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Missa chata? Pense nisso na próxima vez que ficar aborrecido na igreja

PESSOAS NA MISSA EM IGREJA

TATJANA SPLICHAL | DRUŽINA

Edifa - publicado em 09/10/20

Acontece com você de ficar aborrecido na missa de domingo? Aqui estão algumas dicas para aprender a lidar com esse aborrecimento e viver a missa como um momento que realmente liga sua vida à de Jesus

Para aquelas pessoas que dizem que a missa é chata, eu adoraria responder que a sabedoria só vem para aqueles que aprenderam a perseverar no aborrecimento, a entrar pacientemente na densidade das coisas sem ver imediatamente o fruto de seu trabalho.

De fato, o sábio tem a virtude do agricultor que trabalha incansavelmente em sua terra. Mas o homem não foi feito para pecar de flor em flor numa “insustentável leveza do ser”, de acordo com o título do romance de Milan Kundera. No entanto, ele foi feito para ser amarrado à sua rosa, para cultivá-la, para ficar enchido com ela. É essencial aprender a aceitar o tédio, a monotonia dos dias que passam, a recusar-se a medir a vida de acordo com o imediatismo narcisista do prazer consumível.

Domingo é a âncora do tempo

Mas qual é o sentido da missa? Eu respondo com as palavras do escritor Georges Bernanos: “O demônio em nosso coração se chama ‘Para que serve …?'” Acima de tudo, respondo com Cristo à outra pergunta: “Qual é a utilidade …?” que converteu São Francisco Xavier: “De que adianta um homem ganhar o mundo inteiro, se ele se perde?”. O homem é uma lâmina de “palha que o vento sopra e leva ela” (Salmo 1).

Assim, se não colocarmos nossa âncora para pegar o vôo do tempo, nossa vida se derramará como sangue de uma ferida. Nesse sentido, o domingo é a âncora do tempo onde o homem aprende a morrer no visível para cultivar o invisível.

Nunca se vai a uma missa chata

Devemos “viver de acordo com o domingo”, de acordo com a expressão dos Padres, porque o homem não pode viver sem memória e sem esperança. Sem se lembrar da salvação de Deus alcançada pela Cruz, sem já entrar na luz do Ressuscitado.

A memória permite-nos habitar o presente, a esperança permite-nos caminhar para Jesus Cristo, o Oriente das nossas vidas. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a Vida eterna” (Jo 6,54).

Nesse sentido, o filósofo francês Gabriel Marcel costumava dizer: “Amar alguém é dizer-lhe: ‘você nunca morrerá'”. Mas só Deus pode dizer isso. No entanto, a missa, através da escuta da Palavra eterna, através da comunhão efetiva ou, pelo menos, do desejo, porque Deus não é mesquinho com sua gratidão ao corpo ressuscitado do Senhor, dá ao nosso corpo de morte a promessa da imortalidade. A eucaristia é a garantia da nossa ressurreição que nos permite “antecipar as vigílias da noite” (Salmo 119).

A missa nos tira da transitoriedade das coisas

A missa dominical marca o ritmo da vida cristã em virtude do rito. O rito ordena a existência, dá controle sobre o tempo que passa. “Mas se vier a qualquer hora, nunca saberei a que horas preparar meu coração … É bom que existam ritos. O que é um rito?, disse o principezinho. Também é algo esquecido demais, disse a raposa. –É o que diferencia um dia dos outros dias”.

Se vamos à missa todos os domingos, não é porque a missa é legal ou chata, mas é para “vestir” o corpo e a alma, afastar-nos da transitoriedade das coisas e fazer-nos resistir, dizia a beata Isabel de la Trinidad, “imóveis e pacíficos, como se [os nossos corações] estivessem já na eternidade”.


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