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O “casamento” gay e a heresia da liberdade

Daniel McInerny - publicado em 05/04/13

Como uma ida ao cabeleireiro revela sobre a cultura e as opiniões correntes sobre o casamento

Ao entrar no cabeleireiro dias atrás, vi que passava na TV um programa de auditório em que se discutia a vida de um homem e de uma mulher que moravam juntos em união estável. Aparentemente, o homem estava adiando o pedido oficial de casamento, e a mulher estava brava. O homem – ao redor dos 40 anos – elogiou muito a mulher, dizendo que ela era maravilhosa, que o apoiava e fazia sua alma brilhar. A entrevistadora perguntou: “então porque você não se casa com ela?” O homem, constrangido, afirmou que tinha medo de se comprometer.

O que eu achei mais interessante, no entanto, foi a reação do pessoal que estava no cabeleireiro. As pessoas começaram a comentar como era mais conveniente apenas ir morar junto com o namorado ou namorada, sem se casar ou até mesmo se dar mal em um casamento.

O pequeno grupo de pessoas no cabeleireiro pode não estar atento ao que está se passando na Suprema Corte dos EUA por estes dias, em que se decidirá se as uniões homossexuais serão equiparadas ao casamento tradicional. Mas eles percebem que a perspectiva do “casamento” homossexual tornou-se uma questão candente para nossa cultura. É verdade que a conversa ali enfocava coabitação versus casamento tradicional, mas os argumentos dos clientes expõem o erro compartilhado por todos aqueles que não conseguem ver por que o casamento tradicional deve receber privilégio legal e moral. Esse erro comum é a heresia da liberdade.

“Então porque você não se casa com ela?” Todos ali sabiam por que o namorado pedia a namorada em casamento. Ele tinha todo o companheirismo e benefícios sexuais que desejava sem ter de assumir um compromisso de vida. Ao que tudo indica, o mais importante, tanto para o namorado como para os espectadores no cabeleireiro, era a sua liberdade, a sua capacidade de conduzir a vida para onde achar melhor, a possibilidade de dar o fora quando quiser.

Eu chamo essa concepção de heresia porque, assim como todas as heresias, ela escolhe apenas uma parte como verdade, enquanto negligencia todo o restante. “Herético” vem de uma palavra grega que significa “que escolhe”. Assim, os heréticos escolhem apenas aquilo que eles querem, e não tudo que está implicado. Mas isso é apenas parte da verdade sobre a liberdade. Negligencia-se o paradoxo de que só podemos ser livres vinculando-nos a nossos fins naturais e sobrenaturais, fins esses doados por nosso Deus providencial.

Entrando na questão da equiparação da união homossexual ao casamento, o fato é que nós perdemos de vista o vínculo entre liberdade e finalidade natural da sexualidade humana. Isso porque muitos sentem que a liberdade não está vinculada a qualquer coisa fora do seu eu soberano, exceto cercada de regras a protegendo, com aversão à possibilidade de que sua liberdade seja ameaçada por alguma arbitrariedade. Consequentemente, aqueles adultos que gostariam de exercer a sua liberdade em uma união livremente consentida com outro adulto do mesmo sexo gritam quando as autoridades estaduais ou federais dizem não a um status que equipare essa união ao casamento. Eles alegam então a igualdade de proteção dos seus direitos. Exigem saber por que estão sendo discriminados.

E se a batalha do casamento for combatido nesse campo, os defensores do “casamento” do mesmo sexo têm certeza da vitória. Pois sem uma compreensão profunda da vinculação da liberdade com seus fins naturais não há defesa racional contra muitos aspectos de sua cartilha. No contexto da discussão legal sobre esse tema nos EUA, a juíza Sandra Sotomayor, da Suprema Corte, pediu aos advogados que prestem atenção em um detalhe sobre o “casamento” do mesmo sexo: se o “casamento” homossexual fosse legalmente permitido, o que poderia evitar que outras pessoas interessadas em outras formas de casamento (poligamia, por exemplo) buscassem equiparações legais? Dadas as nossas noções atuais de liberdade e de direitos, a resposta é simples, nada evitaria.

Pode demorar para a cultura apreender expressões estranhas como “heresia de liberdade”. Por agora, a batalha legal sobre o “casamento” homossexual pode ser deixada nas mãos dos eleitores, que em sua maioria continuam a apoiar a visão tradicional. Mas a menos que recuperemos no nível da vida familiar e da educação das crianças o sentido de como os "direitos inalienáveis" dos cidadãos são doados por seu Criador e inscritos na natureza que Deus nos deu, não cessará a tentativa de destruição da instituição do casamento. O pequeno grupo de pessoas no cabeleireiro pode, cada dia mais, passar a ser visto como sensato, enquanto eu e minha família passamos a ser vistos como bárbaros.

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