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São João de Brito

Sacerdote e mártir (†1693)

JEFFREY BRUNO

O pequeno português lisboeta João de Brito, frequentador da corte real portuguesa, com dez ou onze anos de idade estava acamado e com febre, foi diagnosticado como portador de tuberculose. Doença perigosa e, no século XVII, quase sempre fatal. Segundo os médicos, seu caso era desesperador, apenas um milagre o poderia salvar. Sua mãe, mulher profundamente religiosa, invocou a graça mediante a intercessão de são Francisco Xavier, o famoso santo missionário da Companhia de Jesus (Jesuítas). Seu pedido foi tão fervoroso, que ela fez a promessa de vestir o filho com o hábito da Companhia de Jesus por um ano, caso o milagre acontecesse. Poucos dias depois, João ficou de pé e deixou a cama. Sua mãe o fez cumprir a promessa e João, durante um ano, se apresentou vestido com um pequeno hábito negro. Após esse tempo, para grande surpresa de sua mãe, o menino pediu autorização para entrar na Companhia de Jesus. Durante os primeiros anos na Companhia, fica em Lisboa, na casa do noviciado dos jesuítas, em seguida vai para o sul de Portugal, para a cidade de Évora, a fim de prosseguir com seus estudos. Após alguns anos, adoece e é mandado para Coimbra. É nesse período que João começa a desejar partir para a missão na Ásia, a seguir os passos de seu santo protetor: são Francisco Xavier. Para sua surpresa, seu pedido de partir para as missões é aceito. Após terminar seus estudos e receber a ordenação, restava-lhe vencer uma última dificuldade: sua mãe. O fato é que sua mãe não havia ainda se recuperado da perda de seu filho mais velho, Cristóvão, morto numa guerra. Ao descobrir as intenções de seu filho João, ela procurou de todas as maneiras impedir-lhe a partida para o Oriente, mas não obteve sucesso. Desse modo, no ano de 1673, João partiu de Portugal com destino a Goa, na Índia. Chegando nessa terra longínqua foi visitar o túmulo de São Francisco Xavier e, na igreja mantida pelos jesuítas, ele repetiu seus votos de trabalhar pela conversão do gentio. Dedicou-se aí ao estudo das línguas locais e começou a trabalhar na difícil missão do Oriente. Os sofrimentos que teve durante sua missão foram grandes: certa vez, entrando numa região onde o cristianismo não havia ainda chegado, foi preso com alguns companheiros catequistas: por um mês foi frequentemente flagelado, estapeado e acorrentado; vez ou outra era obrigado a deitar-se sobre uma pedra com pontas, enquanto algumas pessoas pulavam sobre seu corpo. Apesar dos tormentos, conseguir ser levado à presença do rei e este, ao ouvi-lo, livrou-o das penas, reconhecendo no cristianismo uma religião com valores positivos. Após essa experiência, João recebeu de seu provincial a nomeação de procurador da missão, já que o antecessor havia perecido. Em função de seu ofício, foi convidado a voltar para Portugal e daí, para Roma, com a finalidade de fazer um relatório sobre a missão. Nessa viagem de retorno, chegou a fazer uma parada no Brasil. Após prestar contas da missão, em 1690 retorna para Goa, determinado a continuar na evangelização. Assim transcorrerá em seus trabalhos até o ano de 1693, quando consegue converter um dos membros da família da realeza local. Esse fato trouxe um problema político que iria lhe procurar o martírio: o príncipe, ao receber o batismo cristão, aceitou manter apenas uma esposa, deixando as demais em favor de sua nova fé. Na cultura local, os casamentos representavam alianças políticas entre reinos. Ao deixar suas demais esposas, João de Brito acabou criando um conflito político que levou à decisão de sua eliminação por parte da corte real. A consequência foi a perseguição dos cristãos e a prisão de João. Após várias torturas, João foi decapitado. O pedido para sua canonização ocorreu logo em seguida à notícia de sua morte, no entanto, os problemas que a Companhia de Jesus enfrentava – ela seria suprimida – fizeram com que houvesse um atraso no processo. De fato, são João de Brito foi beatificado pelo papa Pio XI em 1853 e sua canonização se deu com o papa Pio XII no dia 22 de junho de 1947.

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