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A hipnose é recomendável?

Patricia Navas González - publicado em 25/04/13

A Igreja é cautelosa: recomenda sua utilização com fins terapêuticos em casos de necessidade, mas sempre com as precauções da ética médica

A utilização da hipnose é regida por um princípio fundamental: existe uma obrigação moral de não privar-se da própria consciência sem verdadeira necessidade. Portanto, é preciso usá-la com prudência, no âmbito médico.


O magistério da Igreja indica como premissa que o homem é um ser racional e, portanto, sua maneira normal de desenvolver-se deve ser por meio do uso lúcido da razão. Pio XII, o único Papa que tratou especificamente deste tema, ensinou muito sobre temas de deontologia médica, e abordou o tema da hipnose: explicitamente em uma alocução em um congresso de anestesiologia, em 1957), e indiretamente em uma alocução aos participantes de um congresso internacional de psicoterapia e psicologia clínica, em 1953.


Em suas intervenções, o Papa falou com cautela, sem negar a veracidade nem a possível utilidade da hipnose terapêutica, mas alertando sobre seus riscos.


Deixando de lado outros tipos de práticas de hipnotismo, Pio XII se refere a "uma hipnose praticada pelo médico, ao serviço de um fim clínico, observando as precauções que a ciência e a ética requerem, tanto por parte do médico que a emprega, quanto do paciente que se submete a ela", e recorda a "obrigação moral de não se privar desta consciência de si mesmo sem verdadeira necessidade".


Diante da possibilidade de que uma pessoa hipnotizada possa falar ou agir de maneira inconsciente, adverte que "há segredos que é absolutamente necessário calar, inclusive diante do médico". E indica que, para a pesquisa científica, a hipnose "não pode ser estudada por qualquer um, mas somente por um sábio sério, dentro dos limites admissíveis em toda atividade científica".


Como indica Pio XII, "a psicoterapia e a psicologia clínica devem considerar sempre o homem como unidade e totalidade psíquica; como unidade estruturada em si mesma; como unidade social; e como unidade transcendente, isto é, com tendência a Deus".

Nos últimos anos, houve muitos progressos na hipnose, que é utilizada em psicoterapia e como anestésico, em determinadas circunstâncias. No entanto, trata-se de um tema controverso, e os conselhos de psicólogos desaconselham seu uso exclusivo como terapia.


Depois de Pio XII, houve avanços, sobretudo pela descoberta da neuroimagem, com as técnicas que permitem ver imagens ao vivo do sistema nervoso central e do cérebro, como explicou à Aleteia o diretor do departamento de Psicologia da Universidade Abat Oliba, Martín Echavarría.


Atualmente, a hipnose é utilizada na psicoterapia, normalmente junto a outras técnicas, sobretudo para adições como tabagismo, tratamento da obesidade e inclusive transtornos de ansiedade e depressão. Também é usada, em circunstâncias restritas, como anestésico, para cirurgias. No entanto, os conselhos de psicólogos desaconselham o uso exclusivo da hipnose em qualquer tratamento.


Ainda existe muita discussão sobre a hipnose. Os autores não entram em consenso sobre sua definição, sua existência, seu alcance e seus limites. Altera-se o estado de consciência ou não? Todas as pessoas são hipnotizáveis? O hipnotizado realmente perde o domínio de si? Fica em um estado mais próximo do sono ou da vigília?


A diversidade de opiniões e a falta de provas científicas faz que não se tenha conseguido ainda um conhecimento sério e fiável sobre a hipnose. Por isso, segundo Echavarría, "o princípio é ter muita cautela; acho preferível recorrer a outras formas de tratamento ou, em todo caso, nunca ao uso exclusivo, nem sequer preferente, da hipnose como forma de psicoterapia, já que existem outras técnicas que envolvem mais as capacidades propriamente humanas".

Alguns especialistas desaconselham o uso da hipnose terapêutica por suas consequências negativas em alguns tipos de personalidade e por não respeitar o estado de pleno domínio de si que corresponde ao ser humano.


"Há muitos que difundem a hipnoterapia dizendo que, em duas ou três sessões, são capazes de ajudar a superar o tabagismo ou outra dependência, inclusive a ansiedade – destaca Echavarría. Poderia ser verdade, mas isso elimina o que é próprio da maturidade humana: superar as dificuldades por meio do governo de si mesmo."


Para este especialista, são preferíveis hipnoses que contam mais com a participação do sujeito, técnicas nas quais se prescinde menos das faculdades humanas e que obtêm os mesmos resultados.


Em sua opinião, o uso da hipnose se justificaria em casos nos quais o resultado só poderia ser obtido por este caminho ou fosse muito superior ao obtido com outras técnicas, mas, acrescenta, "pelos conhecimentos que tenho, estas circunstâncias não se dão".


O estado de hipnose não é o de pleno domínio de si, que corresponde ao ser humano, e "pode ter consequências negativas em algumas estruturas de personalidade, como em casos de esquizofrenia, epilepsia ou transtornos histéricos".


Para outro especialista, Antonio Peinador, na hipnose se corre o risco de que, quando repetida com muita frequência, se produza uma fraqueza orgânica e mental, com fadiga nervosa e impotência psicológica (Moral Profesional, n. 613-614, B.A.C., Madri, 1962).

Finalmente, a utilização da hipnose com finalidade lúdica, de lazer ou apenas por curiosidade é perigosa, está no limite do moralmente aceitável.


A hipnose deve ser aplicada por um médico qualificado, com finalidades específicas, que conheça a base psicológica da pessoa que está em tratamento.


Segundo Echavarría, sua utilização em espetáculos, com finalidade lúdica, de lazer ou curiosidade, "é perigosa e está no limite do moralmente aceitável; além disso, dessa forma, ela acaba sendo identificada com o uso quase mágico e isso entorpece seu uso médico".

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