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Santo Apolônio

Filósofo e mártir († 185)

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Em 185, Apolônio foi martirizado em Roma, durante o império de Lúcio Aurélio Cômodo. Quatro fontes contêm as informações a seu respeito que chegaram até nós. Primeiramente, estão nas atas contidas na coleção dos atos dos antigos mártires, incorporadas à “História Eclesiástica” de Eusébio de Cesareia, bispo e historiador (265-340). Em seguida, em dois capítulos da obra de São Jerônimo, “De Viris Illustribus” e em duas edições da “passio”, uma em armênio e outra em grego, descobertas no século XIX. De acordo com essas fontes, Apolônio foi um ilustre cidadão romano, erudito em ciência e filosofia e também parece ser sido senador. Por ser cristão foi denunciado ao prefeito do Pretório, Perênio, e logo em seguida foi chamado a renunciar ao cargo. Segundo São Jerônimo, ele leu diante do Senado um “longo discurso que descrevia a fé em Cristo”. Tal discurso em vez de ser uma retratação, continha uma apologia ao cristianismo, ato contrário ao decreto imperial de Trajano, que o proibia e, portanto, Apolônio foi condenado à morte.
Os textos informam que foi submetido a dois interrogatórios, com três dias de intervalo, o primeiro presidido pelo próprio Perênio, o segundo por um colégio de senadores, conselheiros e juristas. A descrição das audiências surpreendente pelo tom sereno e pelo tratamento que lhe foi reservado, não só pela sua posição social. Ao contrário de outras “paixões”, que são claramente improváveis ou muito curtas, ele foi ouvido com atenção, eles o interrompiam apenas para opor-se aos seus argumentos, mas seriamente, ou para moderar a dureza de suas palavras e, portanto, sua punição.
Perênio era um juiz esclarecido e magnânimo, assim como Apolônio era um homem que tinha uma mente perspicaz e muito lúcida. Não aconteceu nesta circunstância a repetição preconceituosa dos cristãos, da recusa de sacrificar aos deuses, que era comum na hagiografia dos mártires. Apolônio amava a vida, mas não hesitou em escolher a morte, porque sem qualquer constrangimento, ele acreditava vivamente na doutrina da ressurreição e do juízo final.
Quanto à pena de morte sofrida, os textos discordam, pois na “passio” grega Apolônio morre após fraturar as pernas, enquanto a “passio” armênia registra que foi decapitado, sendo esta versão a ser relatada no “Martyrologium Romanum” que o celebra em 21 de abril.
Sua figura foi inserida tardiamente nos martirológios cristãos, visto que não foi objeto de uma comemoração precisa nos primeiros tempos. Na Idade Média, foi confundido com dois outros santos, Apolo de Alexandria e Apolônio mártir junto com São Valentino, que é celebrado em 18 de abril. Esta data vigorou muito tempo, mas a mais recente edição do “Martirológio Romano” a trouxe de volta para 21 de abril.

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