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Tudo que você precisa saber sobre o seu instinto materno e como cultivá-lo 

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Shutterstock | Tomsickova Tatyan

Edifa - publicado em 18/12/20

Confiar no seu instinto materno favoriza o desenvolvimento do seu filho. Mas será que existe realmente um instinto materno? Em que momento o sentimos? Será possível não senti-lo? A seguir encontre respostas a perguntas como essas, pela pediatra Edwige Antier

Ouvir o instinto maternal é a melhor maneira de amar e criar os filhos, diz Edwige Antier, mãe e renomada pediatra, em seu vibrante livro Elogios das mães (em tradução livre). Com a aproximação do Natal, aqui está um convite a meditar sobre o jardim de infância dos instintos e o dom da vida.

Mães, o que as faz seguir o instinto maternal?

Edwige Antier: Amaternidade está causando um mal-estar real hoje em dia. Numa sociedade muito marcada pela psicanálise, pelo feminismo e seus excessos, está na moda “atirar pedras” nas mães. Instinto materno? Não existe, correria o risco de atrapalhar o desenvolvimento da mulher! Avós? Eles só dão conselhos ruins e só precisam raspar as paredes! Tanto que recebo mulheres completamente perdidas em meu consultório. Elas se sentem criticadas desde os primeiros momentos com o bebê e não sabem mais ouvir a musiquinha interior de seus instintos. “Você o abraça sempre que ele chora?; Você vai deixa-lo mimado!; Você não está amamentando?”.

A jovem mãe é a única verdadeira especialista em seu filho, o pediatra Donald W. Winnicott tem provado isso e temos que acreditar: “melhor do que ninguém ela sabe e sente o que é bom para seu filho. Quero mostrar a ela que ela é a melhor para o filho, que ela é única, estruturante e essencial, porque ela tem esse “plus” que a liga ao bebê e que os profissionais não têm. Este “plus” é o instinto materno, ao qual hoje é urgente e necessário devolver o seu lugar e valor insubstituíveis”.

Instinto materno, o que é exatamente?

Estamos com fome, comemos. Alimentar-se é um instinto, um comportamento inato do qual depende a nossa sobrevivência. Da mesma forma, o instinto materno é esse impulso que empurra a mãe a agir por seu filho sem pensar: faz parte da própria essência da mulher. Vejam as meninas que, desde pequenas, se identificam com a mãe, como se uma memória arcaica já as projetasse em sua futura procriação!

O trabalho de biólogos e neurocientistas prova a existência do instinto materno. A pesquisa mostrou que o hormônio ocitocina, encontrado apenas em mamíferos, é o hormônio do instinto materno: por sua natureza hormonal e genética, as mulheres nascem mães.

A jovem que dá à luz um filho é dominada por uma verdadeira tempestade hormonal e emocional. Instintivamente, ela escuta as necessidades de seu filho: ela está em tal fusão com ele que sente se ele está com fome, se está com dor, se precisa estar em seus braços. Ela entra em uma comunicação instintiva com ele, o que nos Estados Unidos é chamado de conversa de bebê, essa conexão muito particular que isola a mãe e o bebê em uma espécie de bolha.

Essa bolha deixa espaço para aqueles ao seu redor, especialmente para o pai?

No ventre da mãe, o bebê estava protegido. Ao nascer, ele precisa viver uma ruptura e esta abertura repentina é desagradável: instintivamente, sua mãe o pega e o segura em seus braços, contendo a necessidade do bebê. Para a jovem mãe, nada importa além de seu bebê. Esse estado de regressão que surpreende e às vezes irrita as pessoas ao redor é necessário. As visitas de à maternidade nunca devem ultrapassar quinze minutos, pois a mãe e o bebê precisamficar sozinhos.

Gradualmente, mais ou menos rápido ou devagar dependendo do caso, essa bolha se abrirá. A criança precisa da segurança dos braços da mãe e vai descobrir o mundo por meio de uma grade de leitura coerente, com confiança. O pai tem um papel sublime a desempenhar: dar suporte à mãe! Muito melhor do que um clone materno, é ele quem protege sua companheira de tudo que possa prejudicar a paz dela com o filho. Ela precisa ser entregue à interação instintiva, e seu vínculo com o bebê deve ser sua única preocupação nos primeiros meses. É normal. E longe de ter ciúme, que o jovem papai possa se alegrar em proteger sua esposa e filho! Que ele também pense em valorizar a feminilidade de sua esposa, não apenas a maternidade. Com pequenos presentes ou elogios carinhosos, ele vai devolvendo a feminilidade à sua esposa.

