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Bem-aventurada Anna Rosa Gattorno

Viúva, religiosa e fundadora (†1900)

Timothy Eberly | Unsplash

Nascida em Gênova no dia 14 de outubro de 1831, Anna Rosa provinha de uma família de posses e que havia se estabelecido na famosa cidade italiana. Seus pais eram pessoas muito piedosas e desde a mais tenra idade a formaram nos ideais da vida cristã. Transcorreu a vida com certa tranquilidade e, com a idade de 21 anos, casou-se com o primo Jerônimo Custo, transferindo-se em seguida para a cidade de Marselha. Um revés nos negócios, no entanto, obrigou o jovem casal a retornar para Gênova, marcado agora pela pobreza. Outros problemas sinalizariam a vida da família de Anna: sua filha primogênita desenvolveu uma doença que a deixou surda e muda por toda a vida; além disso, seis anos após ter se casado, Anna assistiu a morte de seu marido e, alguns meses depois, a morte do filho mais novo. Diante dessas tragédias pessoais, Anna experimentou o que ela mesma chamara de “a sua conversão”. Tendo por guia seu confessor, o padre Giuseppe Firpo, Anna emitiu os votos privados perpétuos de castidade e de obediência na festa da Imaculada Conceição do ano 1858; em seguida, emitiu também o voto de pobreza como terciária franciscana. Em 1862 observou ter recebido do Senhor o dom dos estigmas, que eram vividos por ela com maior intensidade todas as sextas-feiras; apesar desse dom extraordinário, Anna procurou diligentemente ocultá-lo. Além de cuidar sempre de seus filhos, ela começou a se dedicar a obras de caridade: “dediquei-me com maior fervor às obras piedosas e a visitar os hospitais e os pobres doentes em suas casas, socorrendo-os com esmolas quando eu podia e servindo-os em tudo”. Em momento algum Anna quis abrir mão de seu papel de mãe de família, no entanto as pressões para que ela fundasse um grupo religioso voltado à caridade eram grandes. Após um longo discernimento, Anna desejou ouvir do próprio papa a confirmação de sua vocação. Desse modo, numa audiência do dia 3 de janeiro de 1866, o papa Pio IX a encorajou a abraçar a causa e a fundar uma obra nova voltada à caridade. Assim nascia a congregação das “Filhas de Sant’Ana, mãe de Maria Imaculada”. O grupo prosperou tanto que, já no ano de 1878 as primeiras Filhas de Sant’Ana eram enviadas para a Bolívia, Brasil, Chile, Peru, Eritreia, França e Espanha. Anna viveu todo o resto de sua vida a serviço do Senhor, até que no ano 1900, contagiada por uma grave gripe, ela foi piorando pouco a pouco, até que no dia 6 de maio, após ter recebido os sacramentos, morreu santamente na casa geral. Considerando a época em que viveu, a Bem-aventurada Anna Rosa representou uma expressão singular dos desígnios de Deus. Por meio de sua tríplice experiência de esposa, mãe e viúva e, depois, de religiosa fundadora, ela mostrou o quanto as mulheres podiam contribuir na difusão de um autêntico e genuíno espírito cristão em meio à sociedade por meio de formas novas que superavam os velhos conceitos que até então haviam se vigorado na sociedade cristã da época.

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