ao seu parceiro.

Pauline Quillon

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