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Bem-aventurados André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e companheiros

Protomártires do Brasil (†1645)

Public Domain

No contexto das invasões holandesas no Brasil, e das guerras de religião entre os cristãos reformados e católicos, no ano de 1645 houve dois grandes massacres no Rio Grande do Norte. Realizados nas localidades de Cunhaú e Uruaçu, 30 membros da comunidade católica perderam suas vidas em ódio à fé. Os massacres, perpetrados por Jacob Rabbi, um mercenário alemão a serviço dos holandeses, ocorreram com requintes de crueldade. Em Cunhaú, no domingo, enquanto os fiéis celebravam a missa junto com seu pároco, o Pe. André de Soveral, Rabbi entrou na igreja acompanhado por sua tropa, composta por índios de várias etnias. Ao fecharem as portas da igreja – era o momento em que o padre elevava a hóstia consagrada e os fiéis estavam ajoelhados – começaram os assassinatos. Os fiéis, percebendo que não haveria possibilidade de fuga, não reagiram; ao contrário se ofereceram como vítimas. O padre André, um ancião octogenário, exortava seus fiéis a bem morrer. Ele mesmo tombaria vítima de um golpe de adaga desferido enquanto ainda estava no presbitério da igreja. Três meses após esse massacre, a tropa de Jacob Rabbi avançou e, na localidade de Uruaçu, no dia 3 de outubro de 1645, cometeu outro massacre em ódio à fé da comunidade católica: da mesma forma como haviam feito em Cunhaú, passaram a matar os fiéis com requintes de crueldade. O padre Ambrósio Francisco Ferro foi duramente torturado. Outro leigo, Mateus Moreira, ao morrer (seu coração fora arrancado pelas costas!) teria exclamado sua última profissão de fé: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”. No dia 5 de março de 2000, o papa São João Paulo II declarou um grupo de 30 mártires como bem-aventurados. Nessa ocasião, o papa disse:

São estes os sentimentos que invadem nossos corações, ao evocar a significativa lembrança da celebração dos quinhentos anos da evangelização no Brasil, que acontece este ano. Naquele imenso País, não foram poucas as dificuldades de implantação do Evangelho. A presença da igreja foi se afirmando lentamente mediante a ação missionária de várias ordens e congregações religiosas e de sacerdotes do clero diocesano. Os mártires, que hoje são beatificados, saíram, no fim do século XVII, das comunidades de Cunhaú e Uruaçu, do Rio Grande do Norte. André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro – presbíteros e 28 companheiros leigos pertencem a esta geração de mártires que regou o solo pátrio, tornando-o fértil para a geração de novos cristãos. Eles são as primícias do trabalho missionário, os protomártires do Brasil. Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: Louvado seja o Santíssimo Sacramento

No dia 15 de outubro de 2017, o papa Francisco canonizará esse grupo, que é considerado como “os primeiros mártires do Brasil”. Eles, comunidades católicas inteiras, em meio às angústias das torturas e da violência, testemunharam o Cristo nesta Terra da Santa Cruz. Que seu exemplo possa continuar a nos inspirar.

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