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Redação da Aleteia

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1. DOM E GRAÇA, não mero esforço pessoal

Os antigos estóicos se esforçavam para dominar suas paixões, permanecer insensíveis ao sofrimento e encontrar harmonia interior. Assim eles seriam iguais aos deuses, conquistando a serenidade plena. A Nova Era propõe o mesmo hoje, convidando a desenvolver todas as nossas potencialidades internas, já que dentro de nós estaria o segredo da existência, a solução para todos os problemas. Para isso, a Nova Era apresenta uma grande diversidade de técnicas.

Diante disso, Santo Agostinho deixa claro que a salvação é um dom de Deus, e não fruto do esforço humano. Sua experiência de conversão foi ação da graça de Deus. Depois de uma intensa busca pela verdade, ele escreveu: "Fizeste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Ti".
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2. A HUMILDADE DA FÉ, não a soberba do conhecimento

Em uma fase de sua vida, Santo Agostinho experimentou a arrogância de acreditar que possuía uma verdade que o tornava superior aos outros homens. A Nova Era tem muito sentimento elitista, que exerce uma grande atração sobre muitas pessoas que se sentem depositárias de um conhecimento exclusivo, reservado aos iniciados e eleitos.

Diante disso, Santo Agostinho enfatiza a humildade da fé, a confiança em um Deus que é maior que o conhecimento humano. Uma fé que pode atingir a todos e que não se limita a alguns privilegiados. A humildade é uma característica fundamental da espiritualidade cristã, que tem em seu centro um Deus que se humilhou, como aponta Agostinho, que coloca essas palavras nos lábios do Senhor: "Eu desço a ti porque tu não podes subir a mim".
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3. O DEUS PESSOAL, mas diferente de nós

Os defensores da Nova Era usam erroneamente os grandes místicos e santos cristãos para justificar sua própria doutrina, que no fundo supõe a imanência de Deus, caindo em uma posição panteísta: tudo é Deus, ou melhor, tudo é divino. E assim eles interpretam fora de contexto esta frase de Santo Agostinho: "Não saia, volte para si mesmo; a verdade mora no interior do homem".

Mas há algo fundamental em Agostinho: a distinção radical entre Deus e nós, entre o Criador e a criatura. Na introspecção, na meditação, na contemplação, não nos descobrimos como divinos, mas encontramos Deus dentro de nós como Alguém diferente. E neste sentido falamos de "divinização". Assim diz o bispo de Hipona:

"Nós, por sua graça, fomos feitos o que não éramos, isto é, filhos de Deus; Nós éramos certamente algo, mas muito menos, isto é, filhos de homens. Ele desceu, então, para que nós pudéssemos ascender". Assim, ele deixa claro que "Um é o Filho de Deus e com o único Pai Deus. Os outros são divinizados pela graça, mas não nascem da Sua substância".
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4. JESUS CRISTO, Deus encarnado

A Nova Era fala de Cristo. Ou melhor, da "consciência crística" ou da energia de Cristo. É necessário esclarecer que por trás dessa ambiguidade terminológica calculada esconde-se uma ideologia muito distante da fé cristã. Para a Nova Era, o "Cristo" seria um grande mestre, um sábio, um ser divino que teria encarnado em Jesus de Nazaré e em outros seres humanos ao longo da história, e que agora vai voltar como Maitreya, o Messias da Nova Era. Portanto, o importante para eles é o "Cristo" espiritual.

Santo Agostinho teve que lutar contra a doutrina dos maniqueus, muito semelhante. Para eles, Cristo era um ser celestial enviado ao mundo para ensinar às almas o retorno à sua origem divina; e sua crucificação teria um significado meramente simbólico. Agostinho responde sublinhando a humanidade de Cristo, a verdade da encarnação e, portanto, a realidade da Paixão e Morte de Jesus, não era um evento simbólico, mas um fato histórico.
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5. O COMBATE ESPIRITUAL, não a harmonia mágica

A Nova Era, em suas muitas técnicas e práticas, busca a harmonia integral do ser humano, a paz interior, a iluminação, a ascensão no nível de consciência ou "vibração", a unificação da pessoa. E tudo que é negativo, tudo que supõe sofrimento, tudo obscuro, deve ser deixado de lado, com uma atitude quase mágica que se cristalizou na popular "lei da atração", segundo a qual as pessoas atraem o que pensam, e seria suficiente banir de nós os pensamentos negativos que o mal iria para longe da nossa vida.

