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Políticas públicas para a juventude: o que pensa a Igreja?

JMJ Rio2013 - publicado em 04/07/13

Saiba como a Igreja encara as políticas públicas para a juventude e o que ela pensa das manifestações que têm tomado conta do Brasil

Os últimos dias têm sido de mudança na postura dos jovens perante a vida política do Brasil. As manifestações pela redução das passagens de ônibus tomaram conta do país, e a juventude tem se mostrado firme na luta pelo fim da corrupção no governo e por maiores investimentos em saúde e educação. Mas afinal, o que a Igreja pensa sobre as políticas públicas para a juventude brasileira?

Walmyr Júnior, da Pastoral da Juventude Regional CNBB Leste 1 (RJ), acredita que uma juventude mobilizada, desde que organizada pacificamente, impulsiona as pessoas para participarem dos espaços de sociabilidade, seja por meio de movimentos sociais, de grupos jovens formados em pastorais da Igreja, de movimentos estudantis, ou de qualquer outra articulação de modo geral. “Não é uma voz gritando no meio do deserto, é uma mobilização social que ganha uma referência, uma visibilidade pela sua postura”, disse o também voluntário da JMJ.

Ele afirmou que o jovem, ao ficar consciente de não ser um sujeito só de direitos, mas também de deveres, participa da Doutrina Social da Igreja: a primazia do bem comum. “Assim, o jovem tem sociabilidade sem nenhum tipo de opressão e entende o seu papel dentro desse bem comum, da sociedade, e das perspectivas de relações, não só com o território e com o ambiente profissional, mas também com relações de cultura e de etnia”.

A Igreja, por meio de uma política pública coerente para a juventude, parte do pressuposto de que o seu direito é pela vida em abundância. Os jovens necessitam, portanto, viver em abundância do sentido da cultura, da educação, da mobilidade urbana, do espaço, da territorialidade e do direito ao lazer. “Todas essas demandas de direito à educação de qualidade, que são próprias da vida da juventude, devem ter uma possibilidade, ou então até mesmo uma margem de participação social, porque temos hoje uma juventude marginalizada e ausente de seus direitos”, afirmou o integrante da PJ.

Como afirmou Jesus Cristo, “Eu vim para que todos tenham vida, que todos tenham vida plenamente”. Principalmente aos jovens, que estão em sua formação física e espiritual, ele acredita, entretanto, que as políticas públicas não viabilizem, por exemplo, uma possibilidade de engajamento no ensino acadêmico pela falta permanência estudantil.

Jovens X Violência

No que diz respeito às comunidades, Júnior diz que os jovens não estariam inseridos na violência, mas naturalizariam a violência para si. “A juventude que é marginalizada pela violência, acaba sendo sujeito nesse contexto, porque não só sofre com ela, como também comete violência”. Outra problemática é a de mobilidade urbana, em que o direito para transitar pela cidade com qualidade fica comprometido, já que o sistema de transporte, além de ser precário, é caro. “A sociedade vai começar a olhar para os jovens só a partir do momento em que, reunidos, mostrem um projeto de participação social do qual fazem parte, mas não pensando na destruição e no vandalismo”, afirmou.

Uma forma de ação governamental apontada por ele é da Secretaria Nacional de Juventude, que promove políticas públicas, em parceria com o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), da qual a Pastoral da Juventude Nacional faz parte ao representar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Composto por 1/3 de representantes do poder público e 2/3 da sociedade civil, contando, ao todo, com 60 membros, sendo 20 do governo federal e 40 da sociedade civil, o Conjuve permite que a Igreja dê oportunidade para os jovens da Pastoral, enquanto leigos, serem a sua voz nos passos tomados.

Chamando atenção para o Estatuto da Juventude, escrito pelo Conjuve, junto com a Secretaria Nacional de Juventude e aprovado em abril deste ano pelo Senado, Júnior afirmou que é um documento sobre essa política social da juventude a cerca de seus direitos à cultura, à educação e à saúde pública de qualidade. 

No entanto, apontou como um retrocesso o projeto de lei que faria os estabelecimentos de produção cultural, como teatro e cinema, resguardarem apenas 40% de meias-entradas. “Esse projeto de lei restringe o acesso do jovem à cultura”, disse. 

Quanto à posição da Igreja diante dos atuais protestos, em mensagem oficial divulgada pela CNBB, os bispos declararam, na última sexta-feira, sua “solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens. Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o desperta para uma nova consciência. Requerem atenção e discernimento a fim de que se identifiquem seus valores e limites, sempre em vista à construção da sociedade justa e fraterna que almejamos”. 

Ainda de acordo com a nota assinada pelo arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, Cardeal Raymundo Damasceno Assis, o arcebispo de São Luís e vice-presidente, Dom José Belisário da Silva, e o bispo auxiliar de Brasília e secretário Geral do Conselho, Dom Leonardo Ulrich Steiner, “o direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo Estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito”.

(JMJ Rio2013)

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