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A arte de ser verdadeiramente paciente com nosso cônjuge

KŁÓTNIA MAŁŻEŃSKA

fizkes | Shutterstock

Edifa - publicado em 11/09/20

A paciência não consiste em aguentar e roer as unhas, mas em abrir o nosso coração. Aqui estão algumas dicas para alcançar a verdadeira paciência no relacionamento do casal

“O casamento, quando funciona, funciona. Quando não, você espera pacientemente”. Esta frase oferece uma visão bastante realista da vida cotidiana do casamento no que diz respeito ao uso de uma virtude essencial: a paciência. Com nosso cônjuge, sem dúvida. Com nossos filhos, claro! Mas, de forma mais sutil, paciência com nós mesmos. E até paciência com Deus.

Somos seres cheios de expectativas, principalmente nas nossas relações amorosas. Esperamos dos outros, de Deus. Convém fazer uma lista das nossas expectativas e examinar a sua legitimidade, o seu realismo. Além disso, essas expectativas implicam precisamente uma espera. E é por isso que não há casamento onde não exista usos da paciência.

Ser paciente e esperar nem sempre é uma boa solução

Lamentamos que nosso cônjuge (ou Deus) demore tanto para nos dar o que esperamos, quando ele poderia ter feito isso há muito tempo se tivéssemos dado à ele o espaço ou a liberdade de que precisava. Ficamos surpresos com o tempo que Deus (ou nosso cônjuge) leva para nos agradar, enquanto que é ainda mais surpreendente quanto tempo levamos para entender que já estaríamos satisfeitos se tivéssemos feito certo uso de abandono ou confiança, ou mesmo que já estamos satisfeitos com uma maneira que não podemos ver.

Queixamo-nos que demora muito para corrigir um defeito, enquanto permanecemos na onipotência de quem pensa que conhece todos os meandros da sua própria personalidade e esquecemos a humildade necessária para nos aproximar à sua própria complexidade. Muitas vezes perdemos a paciência porque olhamos a situação de um único ponto de vista ou com um único raciocínio, sem pensar que pode haver outras perspectivas totalmente diferentes. Nosso cônjuge muitas vezes está naquela “diferença” que não fomos capazes de contemplar. E vice-versa. E Deus ainda mais.

Aceitar a surpresa

“Quando não funciona, você espera pacientemente”. A frase pode parecer uma máxima fatalista sem esperança. E seria verdade se falasse de uma paciência estática, a de quem sofre um atraso, por exemplo. Mas deixa de ser fatalista quando se trata da paciência dinâmica do artista que revê e retifica sua escultura quantas vezes forem necessárias, de todos os ângulos, a paciência do educador que sabe que uma pessoa não se constrói num dia ou de um cônjuge ciente de que sua paciência não é apenas uma espera, mas uma oportunidade fecunda de transformação interior.

A paciência não é segurar e roer as unhas, mas abrir nosso coração. Pode ser difícil, mas é a maneira de nos deixarmos surpreender, de descobrir o desconhecido em nós, no outro, em Deus, de receber mudanças que não havíamos antecipado, controlado ou nem sequer compreendido. Receber o que (já) não esperávamos é o máximo da nossa felicidade.

Sophie Lutz

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