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Amizade entre crianças: dicas para ajudar seu filho a fazer amigos

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Edifa - publicado em 22/12/20

“Ela é minha melhor amiga”, “Eu não quero mais ser seu amigo”: são frases que sempre ouvimos nos parquinhos. Seja através do afeto ou de conflitos, amizades lentamente ensinam as crianças a amar. Mas como ajudá-las a fazer amigos de verdade?

Você se lembra do seu primeiro amigo? A esta pergunta, um rosto um tanto nebuloso surge imediatamente na memória, raramente eles são esquecidos. Caroline, Agnes, Marcos ou Tiago: primeiros nomes que alegremente deixamos ressoar, habitados por lembranças de jogos, segredos compartilhados, risos. É a nossa vez de ajudar nossos filhos a viver bem esta experiência essencial de amizade na infância, “uma das grandes alegrias da vida”, como afirma Françoise Sand, conselheira matrimonial e familiar. É a primeira vez que a criança é escolhida e amada por alguém fora da família e, o que é mais importante, reconhecida por alguém da sua idade. Uma experiência emocionante!

A primeira aprendizagem da relação humana

“Eloi me acha engraçado”, Arnaldo se surpreende. Pelo olhar do amigo, a criança se vê, se descobre, aprende a conhecer seus talentos e seus defeitos. “O amigo acalma, dá confiança ao outro fazendo-o descobrir qualidades de que não tem consciência; o ajuda a crescer”, afirma Françoise Sand.

Fazer amigos é a primeira abertura da criança para a sociedade. “Fui à casa da Sophie na quinta à tarde, lembra Christine, de 62 anos. Eu tinha 8 anos na época. Ela foi minha primeira grande amiga, da infância até a morte. Fiquei impressionado com a atmosfera descontraída de sua família, com a bondade de seus irmãos, e percebi que poderíamos ser diferentes. “Por meio dessas relações de amizade, a criança entende que há regras na sociedade. Ela terá que fazer concessões, levar em conta a opinião do outro, esperar a sua vez.

O amigo, seja um colega de classe, vizinho ou primo, ocupa um lugar especial no coração das crianças. Com ele se aprende primeiro as relações humanas, portanto o amor, com todos os seus componentes: atração e ruptura, traição e ternura. E isso seja qual for o nível e a quantidade de vínculos criados. Para a psiquiatra infantil Catherine Jousselme , não é sério se a criança tem poucos amigos: o principal é que ela viva pelo menos uma amizade. A ausência de amigos, por outro lado, é preocupante. Requer uma atenção especial.

Mostre um bom exemplo e seja generoso

Então, como podemos ajudar nossos filhos? Através de nossa atitude, antes de mais nada. “Desde muito cedo, podemos ter relações de qualidade com os amigos se crescermos num clima de abertura aos outros, e a confiança nos outros se semeia na família”, garante o psiquiatra infantil Stéphane Clerget. Este é provavelmente um bom motivo para cultivar nossas próprias amizades, que começa ao sermos cuidadosos quando falamos de nossos amigos da família.

Os filhos observam como os pais agem. Fazer um telefonema de feliz aniversário, dar notícias regularmente, mas também saber confiar, ouvir, trazer nossos amigos em oração, ou ser um lar acolhedor para os outros. Tudo isso as crianças vão imitar. eles viram isso ser feito em casa. “Sempre odiei surpresas. Quando alguém aparecia na nossa casa no último minuto, para mim era como uma intrusão. Por isso, meus filhos trazem pouco os amigos em casa”, lamenta Bento.

A família também é o lugar ideal para treinar a criança na gratuidade. Ou seja, ensiná-las a dar sem esperar nada em troca. O que não é óbvio, numa idade em que nos preocupamos mais com as nossas próprias necessidades. Os convites entre os filhos são uma oportunidade muito concreta para refinar a generosidade e a delicadeza do coração na amizade. “Pedro convidou seu amigo Luís”, diz Helena, sua mãe. “Depois de um tempo, intrigada com o silêncio, descubro Pedro imerso em um gibi enquanto Luís estava sem saber o que fazer. Tive que me intrometer um pouquinho”. O lanche, principalmente para os menores, também é um momento fundamental para aprender a compartilhar e cuidar do outro. Oferecer, servir ao próximo e, se você está recebendo um hóspede, perguntar o que ele gosta de comer, e buscar não magoar o amigo.

Ajude-o a fazer novos amigos

Outras ajudinhas não serão demais: viagens de carro, convites, reuniões diversas. Especialmente depois de uma mudança de casa ou de escola. “Quando nos mudamos para outra cidade, minha filha de 8 anos teve de deixar sua melhor amiga e foi muito difícil para ela”, diz Beatriz. Desde então, tentamos convidá-la à nossa casa durante as férias, mesmo que nem sempre nos agrade! “E o psiquiatra infantil Stéphane Clerget aconselha: “Sugira que seu filho escreva para os amigos, isso desenvolve a amizade”.

