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C.S. Lewis: o mestre de Nárnia

Aleteia Vaticano - publicado em 13/05/13

Um dos grandes nomes da literatura inglesa, Lewis viu sua poderosa imaginação desabrochar quando ele abraçou o cristianismo

Um campeão nas escolas, autor de clássicos infanto-juvenis, escritor imaginativo de uma trilogia de ficção científica de primeira linha, ensaísta, poeta, apologista cristão e teólogo de poltrona: esse é um retrato de C.S. Lewis, uma das grandes figuras literárias do século passado.

Nascido na Irlanda do Norte, em 1898, Clive Staples Lewis – mais conhecido por seus amigos como "Jack" – foi criado em um lar protestante. Seu intelecto brilhante foi reconhecido cedo na vida. Depois de um primeiro período de educação privada, foi agraciado com uma bolsa de estudos em Oxford. Ali sua carreira foi notável, onde passou a ser um professor de inglês no Magdalene College.

Lewis se afastou da prática obediente da religião quando tinha quinze anos. Aspirando ao ateísmo, se interessou pelo ocultismo e mitologia nórdica. Levaria mais dezoito anos para ele finalmente aceitar os preceitos do cristianismo, em 1931. Foram seu amigo, J.R.R. Tolkien – o criador de “O Senhor dos Anéis” – e os escritos de G.K. Chesterton que levaram Lewis a acreditar em Deus e, em seguida, aceitar a fé cristã.

Uma vez que mergulhou no cristianismo, sua imaginação e habilidade de escrita decolaram. A fé cristã foi infundida em cada palavra que Lewis escreveu. Seus ensaios e artigos defendiam e explicavam o que ele chamou de "Cristianismo puro e simples" – uma fé cristã essencial, fundada na história do pensamento cristão. Suas obras de ficção irradiavam uma versão forte, ortodoxa, bela e inspiradora do cristianismo, mudando a vida de milhões de leitores ao longo dos anos.

Quais são os fundamentos do pensamento e da imaginação de C.S. Lewis? Em primeiro lugar, ele se descreveu como um "sobrenaturalista radical". Ele se afastou das explicações materialistas da realidade e aceitou como premissa básica a realidade da dimensão sobrenatural. No entanto, o sobrenaturalismo de Lewis não era mera superstição ou sentimentalismo superficial. Ele não pensava no mundo invisível como menos real do que o mundo material, mas muito mais.

Em segundo lugar, Lewis aceitou a fundação sobrenatural da fé cristã. Ele não tinha tempo para o que chamou de "religião diluída" dos modernistas. A religião era uma operação sobrenatural entre o homem e Deus, e não um mero conjunto de regras religiosas e deveres sociais. Foi essa religião "aguada", aborrecida e paralisada que tinha conduzido o jovem Lewis ao ateísmo. Em vez disso, o mundo sobrenatural foi surgindo na e através da religião cristã para a salvação das almas e a transformação de cada indivíduo.

Lewis nunca estava tão feliz como quando se envolvia em um debate intelectual vigoroso, geralmente acompanhado de um copo de cerveja inglesa e seu cachimbo. O gosto de Lewis pelos debates é uma terceira qualidade que o define: ele era um guerreiro feliz. Havia percebido que ser seguidor de Cristo implicava entrar na batalha. Estava pronto para debater a fé cristã com uma impressionante combinação de lógica afiada, vasto conhecimento da literatura ocidental e da cultura, uma imaginação fértil e capacidade para o trabalho duro.

As biografias o retratam como tendo uma personalidade auto-confiante, excêntrica e robusta. Um escritor chegou a dizer que ele parecia um "alegre açougueiro de cara vermelha". Apesar desta robustez exterior, Lewis era um homem ferido pela perda de sua mãe ainda na infância, e a perda do melhor amigo na Primeira Guerra Mundial. Alunos, amigos e conhecidos reafirmaram que ele era infalivelmente gentil e generoso. Suas cartas mostram que passava horas escrevendo, para toda uma gama de correspondentes, sobre a fé e seus desafios.

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