No entanto, Santo Agostinho entende a existência cristã como uma "luta interior", uma luta contra as forças do mal, que perseguem o homem dentro e fora: "nosso coração é um campo contínuo de batalhas. Um único homem luta contra uma multidão dentro dele". Nesse sentido, ele afirma que é preciso imitar Cristo se quisermos vencer o mundo.
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6. LIBERDADE, nada de eneagramas

Na Nova Era cai com muita frequência no determinismo. Toda postura mágica ou esotérica acaba sendo determinista. Pense, por exemplo, no eneagrama e sua distribuição de seres humanos em nove tipos de personalidade com suas características, valores e deficiências correspondentes, possibilidades de relacionamento e desenvolvimento etc. O mesmo acontece em tantas propostas que predestinam o ser humano ou o tratam, ao final, como uma marionete nas mãos do universo, de uma inteligência divina, das estrelas.

Diante do determinismo e do fatalismo, Santo Agostinho fala do "espírito de liberdade" do cristão. E ele não entende isso como uma simples ausência de condicionamento, mas como uma liberdade de alcançar o fim próprio do homem, que não é outro senão Deus, o bem supremo. Assim, haveria dois níveis de liberdade: um mínimo (livre arbítrio ou capacidade de escolha) e outro máximo (a possibilidade de escolher a plenitude da vida). E no fundo, para sermos realmente livres, feridos como somos pelo orgulho e pelo pecado, precisamos ser libertados por Jesus Cristo.
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7. RESSURREIÇÃO, nada de reencarnação

Se há algo fundamental na Nova Era – e em qualquer doutrina comum a todas estas correntes esotéricas –, é a ideia de reencarnação das almas, que se espalha como erva daninha no Ocidente. Tudo é passível de revisão, nada é permanente, porque em uma concepção cíclica da vida e da história, a morte não é mais do que uma das muitas possibilidades de existência.

Dessas ideias o bispo de Hipona já sabia, e escreveu: "em nenhum outro artigo, a fé cristã é tão rejeitada como no da ressurreição da carne". "Nossa esperança é na ressurreição dos mortos, nossa fé é na ressurreição dos mortos", diz Santo Agostinho, que também diz claramente: "Cristo morreu uma só vez pelos nossos pecados; ressuscitado dos mortos, Ele não morre mais, e a morte não tem domínio sobre Ele. Nós também, depois da ressurreição, sempre estaremos com o Senhor".
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8. IGREJA, nada de espiritualismo individual

A popularidade da Nova Era deve-se, entre outras coisas, a uma concepção de espiritualidade que foge de qualquer pertencimento institucional. Na pseudo-filosofia da Nova Era, fala-se do signo astrológico de Aquário como a superação de Peixes, que passaria de uma preponderância do cristianismo para superar as divisões religiosas, manifestando o divino e espiritual que seria comum a todos os seres humanos. O protagonista seria meramente individual, e é rejeitada a pertença a uma comunidade normativa. Alguém até poderia ser cristão, por exemplo, mas sem pertencer à Igreja, sem estar sujeito a um grupo humano, muito menos se for dogmático e hierárquico.

Mas para Santo Agostinho, a espiritualidade cristã é profundamente eclesial. Não é um simples sentimento de pertencer a uma comunidade espiritual, nem algo puramente interior. A Igreja é uma mediação necessária da ação de Cristo, e é por isso que o Bispo de Hipona exorta: "ame a Igreja, que te gerou para a vida eterna".
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9. ORAÇÃO, não mera meditação

Na Nova Era, a oração é nada mais que introspecção, diálogo consigo mesmo, descoberta da própria divindade interna, contemplação do "eu divino". "Não há ninguém para contemplar... você se torna Deus", diria o popular Osho. A meditação fecha o ser humano em si mesmo, porque não há alteridade e, portanto, não pode haver encontro ou diálogo com o Outro divino.

Santo Agostinho, pelo contrário, insiste que a oração é um diálogo com quem vive em nós, mas é diferente de nós. Isto é, que em oração não estamos falando conosco: "fale a nós Deus em suas lições, e falemos a Deus com nossas orações. Se escutarmos com submissão a quem nos fala, em nós vive aquele a quem nossa oração é dirigida". Em muitos momentos, ele retorna à mesma ideia, como quando diz: "sua oração é a sua conversa com Deus".
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10. CARIDADE verdadeira, não "boas vibrações"

A espiritualidade da Nova Era é profundamente individualista. É verdade que muitas de suas propostas buscam fazer o bem aos outros. Mas no final o que se busca é a própria ascensão no nível de consciência, sentindo-se bem.

Santo Agostinho sabe claramente: "meu amor é meu peso; por ele sou levado para onde quer que eu seja levado". O amor, que é um dom de Deus, é, em primeiro lugar, amor a Deus. E somente desta maneira pode realmente ser amor pelos outros. Quando Santo Agostinho explica o duplo mandamento de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, ele escreve: "dois são os preceitos e uma a caridade. Não ama o próximo senão a caridade que ama a Deus. E com a caridade com que se ama o próximo, também se ama a Deus".