Os pais também podem ajudá-los a fazer novos amigos. “Incentivar atividades em grupo, muitas vezes as amizades nascem quando fazemos coisas juntos”, lembra Jacques de Singly , sociólogo da família. Um esporte coletivo, coral, escotismo, tantas atividades que, mesmo com as diferenças de temperamento ou de formação, aproximam as crianças em torno de um ponto em comum. E os leva a enriquecer seus relacionamentos: “Guilherme começou a jogar futebol porque só conhecia um menino na escola que jogava também”, diz Xavier, seu pai. Com o esporte ajudando, eles se tornaram muito amigos! ”

Mas atenção: ajudar não significa forçar. “Com o pretexto de que a melhor amiga da mamãe tinha uma filha da minha idade, eu precisava me dar bem com ela a todo custo”, lembra Pascale. Não tínhamos gostos em comum e tenho lembranças horríveis daquelas tardes intermináveis ​​que passei com ela. E quando um menino é amigo de uma menina? Não coloque o rótulo de “amor” em uma amizade entre duas crianças do sexo oposto. Quantos pais transpõem a própria experiência para uma simples relação de amizade infantil. “Eles são colocados erroneamente em um lugar que não é deles”, lamenta a Dra. Catherine Jousselme .

Pesar para ser levado a sério

A amizade entre as crianças não é como um rio longo e calmo. Desavenças, grandes tristezas, reconciliações… cada ano tem sua cota de aventuras. E pode ser doloroso: para os mais tímidos, que têm dificuldade em fazer amigos; para aqueles que não conseguem mantê-los (como aquela criança autoritária ou manipuladora, excludente ou sufocante que acaba sendo chata mais cedo ou mais tarde, e “que muitas vezes se encontra sozinho”, comenta Sybilla, professora); ou para os muito sensíveis que desestimulam seus companheiros.

Então, o que fazer em caso de luto? Leve isso a sério, porque “essas frases muitas vezes são reais e dolorosas”, garante a psicanalista Danièle Brun. Então, Françoise Sand simplesmente aconselha a mostrar nossa compaixão: “Eu entendo que você está sofrendo, estou aqui e te amo”. Amélia foi confrontada com esta situação. Sua filha de 11 anos foi “abandonada” por seu amigo de longa data. Ela então disse à filha que havia passado por uma experiência semelhante quando tinha sua idade: “De repente, ela percebeu que não era a única”. Para alguns pequeninos que já têm uma intimidade com Deus, por que não convidá-los a confiar nele? Isso pode ser feito com a família. Por exemplo: “Esta noite rezamos por Maria e sua amiga Cécilia”, sem acrescentar mais nada.

Em uma idade em que a amizade é instável, também é bom fazer os filhos pensarem sobre lealdade. “Marion, de 10 anos, tem tendência a decepcionar os amigos”, comenta Sabine, sua mãe. Não posso obrigá-la a amá-los, mas procuro mostrar-lhe a dor que causa com seus impulsos. Aconselho-o a ter mais cuidado com seus excessos, para não decepcionar os outros”. Leia para eles histórias de amizade, os mais novos adoram. Cabe a cada pai encontrar a história que mais ressoará com seu filho: contos, histórias em quadrinhos, anedotas familiares ou a vida de santos que viveram uma forte amizade (Cosme e Damião por exemplo, ou Santa Clara e Francisco de Assis).

Saber se desculpar, mas também aceitar o perdão

Se as amizades de infância são agitadas, provavelmente é por uma questão de personalidade. Mas não só. A amizade da infância é cativada. Mesmo quando profunda, ela busca primeiro a si mesmo. Devemos lembrar que a criança pequena é egocêntrica por natureza. Daí as relações amigáveis ​​que às vezes podem azedar. Os pais também têm um papel a desempenhar para ajudar seus filhos a encontrar seu lugar em uma amizade.

A criança deve “saber dizer não, impor-se, dizer o que pensa a um amigo autoritário”, incentiva Françoise Sand. Com palavras simples, às vezes ingênuas e muito diretas, as crianças conseguem puxar umas às outras. Como Maelle, de 9 anos, que disse à prima, depois de uma brincadeira: “Não vou mais jogar com você, você é péssima jogadora”, ou Clemente, de 7 anos, que explicou a Raphael que ele não quer mais ser seu amigo porque ele passa o tempo todo brigando na hora do recreio. Daí a importância da franqueza na relação de amizade. Depois da briga, chega a hora do perdão. Pedir desculpas ou, pelo contrário, aceitar o perdão, muitas vezes é o que é mais difícil para eles. Um aspecto da amizade frequentemente esquecido, mas no qual os pais estariam errados em não enfatizar. Porque o perdão expressa a vontade de amar o outro.

E se o relacionamento com Deus desse outra dimensão a essas amizades infantis? “Certa noite, minha filha de 8 anos chegou em casa muito triste: “Manon me perguntou o que representava minha medalha e não me atrevi a responder, porque creio que ela não conhece Jesus”, conta o pai. Eu a tranquilizei: “Você tem o direito de falar com ela sobre isso”. No dia seguinte, ela voltou encantada: “Conversamos sobre Deus e ela me disse que já havia participado de um batismo””. Essas relações infantis podem ser edificantes, como conta Odilio: “Antes de fazer sua primeira comunhão, minha filha mais velha pediu às amigas que rezassem por ela”. Descobrimos então que nossos filhos vivem uma amizade profunda, às vezes espiritual.


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AmizadeFamíliaRelacionamento
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