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Lançada 1ª emissora católica de rádio em país que teve 100% dos padres presos pela ditadura

Emissora católica de rádio

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Francisco Vêneto - publicado em 07/11/22

O regime comunista durou 44 anos e perpetrou severa perseguição; mesmo hoje, existem só 60 padres no país

Foi lançada em 18 de outubro a Rádio Ave-Maria, a primeira emissora católica da Bulgária, um país que sofreu a perseguição anticristã do regime comunista e no qual, até hoje, apenas uma minoria da população se declara católica.

A data da inauguração da emissora é especialmente emblemática porque é a festa litúrgica de São João Paulo II, um Papa decisivo para a derrocada do comunismo no Leste Europeu.

A Bulgária foi submetida à ditadura comunista de 1946 até 1990. Nesse longo período de 44 anos de muitas restrições às liberdades civis, a Igreja Católica sofreu perseguição tão severa que, segundo informações da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, 100% dos sacerdotes católicos do país chegaram a ser presos pelo menos uma vez.

O regime também confiscou propriedades da Igreja, fechou seminários e expulsou padres estrangeiros. Em suma, é o mesmo roteiro de repressão que regimes de ideologia semelhante continuam cometendo até hoje, como se constata no caso da Nicarágua.

Após a queda do comunismo no Leste Europeu, o restabelecimento da vida católica na Bulgária foi bastante lento. Mesmo hoje, há cerca de apenas 60 sacerdotes em todo o país, além de aproximadamente 100 religiosos de rito latino e bizantino.

A população católica é estimada em 70.000 pessoas, representando somente 1% do total. A vasta maioria, de mais de 80% da população, é cristã ortodoxa. Os muçulmanos são pouco menos de 14% dos búlgaros.

Para o cardeal Leonardo Sandri, prefeito do dicastério para as Igrejas Orientais, a inauguração da Rádio Ave-Maria é um sonho que finalmente se torna realidade:

“A nova estação permitirá que a Igreja trabalhe fora das suas instalações, especialmente em favor daqueles que sofrem ou não têm a oportunidade de ir à igreja”.

Para participar presencialmente da inauguração histórica, o cardeal Sandri viajou de Roma até a capital búlgara, Sófia, onde o estúdio se localiza na antiga residência do enviado vaticano dom Angelo Roncalli, que trabalhou na Bulgária entre 1925 e 1934 – mais tarde, ele seria eleito Papa e ficaria conhecido como São João XXIII.

O bispo católico de Sófia, dom Hristo Projkov, que também preside a Conferência Episcopal Búlgara, considera que a nova estação é uma iniciativa dos jovens:

“Eles nos pedem isso há anos e já começaram a produzir material de transmissão em casa. Graças às paróquias e aos catequistas, há jovens bem educados na fé. Mas a maioria dos nossos jovens não teve essa mesma educação na fé. Durante a era comunista, os pais deles não receberam nada que pudessem transmitir”.

Por isso mesmo, o bispo afirma que a rádio não se volta só aos católicos:

“Existe uma fome de educação religiosa, mas também de educação cultural com programas de música e história. A rádio é um projeto de todos e para todos”.

A gestão da primeira emissora católica de rádio da Bulgária foi confiada aos franciscanos da Polônia.

Tags:
ComunicaçãocomunismoIdeologiaIgrejaPerseguição
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