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Bem-aventurada Maria Madalena Martinengo

Abadessa da Ordem das Clarissas Capuchinhas (†1737)

MIA Studio / Shutterstock

Margherita Martinengo nasceu em Brescia, Itália, no dia 4 de outubro de 1687. Pertencia a uma família de nobres. Seu pai, Conde Leopardo, era capitão da República Veneziana. Sua mãe, Margherita Secchi d’Aragona, devido a complicações após do parto, faleceu cinco meses depois e a criança havia nascido tão fraca que imediatamente a batizaram. Margherita acabou crescendo em ambiente sereno, com várias enfermeiras, mas, apesar dos tratamentos, estava sempre doente, sofrendo principalmente com problemas estomacais.

Aos cinco anos, escolheu a Virgem Maria como mãe e modelo.

Aos dez anos entrou como interna na casa das ursulinas de Santa Maria dos Anjos, mostrando predisposição para a leitura e a oração.

Aos treze anos, fez um voto secreto de virgindade. Três anos depois, surgiu a ideia de um bom casamento: Margherita disse ao pai que queria se tornar capuchinha, mas encontrou oposição firme. Meses de incerteza se seguiram. Fez um período de experiência entre as capuchinhas, depois uma viagem com o pai a Veneza. Em casa, ela passou uma noite inteira em oração, depois tomou a decisão final: as roupas elegantes de uma condessa deram lugar ao hábito áspero.

Entrou no mosteiro em 8 de setembro de 1705, antecedida por uma procissão de carruagens. Recebeu o nome de Maria Madalena.

A vida da comunidade, com cerca de trinta freiras, foi marcada pela oração, cinco horas durante o dia e três à noite, e pelo trabalho. O relacionamento com a mestra de noviças foi tempestuoso, mas irmã Maria Madalena sofreu em silêncio. Por nada no mundo, mesmo que suas origens fossem nobres, ela queria de se destacar. As noviças realizavam os trabalhos mais simples: cultivar a horta, cuidar dos animais, cozinhar e varrer o chão. Ela nunca havia feito nada daquilo antes de ingressar no mosteiro e, no entanto, estava entre as que mais trabalhavam. Algumas horas da noite, em vez de descansar, ela dedicava-se à oração, “espelho no qual Deus se dirige”. Sua união com o Altíssimo era intensa. Adorava o silêncio, mas com seu caráter jovial não deixava de animar suas irmãs com composições poéticas. Certo dia, as doenças que a acompanharão por toda a vida começaram.

Fez sua profissão com um “intenso e contínuo amor ardente por Deus, que abrange todos os defeitos, todas as imperfeições, todas as tensões de culpa”. A humilde freira também iniciou um magistério por correspondência direta com parentes e religiosos de outros mosteiros. Cristo “parecia mudar meu coração, dando-me Jesus seu coração divino, verdadeira fornalha do amor eterno”.

Aos trinta e seis anos, foi nomeada mestra de noviças, uma tarefa importante e delicada. Às noviças mandava ler e reler a Regra, as Constituições, o Legendário franciscano e os Anais dos irmãos menores capuchinhos. Pedia a união de todos os corações, para amarem a Deus: “Amá-lo com um só coração é pouquíssimo, é pouquíssimo!” Sua conduta despertou ciúmes e algumas freiras ficaram “contra” ela: Deus a colocou à prova.

Em 1732 foi eleita abadessa. Temendo que o voto de pobreza não fosse respeitado o suficiente, enviou algumas vestes da igreja aos capuchinhos de Veneza. Não faltaram tentações: “vivo como uma criatura exilada do céu e da terra, tão árida e desolada, sem sentimento de Deus”.

Em 18 de julho de 1734, teve a primeira crise de hemoptise. Seu corpo, já experimentado por muitas penitências, decaiu rapidamente.

Já doente, foi reeleita abadessa, e 15 dias mais tarde faleceu, a 27 de julho de 1736, aos quarenta e nove anos, e trinta e dois de vida religiosa. Em 1738, foi revelado ao público o relatório de um médico que lhe tinha examinado o cadáver. “É admirável”, escrevia ele, “que as agulhas enfiadas em seu corpo não tenham dado nem inflamação, nem úlceras nem gangrena”.

Foi beatificada por Leão XIII, na Praça de São Pedro, em 18 de abril de 1900.

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