O instinto maternal pode ser óbvio para alguns. Mas existe algo que faz com que a mulher se sinta culpada por não se sentir maternal

É verdade, algumas mulheres não sentem essa conexão em relação aos filhos. A maternidade parece estranha para elas e as assusta. Elas primeiro precisam se recuperar, se encontrar em seu próprio corpo, conhecer seu bebê antes de se adaptarem a ele. Mas essas mães devem ficar tranquilas, pois é muito raro que uma mãe não desenvolva o seu instinto. Ser maternal não é ser uma mãe que responde ao menor desejo do filho, mas estar atenta às suas necessidades.

Observe-se, questione seu passado: a parte instintiva está sempre escondida por antecedentes psíquicos. Uma mãe com pouca maternidade, dificuldades familiares, certas feridas da infância às vezes impedem o florescimento do instinto maternal. Não esqueçamos que o parto remete a jovem ao que ela mesma recebeu da própria mãe. Suas próprias feridas da infância e da adolescência reaparecem, às vezes com violência, nesta tempestade da maternidade.

Ora, as jovens de hoje pertencem a uma geração que foi convidada por toda uma corrente psíquica a julgar as mães com frieza. Minha longa experiência como pediatra me fez sentir como é vital restaurar o vínculo entre a jovem mãe e sua mãe, tanto para ela quanto para seu filho!

Você está dizendo que para criar bem um filho você tem que se dar bem com sua própria mãe?

Já vi algumas avós abraçadas sozinhas seguindo suas filhas até meu escritório! Está na moda “matar a avó”? Preocupemo-nos antes em reparar e manter esta tão importante transmissão transgeracional.

Uma mulher que se afastou da própria mãe corre o risco de sofrer depressão. Você sabe que algumas mães se sentem deprimidas durante os três meses após o parto? Já a criança corre o risco de reproduzir essa ruptura à medida que cresce, alongando o conflito interno até a adolescência. A criança precisa do vínculo com seus avós. Além disso, quando não tem mais ancestrais, ele os inventa: veja o entusiasmo dos jovens pelos dinossauros… substitutos dos avós!

Vou contra a tendência das ideias da moda, mas afirmo: a tua mãe é sagrada, temos de restaurar o respeito pelas mães que nos deram à luz! É bom falar e criticar se for preciso, mas quantas falhas podemos evitar restaurando o respeito a quem nos deu a luz…

Que peso sobre os ombros das mães! O que precisaria ser mudado para que a sociedade, as instituições e os profissionais olhassem com benevolência para a aventura materna?

Tive a sorte de viver muitos anos no Vietnã e depois na Nova Caledônia, onde vivi o arcaísmo dos gestos maternos. Que contraste entre o comportamento natural e instintivo das mães nesses países e a rigidez de nossos princípios ocidentais!

Estou chocado com nossa cultura distanciada, que cria substitutos para a presença materna. Vejam estes móveis que deixam o pequenino de frente para os brinquedos enquanto a mãe vai para outras ocupações e estes berços que já não balançam… Nos apegamos à distância enquanto, em muitos outros países, as mães embalam seus bebês com sua presença reconfortante, que os torna filhos independentes e seguros. Claro, não podemos transpor esses hábitos para nossa vida atual. Aprendamos apenas a respeitar a sensibilidade materna. Não desprezemos essas mulheres que optam por ficar em casa para criar os filhos e “não fazer nada”, sem fazer com que as que trabalham se sintam culpadas. Devemos estimular o direito à livre escolha do horário de trabalho para que as mães que desejam conciliar o bebê com a profissão possam fazê-lo.

Um último conselho para as jovens mães ?

A todas as jovens mães, diria para recolher as memórias: o colar de macarrão e o recorte trazido da escola, o desenho e os arquivos do jardim de infância… O tempo voa tão rápido! Reúna todos esses testemunhos da infância e viva plenamente esses momentos que passam rápido demais.

Mas meu maior desejo é que mães e filhas estejam em paz. Vocês, jovens mães que estão afastadas de suas própriasmães, não se esqueçam de ligar para ela no aniversário dela. Acredite que qualquer mãe sempre tem instinto em relação à filha e que o instinto maternal nos sustenta durante toda a vida. Precisamos aprender a conciliar e manter a todo custo a compreensão e o respeito entre as gerações. E não se esqueça, a maternidade é a mais bela e a maior aventura da vida!

Pascale Albier

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