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Estados Unidos: o vergonhoso silêncio sobre o caso Gosnell

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Aleteia Vaticano - publicado em 03/05/13

Dono de clínica de abortos é acusado de abuso de mulheres e crianças, racismo, negligência médica, assassinato, cobiça, sexismo e tráfico de drogas

Na semana passada, ouvimos o relato de um dos casos de assassinato mais terríveis da história americana, ocorrido na Filadélfia. O Dr. Kermit Gosnell estava sendo julgado pelo assassinato de recém-nascidos em sua repugnante fábrica de abortos.

Os principais meios de comunicação decretaram um apagão diante da história de como Gosnell cortava rotineiramente a medula espinhal dos recém-nascidos, quase decapitando os bebês.

Os profissionais de saúde informaram como ele fazia brincadeiras sobre o tamanho dos bebês que assassinava. Um porteiro contou que tinha de abrir as instalações sanitárias para desobstruir os canos, entupidos pela quantidade de cadáveres que haviam sido jogados pelo ralo.

Gosnell também foi acusado de ser traficante de drogas, assinando receitas a qualquer pessoa que entrasse em seu consultório com dinheiro suficiente. Ficou evidente que ele era descaradamente racista, tratando mulheres asiáticas e afrodescendentes com cruel indiferença, enquanto oferecia um tratamento especial às mulheres brancas ricas.

A lista de horrores (abuso de mulheres, racismo, negligência médica, assassinato, cobiça, sexismo, abuso de crianças) normalmente suscitaria manchetes de escândalo, mas, dado que o acusado era um aborteiro, a imprensa americana e o presidente permaneceram em silêncio.

Ao mesmo tempo, com escassa consideração pelos sentimentos das pobres mulheres afrodescendentes, cujas vidas foram arruinadas e cujos corpos foram destroçados por Gosnell, o presidente negro aparece em um evento de arrecadação de fundos da Planned Parenthood, alegando estar ao lado das mulheres.

Para acrescentar o insulto à injúria, elogia a Planned Parenthood e invoca as bênçãos de Deus sobre sua sanguinária e gananciosa organização.

E então, justamente quando o julgamento de Kermit Gosnell estava chegando a argumentos conclusivos, os jornais exibiram uma manchete de grandíssima importância: um jogador de basquete profissional afrodescendente, chamado Jason Collins, havia declarado ser homossexual – um acontecimento chocante que fez os jornalistas escreverem artigos sobre o tema.

De fato, a história foi considerada tão importante, que o ex-presidente Bill Clinton sentiu a necessidade de se pronunciar, enquanto o presidente Obama ligou para o atleta para expressar-lhe seu apoio e admiração pela sua coragem.

Nenhum presidente comentou o julgamento na Filadélfia. Nenhum presidente ligou para as mulheres afrodescendentes que tinham as cicatrizes em seus corpos e seus bebês assassinados por Gosnell.

Nenhum presidente, que clama em apoio à comunidade negra marginalizada, ligou para as vítimas da prostituição e dependentes químicos de quem Gosnell se beneficiava. Admiraram a coragem de Jason Collins, mas eles mesmos não tiveram a coragem de permanecer firmes e denunciar as desumanas e repugnantes práticas da fábrica de abortos e drogas de Gosnell na Filadélfia.

A razão pela qual precisamos que uma criança grite sobre a nudez do rei se deve a que os cortesãos parecem cegos diante do óbvio.

Aqui, há um presidente afrodescendente que fez uma campanha sobre a questão da igualdade de direitos para negros e mulheres. Um presidente que fez campanha contra a violência e a matança indiscriminada de crianças.

Um presidente que diz ser contra a cobiça e a opressão, mas que permanece em silêncio frente à gigante opressão, abuso, violência e racismo contra os pobres habitantes da cidade, entre os quais muitos são mulheres e crianças negras.

Enquanto o nosso país enfrenta a realidade do infanticídio racista de coração frio, praticado por dinheiro, o presidente considera que a preferência sexual de um atleta rico e célebre é mais importante.


O fato de que isso ocorra já é, em si, uma barbaridade incrível. É como uma comédia de humor negro, na qual os horrores se tornam mais incríveis e grotescos a cada ato. O fato de que ninguém na mídia pareça ser consciente do problema é ainda mais preocupante.

Se o terror de Gosnell pode ser ignorado e varrido para debaixo do tapete, que outros horrores estarão sendo ignorados? O que acontecerá no futuro, quando outras barbaridades ocorrerem nos Estados Unidos? Se ignoram o caso Gosnell, certamente ignorarão qualquer outra questão de direitos humanos que não encaixar em sua agenda.

Esta semana não só revelou à América o frio, avarento e assassino coração de Gosnell, mas também demonstrou que as pessoas que ignoraram a fábrica de abortos da Filadélfia não são muito diferentes dele, já que fazer vista grossa para o mal é uma forma de aprová-lo.

Observar o silêncio sobre o centro de abortos de Gosnell é como ver as chaminés de Auschwitz e continuar dizendo a nós mesmos que se trata somente de uma fábrica como outra qualquer.

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