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“Tudo aquilo que vocês pedirem ao Pai, Ele vos dará” É verdade, mas…

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Quantas vezes após a oração nós ficamos decepcionados porque nada aconteceu como nós pedimos ao Senhor! E se não foi Deus que não nos escutou, mas nós que não compreendemos o real significado da oração de súplica?

A oração de súplica levanta muitas questões e muitas vezes ela é mal compreendida. É engraçado ver a avó que reza para o neto passar de ano mesmo quando ele passou o ano inteiro sem fazer o seu dever de casa. É desconcertante ver alguém rezando para ganhar na loteria. Esses exemplos nos mostram que muitas vezes nós agimos como se estivéssemos num mundo mágico, coisa que nada tem a ver com o Evangelho. Precisamos nos lembrar que Deus não é um caixa automático. Não é o seu papel nos compensar pela nossa preguiça ou nossa falta de esforço. Ele não virá em socorro de nossos caprichos ou paixões. Isso seria como uma inversão pagã do Pai Nosso: “Que seja feita a nossa vontade, que venha o nosso Reino, que sejamos nós o próprio Deus”. Às vezes, os nossos pedidos podem ser bem ambíguos. Devemos parar de fazê-los então? Claro que não!

“Vosso Pai que está nos céus conhece todas as suas necessidades”

A Bíblia é cheia de pedidos e súplicas. É a exortação de São Paulo: “Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens” (1 Tim 2,1). O próprio Jesus teve as suas intenções de oração: para que a fé de Simão Pedro não diminuísse, para que Lázaro ressuscitasse, para que os discípulos se mantivessem em unidade e protegidos do mal. Pelas parábolas e palavras de encorajamento, Cristo ensina que é preciso rezar sem se cansar. “Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará.” (Jo 16, 23). Se os pais da terra são capazes de dar coisas boas aos seus filhos, por uma razão ainda maior o Pai do céu dará coisas boas àqueles que rogam pela sua ajuda, e dará ainda a mais preciosa de todas, o Espírito Santo. Mas o Espírito não exclui o resto.

Será que Deus se importa com os detalhes das nossas vidas e com os nossos problemas? Você pode responder sim sem hesitar! Porque Ele é um Pai, não um personagem abstrato. Será que ele age à nível tão prático assim? Sim, podemos afirmar. Mas como ele age? Raramente através dos milagres, que quer dizer uma intervenção direta, embora possa acontecer! Geralmente sua força se manifesta no nosso interior, através da força e docilidade do seu Espírito Santo, a causa segunda, em particular agindo junto a nossa liberdade. Mas frequentemente também permitindo felizes encontros e coincidências surpreendentes que os pagãos atribuem à sorte ou ao acaso, mas onde nós reconhecemos a Providência divina. Mas poderíamos nos perguntar, por que pedir?

Será que a oração seria apenas uma informação, para atualizar Deus sobre as nossas necessidades? Não, “porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós o peçais.” (Mt 6,8). A oração seria então uma espécie de pressão exercida sobre Deus, para arrebatar uma graça dele? Também não!

Na oração de súplica, não é Deus que muda, somos nós. É por isso que precisamos perseverar. Não é Deus que é surdo, é a nossa oração que não é ainda suficientemente profunda, pura, forte, humilde. A súplica ou pedido abre o nosso coração, abre verdadeiramente em nós e no mundo uma passagem para a graça. Deus poderia fazer tudo sozinho, mas ele prefere contar com a nossa ajuda. Ele quer agir através de nós e particularmente através da nossa oração.

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