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Nesta semana completaram-se 10 anos da morte de Zilda Arns no Haiti

Dra. Zilda Arns
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A médica, pediatra e sanitarista católica, fundadora da Pastoral da Criança, esteve entre as 200.000 vítimas do terremoto que devastou o país

A Igreja Católica é reconhecida, inclusive por boa parte dos seus detratores, como uma das instituições que mais agem no planeta para combater a fome, particularmente entre as crianças. Além de instituições como a Cáritas, com presença mundial, e congregações religiosas integralmente dedicadas ao cuidado dos mais necessitados por amor a Deus, como as Missionárias da Caridade de Santa Teresa de Calcutá, um dos exemplos mais conhecidos mundo afora vem do Brasil: a Pastoral da Criança, fundada pela médica sanitarista católica Zilda Arns Neumann. As iniciativas dirigidas pela irmã do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, falecida em 2010 durante o histórico terremoto que devastou o Haiti, foram responsáveis por uma redução drástica da mortalidade infantil em todas as áreas onde foram implantadas – usando com eficiência um mínimo de verba e recorrendo a meios muito simples, acessíveis e efetivos, como a multimistura e o soro caseiro.

Neste mês, a trágica morte da médica, pediatra e sanitarista que dedicou a vida às crianças e aos mais pobres completou já 10 anos.

O terremoto de 7 graus na escala Richter, que praticamente destruiu o Haiti, aconteceu no dia 12 de janeiro de 2010, por volta das 17h locais (20h no Brasil). Dona Zilda estava na escada de acesso ao segundo andar de um prédio de formação pastoral da Igreja em Porto Príncipe, a capital haitiana.

E ela estava lá justamente porque prolongou o tempo inicialmente previsto para atender as pessoas no local. Sua palestra deveria ter acabado às 16h30, mas se estendeu porque dezenas de religiosos presentes continuaram apresentando perguntas sobre como iniciar os trabalhos de combate à desnutrição infantil por meio da Pastoral da Criança. Era para isso, aliás, que dona Zilda estava no mais pobre dos países das Américas naquele dia. Mesmo após a sessão extra de perguntas, ela ainda permaneceu no terceiro andar do prédio para atender individualmente alguns padres que queriam mais informações e intercâmbios de experiências.

Quando finalmente estava prestes a sair, acompanhada pela irmã Rosângela Altoé e pelo pe. Willian, coordenador do centro de formação, o abalo sísmico a fez perder o equilíbrio quando já se dirigia às escadas.

O corpo de dona Zilda Arns Neumann foi encontrado na manhã seguinte graças à ajuda direta do pe. Willian, que, mesmo sob choque, pôde apontar o local exato em que ela estava no momento da tragédia. Foram os soldados brasileiros em missão de paz no Haiti que descobriram os pés da médica ao retirarem escombros do local.

Ao saber da morte da irmã, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, que fora arcebispo de São Paulo de 1970 a 1998 e que faleceria em dezembro de 2016, declarou que, quanto mais refletia sobre o exemplo de Zilda em seu trabalho pelas crianças e pelas mães pobres, mais constatava que “a esperança nasce com a pessoa humana e se realiza plenamente no Deus-Criador. Sinto que foi e é esse o sentido da vida e ação da doutora Zilda“.

Dona Zilda Arns teve seis filhos e dez netos. Ela acabou sendo também a “mãe” de um dos netos, Danilo, depois que a mãe dele e filha dela, Silvia Arns, morreu num acidente de carro em 2003.

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