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Bem-aventurado Carlos Espínola

Jesuíta e mártir (†1622)

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Santo do dia

De origem nobre, Carlos Espínola nasceu em 1564; não se sabe ao certo a localidade onde nasceu: talvez em Gênova, a cidade da família, ou então, em Praga, onde seu pai, Otávio, estava a serviço de Rodolfo II de Habsburgo. Aos 20 anos de idade sentiu o desejo de entrar na Companhia de Jesus, por isso acaba ingressando nas fileiras dos padres jesuítas. Começa seu noviciado, primeiro em Nápoles, e depois em Lecce; ao longo de sua formação teve como companheiro de estudos São Luiz Gonzaga. Em 1594 será ordenado presbítero na cidade de Milão. Dois anos depois, apesar da consternação da família, obtém a permissão de partir para a missão do Japão. A viagem, como era de se esperar, foi muito atribulada: uma tempestade fez com que os navios se desviassem da rota e chegassem até a costa do Brasil; em seguida, ao retomarem a viagem, o navio onde Carlos estava foi interceptado por ingleses, que acabaram por aprisioná-lo, levando-o até a Inglaterra. Após algumas tratativas, finalmente conseguiu a liberdade se dirigindo até a cidade de Lisboa na expectativa de retomar seu itinerário. Após algum tempo, finalmente conseguirá partir da capital lusa para o tão sonhado Japão. A viagem foi longa e sofrida: Carlos ficou marcado pela doença e pelo cansaço, mas apesar de tudo chega em Nagasaki no ano de 1602. Logo restabelecido, dedica-se a aprender a língua local e começa um intenso apostolado junto aos japoneses. Em 1611, foi nomeado como vigário do Padre Provincial Valentino Carvalho e, em 1614, por ocasião do início da perseguição contra os cristãos, Padre Carlos – que desobedeceu ao decreto de expulsão emanado pelas autoridades japonesas – teve que viver escondido e na clandestinidade, confessando, celebrando a missa e atendendo espiritualmente uma multidão de cristãos japoneses. Infelizmente, no dia 14 de dezembro de 1618, mediante uma denúncia, Padre Carlos e outros cristãos são aprisionados pelas autoridades japonesas. Por quatro longos anos ele ficará na prisão sob condições subumanas. Seu cárcere ficava no alto de uma montanha e estava exposto aos ventos gélidos: Padre Carlos tinha apenas a roupa do corpo para suportar o frio das noites e do inverno. Sua ração se resumia a uma pequena porção de arroz e duas sardinhas; era o suficiente para mantê-lo vivo, mas com fome constante. Para piorar a situação, a higiene do local era inexistente: os prisioneiros eram obrigados a fazer suas necessidades na cela e não podiam se lavar. Apesar de estar constantemente doente, Padre Carlos procurava confortar da melhor maneira possível seus companheiros. Assim, após o período de duro cárcere, chegou a ordem da execução: Padre Carlos foi amarrado a um poste e foi queimado vivo em fogo lento junto com outros companheiros. Por estar com a saúde demasiadamente debilitada, foi o primeiro a morrer. Antes de sua morte, conseguiu entoar um canto de louvor e afirmar aos presentes que morria pelo seu amor em anunciar o Evangelho. Suas cinzas, assim como as dos outros companheiros, foram jogadas ao mar. Em 1867 foi beatificado pelo Papa Pio IX.

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