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São Delfim de Bordéus

Bispo († c. 404)

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Sabe-se que ele existiu e foi importante através da Crônica de Sulpício Severo, de cinco cartas de São Paulino de Nola e de uma nota de Santo Ambrósio de Milão. É possível encontrar registros da existência de Delfim no Epitoma Chronicon, de Próspero de Aquitânia.

Depois de Orientale, Delfino é o primeiro bispo de Bordéus de comprovada existência. Em 380, participou do Concílio de Saragoça, reunido para cuidar de Prisciliano e seus discípulos. O início de seu episcopado foi, na realidade, conturbado pelas controvérsias priscilianas. A heresia encontrou ecos em Bordéus e em toda a Aquitânia, graças à proteção de uma mulher poderosa, Eucrózia, e sua filha, Prócula. Na época, as paixões religiosas parecem ter sido muito acaloradas naquela cidade, quando da passagem de Prisciliano, (um bispo herege hispânico da cidade de Ávila) e seus discípulos Instanzio e Salviano, uma vez que provocaram tumultos sangrentos.

O bispo Delfim teve de presidir, em Bordéus, um Concílio (384), diante o qual os líderes do movimento priscilianista e seus acusadores foram convidados a se apresentar e onde muitos autos foram lidos diante dos bispos. Instanzio, prelado amigo do inovador, foi deposto pelo episcopado. Prisciliano, sem dúvida, teria a mesma sorte se não tivesse apelado à corte do imperador Máximo de Tréveris. Delfim parece ter gozado de considerável prestígio em sua época, superando os limites de sua diocese. Era amigo íntimo do antigo bispo Febadio de Hagen e mantinha uma correspondência regular com Ambrósio de Milão. Sob seu episcopado, a cristianização da diocese de Bordéus parece ter feito progressos importantes, pois desde o ano 400 as inscrições e monumentos quase todos carregam fórmulas e símbolos cristãos.

Batizou Paulino, o futuro bispo de Nola, um pouco antes de 389, inspirando seu amor pelo ascetismo. Quando deixou Bordéus, Paulino, que considerava o bispo um pai espiritual, mantinha correspondência regular com ele. Ainda hoje nos restam cinco cartas endereçadas por Paulino a Delfim, escritas entre 393 e 401. Sabe-se que houve outras cartas, mas estas foram perdidas. Infelizmente, não faltam apenas estas cartas, mas também suas obras: nenhuma delas chegou até nós.

Esses versículos também atestam o prestígio desfrutado pelo bispo de Bordéus.

Parece que Delfim faleceu entre 401 e 403 e foi substituído por um de seus padres, Amando, também intimamente ligado a Paulino de Nola. Não há menção a Delfim nos martirológicos antigos. Na diocese de Bordéus, ele é homenageado no dia 30 de dezembro.

Em 404, Delfim era tido como um dos santos protetores, como provam os seguintes versos de São Paulino de Nola: “Ambrosius Latio, Vincentius exstat Hiberis / Gaul Martinum, Delphinum Aquitania sumpsit”.

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