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São Miguel, São Gabriel e São Rafael

Arcanjos                                  

Jesus prays

Josef August Untersberger - own scan | Public Domain | Wikipedia

Um ensinamento do Papa Francisco.

“Um verdadeiro ato de confiança aos arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel, no dia da sua festa, para que nos ajudem na luta contra a sedução do demónio, nos tragam boas novas da salvação e nos conduzam pela mão a fim de que não erremos o caminho no percurso da vida, cooperando assim “com o desígnio de salvação de Deus”. “Na oração da coleta no início da missa rezamos assim: ‘Ó Deus que chames os anjos e os homens para cooperarem com o teu desígnio de salvação, concede a nós peregrinos sobre a terra a proteção dos espíritos bem-aventurados, que no céu estão diante de ti para te servir e contemplam a glória do teu rosto’”.

“Um aspecto que chama a atenção desde o início é que nós e os anjos temos a mesma vocação: cooperar com o desígnio de salvação de Deus; somos, por assim dizer; ‘irmãos’ na vocação”. Os anjos “estão diante do Senhor para o servir, louvar e inclusive para contemplar a glória do rosto do Senhor: os anjos são os grandes contemplativos, contemplam o Senhor; servem e contemplam. Mas também o Senhor os envia para nos acompanhar no caminho da vida”.

“Hoje festejamos três destes arcanjos — afirmou o Pontífice — porque desempenharam um papel importante na história da salvação. E festejamos estes três também porque desempenharam um papel importante no nosso caminho rumo à salvação”.

Começando por “Miguel — o grande Miguel — aquele que combate o demônio”, explicou o Papa referindo-se ao trecho do Apocalipse (12, 7-12) proposto pela liturgia e sublinhando: “Por fim, quando o dragão combatia contra Miguel, quando foi vencido, o texto diz o seguinte: ‘O grande Dragão, a primitiva serpente, chamado demónio e satanás, o sedutor do mundo inteiro foi precipitado na terra’”. O demônio é “o nosso inimigo” e esta, explicou o Pontífice, é “uma visão do fim do mundo, mas ao mesmo tempo incomoda, incomoda na nossa vida: procura sempre seduzir-nos, como seduziu a nossa mãe Eva, com argumentos convincentes: ‘Come o fruto, vai fazer-te bem, vai fazer-te conhecer muitas coisas’”. E assim “começa, como faz a serpente, a seduzir, a seduzir e depois, quando caímos, acusa-nos diante de Deus: ‘É um pecador, é meu!’”.

Portanto, frisou Francisco, “‘ele é meu’ é precisamente a palavra do demônio, vence-nos com a sedução e depois acusa-nos em frente de Deus: ‘É meu, levo-o comigo’”. E “Miguel combate contra ele, o Senhor pede-lhe para lhe fazer a guerra: para nós que estamos a caminho, nessa nossa terra, rumo ao céu, Miguel ajuda-nos a combatê-lo, a não nos deixar seduzir por este espírito maligno que nos engana com a sedução”. Precisamente “por esta razão hoje agradeçamos São Miguel esta luta que faz pela Igreja e por cada um de nós, e peçamos-lhe que continue a defender-nos”.

O segundo arcanjo, “Gabriel, é aquele que traz as boas novas, aquele que deu a notícia a Maria, a Zacarias, a José”, continuou Francisco. Portanto, Gabriel anuncia “as boas novas e a boa notícia da salvação”. Também ele “está conosco e ajuda-nos no caminho”. Sobretudo quando — e acontece muitas vezes — “com tantas notícias más ou numerosas notícias que não têm substância, nós esquecemos a boa nova, a do Evangelho de Deus, da salvação, que Jesus veio ter conosco, nos trouxe a salvação de Deus”. E é precisamente “Gabriel que nos recorda isto e, por esta razão, hoje peçamos a Gabriel que nos anuncie sempre a boa nova”. Gabriel, foi a oração de Francisco, “recorda-nos a boa nova de Deus, o que Deus fez”.

“E há também o terceiro arcanjo, Rafael, aquele que nos ajuda no caminho, que caminha conosco” disse o Pontífice. “Miguel — especificou — defende-nos, Gabriel dá-nos a boa notícia e Rafael conduz-nos pela mão e caminha conosco, ajuda-nos nos eventos que acontecem ao longo do caminho”. Devemos pedir a Rafael: “que, por favor, não sejamos seduzidos a dar o passo errado, errar o caminho; guia-nos pela boa estrada, pelo caminho bom. Tu és o companheiro do caminho, assim como foste o companheiro de viagem de Tobias”.

Os três arcanjos, prosseguiu Francisco, “estão diante de Deus, são os nossos companheiros porque têm a mesma vocação no mistério da salvação: levar em frente o mistério da salvação. Adoram a Deus, glorificam a Deus, servem a Deus”. E assim “hoje peçamos simplesmente aos três arcanjos Miguel, Gabriel, Rafael”, convidou o Papa sugerindo as palavras da oração: “Miguel, ajuda-nos na luta; cada um sabe qual luta tem na própria vida hoje, cada um de nós conhece a luta principal, a que faz arriscar a salvação. Ajuda-nos, Gabriel, traz-nos boas notícias, traz-nos boas novas da salvação, que Jesus está conosco, que Jesus nos salvou e dá-nos esperança. Rafael, leva-nos pela mão e ajuda-nos no caminho para que não erremos a estrada, para que não permaneçamos parados: caminhar sempre, mas ajudados por ti”.

Publicado originalmente in: L’Osservatore Romano, ed. em português, n. 40 de 5 de outubro de 2017

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