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Bem-aventurado Carlos Leisner

Presbítero e mártir (†1945)

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Entre 1939 e 1945, toda a humanidade passou por um grave tormento: a II Guerra Mundial. Milhões perderam suas vidas em nome de uma ideologia que buscava uma pretensa pureza de raça. Judeus, mas também ciganos, doentes mentais, homossexuais e prostitutas foram confinados nos temíveis campos de concentração. Também aqueles que contestaram abertamente o regime sofreram a mesma sorte. Muitos alemães, corajosamente se colocaram contra a insanidade desse sistema. Também na Igreja Católica, muitos padres, religiosos e bispos desafiaram o sistema. E por esse motivo testemunharam muitas vezes o Cristo sofredor na própria carne submetida às torturas do sistema nazista. A todos estes que perderam suas vidas, para ganhá-las na vida eterna, se coloca também o nome do Bem-aventurado Padre Carlos Leisner. Nascido em 1915 em Rees, nas margens do Reno, Carlos frequentou a escola e o ginásio na cidade de Kleve. Logou demonstrou dotes de rara inteligência, se sobressaindo nas avaliações de seus professores. Católico fervoroso, fazia parte da União da Juventude de Santa Cruz, tendo um papel importante na organização do grupo. Por volta do final de 1930 e início de 1931, Carlos tomou a decisão de ser padre. Em 1934, ao terminar os estudos equivalentes ao Ensino Médio, entrou no Colégio São Carlos Borromeu de Münster para começar seus estudos em Filosofia e Teologia. Com a ascensão de Hitler e dos grupos nazistas, e seu consequente sucesso entre os jovens, o bispo de Münster nomeia Carlos como dirigente da Jungschar, um movimento da juventude católica: uma manobra para manter os jovens firmes na fé e distantes do nazismo. A polícia secreta, começou a monitorar os passos do jovem seminarista. A certo momento, foi designado pelo regime a fazer um serviço obrigatório: foi fazer a extração da turfa nos pântanos. Por meses trabalhou sem parar, fazendo com que sua saúde se deteriorasse rapidamente. Em 1937 volta para Münster com a finalidade de terminar sues estudos e receber a ordenação presbiteral. Em 1938 recebe o diaconato e nesse mesmo ano recebe um diagnóstico terrível: está com tuberculose. Foi fazer tratamento e sua saúde se recobrava a cada dia, mas a polícia secreta foi até ele e o prendeu sob a acusação de ser contrário ao regime. No dia 9 de novembro de 1939 foi enviado para uma prisão em Friburgo. Em fevereiro do ano seguinte, foi transferido para Manheim. Nessa prisão foi enviado para a ala dos tuberculosos. Aí se dedicou ao tratamento dos doentes mais graves. Em março de 1940 foi transferido novamente para um campo de concentração de Sachsehausen: foi enviado para o bloco onde os padres contrários ao regime haviam sido presos. Galpões de madeira, sem aquecimento era a única coisa que separava os condenados do frio glacial da Alemanha. Por razões de vigilância, ne mas janelas dos galpões podiam ser fechadas. Nesse período, a mãe de Carlos escreveu uma carta pedindo a graça para o filho, mas sua súplica não foi aceita. Carlos foi então transferido para o tristemente famoso campo de Dachau. As condições desse campo de concentração eram ainda piores: num único ano cerca de 500 padres, que eram prisioneiros aí, perderam suas vidas. Apesar de todo o sofrimento, Carlos tentava manter alto o moral de seus companheiros. Sua doença, no entanto, começou a piorar. Em 1942 foi abandonado pelos guardas na ala de uma enfermaria destinada a acolher os tuberculosos em estado terminal: eram enviados aí na verdade, para morrer. Mesmo assim, Carlos conseguiu sobreviver por três anos duríssimos: agarrava-se à Sagrada Escritura e à Eucaristia que mantinha secretamente e usava para dar o viático aos moribundos. Em 1944 chega o bispo de Clermont-Ferrand em Dachau: também ele, se opondo ao sistema, foi feito prisioneiro. Foi a grande oportunidade de Carlos: conseguiu ser ordenado clandestinamente e pôde, às escondidas, celebrar sua primeira (e única) missa. Em 1945 os aliados conseguiram chegar na região e começaram a libertar os prisioneiros. Liberto, Padre Carlos foi enviado para um sanatório, já que suas condições físicas eram deploráveis. De fato, conseguiu ainda receber a visita de sua família, mas no dia 12 de agosto de 1945, em virtude dos maus tratos recebidos durante a prisão, sucumbiu à tuberculose. Morreu serenamente, na convicção de oferecer toda sua vida pela juventude alemã. São João Paulo II o proclamou Bem-aventurado no dia 23 de junho de 1996.

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