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Cristo Redentor: imagem da fé brasileira, símbolo da JMJ

Aleteia Vaticano - publicado em 05/06/13

Cartão-postal do Rio de Janeiro, o Cristo vai proporcionar momentos de contemplação aos peregrinos, em uma das mais belas vistas da cidade maravilhosa

No alto do Morro do Corcovado, a 710 metros, o Cristo Redentor é o cartão postal do Rio de Janeiro. Imagem da fé e da hospitalidade do povo brasileiro, o Cristo será recordado também como símbolo de um dos maiores eventos católicos já realizados no Brasil: a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Rio de Janeiro, que acontece de 23 a 28 de julho.

A mais recente edição da JMJ (Madri, 2011) contou com a participação de cerca de 2 milhões de jovens, cifra que o Rio de Janeiro espera superar. Para isso, além do peso da própria Jornada, a cidade quer atrair turistas e peregrinos por suas características particulares, que fazem dela uma cidade única.

Já ao chegar ao Rio de Janeiro, uma visão deslumbrante encanta os turistas. Do alto, ainda no avião, ou mesmo do chão, é possível avistar a grande estátua, no topo do morro do Corcovado, em meio ao Parque Nacional da Tijuca.

É o Cristo Redentor, que em 2007 foi eleito uma das 7 novas maravilhas do mundo. O monumento de 38 metros de altura, inaugurado em 1931, surpreende por sua exuberância e pela visão panorâmica da cidade.


A ideia da construção da estátua surgiu ainda no século XIX. Em 1859, o padre Pedro Maria Boss teria sugerido que fosse erguido no topo do Morro do Corcovado – à época chamado Pináculo da Tentação –, um monumento religioso. Levada à princesa Isabel, a sugestão teve seu primeiro apoio oficial, porém nada foi concretizado.

Em 1891, a República separa Igreja e Estado. Como uma forma de mostrar que o cristianismo continuaria sempre presente no coração do povo brasileiro, o cardeal Joaquim Arcoverde, em 1912, passou a perseguir a ideia da construção de uma grande estátua de Cristo.

Com a construção do bondinho do Pão de Açúcar – outro símbolo do Rio de Janeiro –, nesse mesmo ano, pensou-se na possibilidade de construir uma imagem de Jesus Cristo no alto do Morro do Pão de Açúcar. Mas a ideia foi deixada momentaneamente de lado. Somente em 1921 o projeto foi retomado, tendo como foco as comemorações do Centenário da Independência do Brasil.

Ao Círculo Católico do Rio de Janeiro caberia a escolha do monumento e do local. O Morro do Pão de Açúcar tinha como concorrentes o Morro de Santo Antônio e o Corcovado. Uma assembleia criada pelo Círculo decidiu pelo último, por ser o mais alto.

Em 1922, um abaixo-assinado com mais de 20 mil nomes solicitava ao presidente Epitácio Pessoa a construção da estátua. O presidente doou então o topo do Morro do Corcovado para esse fim. No mesmo ano, no dia 4 de abril, era lançada a pedra fundamental da construção.

Em 1923, através de um concurso, foi escolhido o projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa. A estátua foi desenhada pelo artista plástico Carlos Oswald e projetada pelo arquiteto francês Paul Landowsky, trazido da Europa especialmente para a execução do projeto, em particular para a construção da cabeça e das mãos, cujas habilidades de um escultor era fundamental.

A Igreja Católica iniciou nesse período uma campanha com o intuito de arrecadar fundos para as obras. A campanha durou dez anos e reuniu dinheiro suficiente para a construção. 

O projeto inicial de Heitor Costa constituía a imagem de Jesus segurando uma cruz na mão esquerda e um globo na mão direita. Mas depois o engenheiro teria tido a ideia de transformar o Cristo na própria cruz, com o mundo passando a ser representado pela cidade do Rio de Janeiro.

Muitos estudos foram realizados para a escolha do material a ser utilizado. Inicialmente constava a utilização de bronze. Porém, a notícia de que a Revolução Bolchevique havia mandado fundir todas as estátuas metálicas de santos para reaproveitar o material fez os idealizadores mudarem de ideia. Para a estrutura foi decidido utilizar cimento armado, ao invés de armação metálica, e para o revestimento foi escolhido pedra-sabão, material muito resistente às variações climáticas.

A construção da estátua foi um desafio, seja por suas características ou por sua localização. Içar blocos de cimento, ferro, ferramentas, equipamentos e água a 300 metros de altura, sem falar na locomoção de todo o material até o topo do morro, foi um trabalho grandioso.

As peças foram transportadas nos trens da Estrada de Ferro do Corcovado e montadas no alto do morro. Essa ferrovia tinha sido aberta graças a uma visita pioneira realizada em 1824 pelo imperador Dom Pedro I ao Corcovado (nome dado ao morro no século XVII pela semelhança a uma corcunda). O imperador, deslumbrado com a vista do alto do Morro, tinha solicitado que fosse aberto um caminho ao cume, o que deu início ao trajeto da estrada de ferro. Em 1885 seriam inaugurados os 3.800 metros de ferrovia.

A montagem do Cristo Redentor durou cinco anos. Primeiro foram montadas as estruturas de concreto armado, que davam forma à cruz. Depois veio o revestimento de cimento e uma malha metálica coberta por pedra sabão. 

Os engenheiros Pedro Vianna da Silva e Heitor Levy foram os encarregados pela construção das partes em concreto. Conta-se que Levy, que era judeu, converteu-se ao cristianismo logo em seguida. Seu envolvimento com a construção do Cristo foi tão grande que ele teria colocado o nome da família em um vidro e o misturado à massa de concreto, guardando-o na altura do coração da estátua.

No dia 12 de outubro de 1931 seria inaugurado o Cristo Redentor. As luzes da estátua seriam acionadas em Roma, pelo cientista italiano Guglielmo Marconi, através de sinal elétrico que seria captado por uma estação em Dorchester, na Inglaterra, e retransmitido por uma torre no Rio de Janeiro. No entanto, o mau tempo impossibilitou o contato, e as luzes foram acionadas do local.

Renovado após recentes reformas e melhorias, o Santuário do Cristo Redentor já está preparado para a JMJ. Mais de 200 voluntários atuarão no Santuário nos dias da Jornada. A expectativa é que o Cristo Redentor receba mais de 45 mil visitantes por dia. Até o Papa Francisco vai dar uma volta de helicóptero em torno da imponente estátua.

Com RioTur / Parque Nacional da Tijuca / Trem do Corcovado

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