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Santo Alberto Hurtado, um profeta que não chegou, mas estará, no Rio

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Jaime Septién - publicado em 15/07/13

Legado do santo canonizado por Bento XVI em 2005 tem grande impacto na América Latina, em especial na tarefa de fazer discípulos e missionários

Caso único na América Latina, o Congresso Nacional do Chile aprovou por unanimidade que o dia 18 de agosto – celebração da morte do sacerdote jesuíta Alberto Hurtado – seja o Dia Nacional da Solidariedade. O padre Hurtado, fundador do Lar de Cristo, é o padroeiro da solidariedade no Chile e um dos grandes nomes dessa virtude entre os latinos.

No Chile, todo ano peregrinam cerca de 70 mil jovens para visitar o seu túmulo. Junto ao Lar de Cristo, ele impulsionou milhares de jovens a participar da Ação Católica. Aproximadamente 100 sacerdotes chilenos devem a ele a sua vocação. Sua mensagem ainda é vigente, e vai ressoar nas ruas do Rio de Janeiro durante a JMJ.

Precursor do espírito do Celam

O padre Hurtado morreu em 1952. Não teve tempo, mas preparou o terreno, para participar da primeira Conferência Geral do Conselho Episcopal Latino-americano, no Rio de Janeiro, em 1955. No entanto, ele foi um grande precursor dessas grandes conferências: Rio 1955, Medellín 1968, com a presença de Paulo VI, Puebla 1979, Santo Domingo 1992 e Aparecida 2007. Puebla e Santo Domingo com a presença de João Paulo II e Aparecida com Bento XVI.

Os temas que Santo Alberto via para o Celam foram programados por seu amigo Dom Manuel Larraín, primeiro vice-presidente do Celam e, a partir de 1962, presidente. 

Ele introduziu a missão de “olhar longe” e projetar uma tarefa evangelizadora em toda a América Latina, considerando esta como uma Grande Pátria, “sentir como Igreja” desde o Rio Bravo até o Cabo de Hornos.

Sua pergunta, de 1942, “o Chile é um país católico?”, motivou mais tarde no Rio de Janeiro que o Celam se agrupasse sob uma mesma ideia: colocar em estado de missão permanente a catolicidade do continente americano, o chamado “continente da esperança”, muitos anos depois, por João Paulo II. A ação missionária de Santo Alberto, retomada em Aparecida, era a tentativa de comunicar o amor de Cristo aos pobres e fortalecer a fé.

O Lar de Cristo, lar de todos 

A obra emblemática do padre Hurtado foi o Lar de Cristo. Ele mesmo relatou que numa noite fria e chuvosa, aproximou-se dele um pobre homem com amigdalite aguda, tremendo, em mangas de camisa, que não tinha para onde ir. Pregando um retiro para senhoras na Casa do Apostolado Popular, falou-lhes sobre a miséria que havia em Santiago e a necessidade da caridade.

A paixão e emoção com que o padre Hurtado falou nessa noite fez nascer o Lar de Cristo. À saída do retiro, ele recebeu as primeiras doações, um terreno, vários cheques e joias da parte das senhoras presentes.

Em maio de 1945, o arcebispo de Santiago, Dom José María Caro, abençoou a primeira sede do Lar de Cristo. Santo Alberto saía à noite em busca de crianças e jovens que estivessem nas ruas, debaixo de pontes, e os levava para o Lar de Cristo.

Em 1945 ele publicou “A vida afetiva na adolescência” e “A crise da puberdade e da educação da castidade”. Fundou a Asich (Ação Sindical Chilena) em 1948 e fez um grande trabalho com os operários, orientado pela doutrina social da Igreja.

Uma mensagem vigente

Impulsionado por seu interesse pelo apostolado intelectual, ele fundou a Revista “Mensaje”, como parte do projeto de trabalho social proposto em 1947 ao padre Janssens, superior geral dos jesuítas. Padre Hurtado desejava a publicação de uma revista para formação religiosa, social e filosófica. 

O santo jesuíta sofreu um enfarte pulmonar em 1952. Foi-lhe diagnosticado um câncer no pâncreas. Testemunhas de suas palavras no hospital contaram o que ele falava: “Como não vou estar feliz! Como não posso estar agradecido a Deus! Em vez de uma morte violenta, me manda uma longa enfermidade para que eu possa me preparar; não me dá dores; me dá a satisfação de ver tantos amigos, de ver todos. Verdadeiramente, Deus tem sido para mim um pai carinhoso, o melhor dos pais”.

As fontes do Papa Francisco 

No dia 18 de agosto de 1952 o padre Hurtado morreu, cercado por seus irmãos de comunidade. “À medida que apareçam as necessidades e dores dos pobres, busquem como ajudá-los como se ajudaria ao Mestre. Ao desejar-lhes uma particular saudação, confio-lhes os pobrezinhos, em nome de Deus”.

O processo missionário de uma Igreja cuja opção preferencial são os pobres, como é a Igreja latino-americana, havia também começado com um humilde jesuíta chileno canonizado por Bento XVI em 2005.

Nesse dia se tornou realidade o sonho de muitos chilenos. Alberto Hurtado Cruchaga foi declarado santo. A Igreja latino-americana ainda vive esta imensa tarefa: tornar realidade o legado missionário de uma “Igreja pobre e para os pobres”, como lutou Santo Alberto.

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