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Santa Cecília

Mártir  (†180)       

Vida de oração

megaflopp | Shutterstock

Cecília era da “nobre família dos Metelos, filha de senador romano”. Desde a infância a menina foi muito religiosa e, por decisão própria, fez voto secreto de virgindade. Os pais, acreditando que ela mudaria de ideia, deram-na em casamento, contra a vontade, a um jovem chamado Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus, para não romper com seu voto. Após as núpcias, Cecília contou ao marido que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse ainda que para isso estava sob a guarda de um anjo. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu cooperar, mas para isso queria ver esse anjo. Ela o aconselhou a visitar o Papa Urbano que, devido à perseguição, estava refugiado nas catacumbas. O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e no final se converteram e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar à casa, viu Cecília rezando e ao seu lado o anjo de guarda.

Turcius Almachius, prefeito de Roma, teve conhecimento da conversão dos dois irmãos, promovida por Cecília. Citou-os perante o tribunal e exigiu peremptoriamente que abandonassem, sob pena de morte, a religião que tinham abraçado. Os três foram presos, ela em sua casa, e os dois quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, se recusaram a renegar a fé e foram decapitados. O prefeito, de novo, falou com ela em consideração à família ilustre à qual pertencia e exigiu que abandonasse a religião, ameaçando-a de morte. Cecília negou-se e, no próprio balneário de seu palacete, foi colocada para morrer asfixiada pelos vapores, mas saiu ilesa. Tentou-se, então, a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou estendida no chão três dias, durante os quais animou os cristãos, que foram vê-la, a não renegarem a fé. Ao Papa entregara todos os bens, com o pedido de distribuí-los entre os pobres. Os soldados pagãos que presenciaram tudo isso se converteram.

Seu corpo foi enterrado na Catacumba de São Calisto. As diversas invasões dos godos e lombardos fizeram com que os Papas resolvessem fazer a transladação de muitas relíquias de santos para as igrejas de Roma. O corpo de Santa Cecília ficou muito tempo escondido, sem que se soubesse sua localização. No entanto, no terreno de seu antigo palácio foi construída a igreja de Santa Cecília, onde se celebrava sua memória no dia 22 de novembro, já a partir do século VI.

Entre os anos 817 e 824, o Papa Pascoal I teve uma visão de Santa Cecília e seu túmulo foi encontrado. O corpo foi encontrado incorrupto e na mesma posição em que havia sido enterrado. Ao lado da Santa foram encontrados os corpos de Valeriano, Tibúrcio e Máximo. O ataúde de Santa Cecília foi fechado e colocado numa urna de mármore sob o altar da igreja a ela dedicada. 

Outros séculos se passaram. Em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou nova abertura do esquife e o corpo foi encontrado ainda na mesma posição descrita pelo Papa Pascoal I. O escultor Stefano Maderno que assim o viu, reproduziu a sua imagem em finíssimo mármore, em tamanho natural.

A devoção à sua santidade avançou pelos séculos sempre acompanhada de incontáveis milagres. Santa Cecília é uma das santas mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado na Oração Eucarística I da missa e, desde o século XV, é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.

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