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O que fazer para voltar a ter fé?

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P Deliss / Godong | Ref:012

Edifa - publicado em 14/04/21

O dom da fé exige uma resposta de cada um de nós

A fé é um dom sobrenatural e definitivo de Deus. O fato é que este não é um dom “mágico”. Deus, por amor a nós, nos deixa sempre livres, e pede a nossa participação no desenvolvimento dos dons que nos concede.

O dom da fé exige, portanto, uma resposta do homem: assentimento à verdade revelada. Esta adesão da inteligência à Revelação é alcançada através de um ato de fé, que está enraizado na palavra de Deus, como nos ensina a Igreja Católica.

Assim, recebemos o conteúdo da fé por meio do ensino da Igreja. E o exercemos por meio da meditação. Conservamos a fé através da nossa memória.

A fé é a rocha sobre a qual se baseia toda a nossa vida sobrenatural de batizados. Ela nos dá experimentar antecipadamente da alegria celestial. Lá, a fé será substituída pela visão de Deus. A partir deste ponto, podemos tirar quatro conclusões.

Depende de nós acreditar em nossa fé e duvidar de nossas dúvidas

Em primeiro lugar, a fé, aperfeiçoando a inteligência humana, pode ir além dessa inteligência, mas não pode contradizê-la, porque ambas têm o mesmo fim: o conhecimento da verdade.

Em segundo lugar, visto que a fé é baseada na alma espiritual, ela não está no sentimento. Não se trata de “sentir” emocionalmente a fé, nem mesmo o amor ou a esperança. Terceiro, fé é exercício, combate. A pedagogia gentil mas desconcertante de Deus é permitir que as dúvidas entrem em nós para que possamos exercer a nossa fé!

Cabe a nós então acreditar em nossa fé e duvidar de nossas dúvidas. Ora, tantas vezes acontece que, nestas circunstâncias, damos grande crédito às nossas dúvidas e tão pouco à nossa fé!

A fé é certeza. Ninguém, se estiver certo, concentrará sua vida na dúvida! É por isso que a obediência à verdade se torna a atitude mais nobre do cristão. Podemos perder a fé por negação ou dúvida voluntária em face aos ensinamentos da Igreja, mesmo que o objeto da dúvida seja apenas um dos artigos propostos à nossa crença.

Quem teimosamente recusa dar o seu assentimento interior a um dos pontos que estão contidos na fé, não tem mais fé, mesmo que seja um poço de ciência teológica! Por outro lado, uma pessoa que não acredita explicitamente em tudo, mas que está pronto para acreditar quando esse conhecimento se torna disponível para ele, tem fé.

Por fim, a quarta consequência, São Tiago nos diz que a fé sem obras é uma fé morta (Tg 2, 20). Portanto, para que a nossa fé seja viva, ela deve ser ativa “pela caridade” (Gl 5, 6). Devemos ousar confessar nossa fé pelos nossos lábios. Devemos ousar testemunhar isso por meio de nossas ações.

Falando da “morte de Deus”, o Cardeal Ratzinger fez esta reflexão: “O que poderia ter tornado Deus mais problemático em nosso mundo ateísta atual, senão o seu caráter desafiador da fé e do amor daqueles que nele acreditam?”. Testemunhar o amor de Deus também nutre nossa fé.

Padre Nicolas Buttet 

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