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São Jerônimo

Confessor e Doutor da Igreja (†420)    

ROSARY

RHJPhtotos | Shutterstock

Eusébio Sofrônio Jerônimo nasceu em Estridão (na atual Croácia) por volta de 347, mas só foi batizado entre 360 e 366, quando viajou para Roma. Em Roma, Jerônimo estudou com o gramático Élio Donato, aprendeu latim e um pouco de grego. 

Depois de muitos anos na capital imperial, ele viajou com Bonoso para Augusta dos Tréveros (moderna Tréveris, na Alemanha), lugar em que possivelmente tenha se dedicado pela primeira vez a estudos teológicos. Durante os quatro anos que lá permaneceu, copiou para seu amigo Tirânio Rufino o comentário de Santo Hilário de Poitiers sobre os “Salmos” (“Tractatus super Psalmos”). Traduziu também suas duas mais importantes contribuições para a teologia dogmática: o “De synodis” ou “De fide Orientalium” (Sobre os Concílios, ou a Fé dos orientais), uma epístola endereçada em 358 aos bispos semi-arianos na Gália, na Germânia e na Britânia, analisando os pontos de vista dos bispos orientais durante a controvérsia ariana. Depois disso, Jerônimo viveu vários meses ou, possivelmente, anos, com Rufino em Aquileia, onde fez muitos amigos cristãos.

Alguns deles o acompanharam quando ele partiu, por volta de 373, em viagem. Em Antioquia, onde ficou por mais tempo, dois de seus companheiros morreram e ele próprio ficou seriamente doente mais de uma vez. Durante uma destas enfermidades (perto do inverno de 373-374), Jerônimo teve uma visão que o levou a abandonar seus estudos seculares para dedicar-se completamente a Deus. Parece que trocou o tempo que dispendia no estudo dos clássicos para estudar a Bíblia, dirigido por Apolinário de Laodiceia, que na época ensinava em Antioquia e ainda não dava sinais de sua futura condenação por heresia (apolinarismo).

Tomado por um súbito desejo de viver em penitência ascética, Jerônimo passou um tempo no deserto de Cálcis, no sudoeste de Antioquia, uma região conhecida como “Tebaida Síria”, onde moravam numerosos eremitas. Durante esse período, ele parece ter encontrado tempo para estudar e escrever. Lá também se dedicou a aprender pela primeira vez o hebraico, sob a tutela de um judeu convertido e é possível que ele tenha mantido correspondência com os judeu-cristãos de Antioquia. Por volta dessa época, Jerônimo entrou em contato com uma cópia de um “Evangelho Hebreu”, do qual fragmentos foram preservados em suas notas e que é hoje conhecido como “Evangelho dos Hebreus”, considerado o verdadeiro Evangelho de Mateus pelos nazarenos. Depois disso, ele próprio traduziu partes da obra para o grego.

De volta a Antioquia em 378/379, foi ordenado bispo por Paulino de Antioquia, aparentemente contra sua vontade e sob a condição de poder continuar sua vida asceta. Logo depois, viajou para Constantinopla para continuar seus estudos sobre as Escrituras com Gregório Nazianzo. 

Passou por volta de dois anos em Constantinopla e voltou para Roma, onde permaneceu os três anos seguintes (382-385) na corte do papa Dâmaso I e na liderança cristã da cidade. Recebeu diversos encargos em Roma e realizou uma revisão da Bíblia Latina (Vetus Latina) baseando-se em manuscritos gregos do Novo Testamento. Atualizou também o saltério contendo o “Livro dos Salmos”, que era na época utilizado em Roma, baseando-se na Septuaginta grega. Embora não tenha ficado claro para ele na ocasião, a tradução de muito do que depois se tornaria a Vulgata latina demoraria ainda muitos anos e haveria de se tornar seu mais importante legado.

Em agosto de 385, Jerônimo saiu definitivamente de Roma e voltou para Antioquia com seu irmão Pauliniano, diversos amigos e algumas mulheres. O grupo, acompanhado do bispo Paulino de Antioquia, peregrinou por Jerusalém, Belém e os lugares santos da Galileia antes de seguir para o Egito, onde viviam os heróis da vida asceta, os monges do deserto.

Na Escola Catequética de Alexandria, Jerônimo ouviu Dídimo, o Cego, ensinar sobre o profeta Oseias e contar o que se lembrava de Santo Antão, que morrera trinta anos antes. Depois, passou algum tempo na Nítria admirando a disciplinada vida comunitária dos numerosos habitantes da “cidade do Senhor”, percebendo que, mesmo ali havia “serpentes escondidas”, ou seja, a influência do polêmico teólogo alexandrino Orígenes. 

No final do verão de 388, voltou para a Terra Santa e passou o resto de sua vida numa cela eremítica perto de Belém rodeado por uns poucos amigos, homens e mulheres (incluindo Santa Paula e Santa Eustóquio), a quem ele atendia como sacerdote e professor. Na terra santa Jerônimo levou uma vida de incessante produção literária. A estes últimos trinta e quatro anos de sua carreira pertencem suas mais importantes obras; sua versão do Antigo Testamento traduzida do original hebraico, o melhor de seus comentários sobre as Escrituras, seu catálogo de autores cristãos (De Viris Illustribus) e o seu diálogo contra os pelagianos, de perfeição reconhecida até pelos seus adversários. 

Em 416, como consequência de suas obras contra o pelagianismo, partidários inflamados dessa crença invadiram os edifícios monásticos perto de onde vivia, atearam-lhes fogo, atacaram os moradores e mataram um diácono, forçando Jerônimo a se refugiar numa fortaleza das imediações.

Jerônimo faleceu perto de Belém em 30 de setembro de 420, aos 80 anos. Diz-se que seus restos, originalmente enterrados em Belém, foram trasladados para a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, embora outros locais no ocidente também reivindiquem a posse de alguma relíquia relacionada ao santo.

A Igreja Católica reconheceu sempre São Jerônimo como um homem eleito por Deus para explicar e fazer entender melhor a Bíblia. Por isso, foi nomeado patrono de todos os que no mundo se dedicam a fazer entender e amar mais as Sagradas Escrituras.

O Papa Bento XVI, em sua audiência geral de 7 de novembro do 2007 disse: “Concluo com uma palavra de São Jerônimo a São Paulino de Nola. Nela o grande exegeta expressa precisamente esta realidade, isto é, que na Palavra de Deus recebemos a eternidade, a vida eterna. Diz São Jerônimo: ‘Procuremos aprender na terra aquelas verdades cuja consistência persistirá também no céu’ ”.

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