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Francisco: unido aos brasileiros e aos jovens do mundo na caridade

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Em sua extensa agenda, Francisco terá momentos de mostrar também sua solidariedade com os enfermos, na visita de um hospital no bairro da Tijuca

Para os brasileiros de todas as idades, especialmente os jovens, chegou a grande hora de receber o terceiro Papa a visitar o país. Adiando um encontro com autoridades locais logo na sua chegada, o Papa decidiu primeiro encontrar-se com a juventude e os brasileiros bem de perto, cumprimentando os milhares de peregrinos que a partir desta semana enchem as ruas do Rio de Janeiro com seu entusiasmo levando bandeiras, música e as expectativas de um grande e tocante evento com o Santo Padre.

 

Francisco, que já se tornou conhecido pela sua simplicidade e até mesmo quebra de formalidades, também chega ao Rio com expectativas em seu coração. Ainda como cardeal na Argentina, o 266º Sucessor de Pedro alentava jovens, movimentos e comunidades dedicados ao apostolado juvenil com seus discursos e frequentes encontros e peregrinações com a juventude da capital. Não é de espantar-se que uma delegação tão grande de jovens argentinos, muitíssimos chegados de Buenos Aires, tenha chegado a ao Rio para rever o seu pastor agora na função de pastor supremo da Igreja. 

 

Francisco é o Papa da JMJ no Rio. O Papa da humildade que prefere a chegada em um carro simples sentindo de perto o calor da acolhida dos fiéis, chegou ao Brasil de maneira especialmente carinhosa aos jovens, e que também mostrará sua atenção pastoral àqueles jovens que sofrem e os que experimentam a pobreza. Como membro da Pontifícia Comissão para a América Latina, e amigo dos pobres das periferias de Buenos Aires, Francisco seguramente chega para honrar o seu nome pontifício, escolhido pela sua devoção ao Santo de Assis, com gestos muito concretos de humildade e caridade.

 

Como início de seu testemunho, o Papa escolheu a residência do Sumaré, casa do falecido Cardeal Eugênio Sales e lugar onde se hospedou João Paulo II em sua última visita ao Brasil, onde terá uma atenção e uma hospedagem muito simples. A residência não fica longe de uma favela do Rio de Janeiro, e foi entre os pobres do Rio que o Papa Bergoglio quis pernoitar. 

 

Em sua extensa agenda, Francisco terá momentos de mostrar também sua solidariedade com os enfermos, na visita de um hospital no bairro da Tijuca, perto do centro da cidade, que por uma bela coincidência leva o nome do “Poverello” de Assis, aquele que Papa argentino adotou onde adultos e jovens recebem atenção gratuita.  Francisco, que já havia mostrado sua solidariedade ao amigo Cardeal Mejía em uma visita a um hospital italiano surpreendendo a todos ao seu redor, visitará agora uma instituição católica dedicada à recuperação de dependentes de droga e de álcool, muitos deles na faixa de 20 a 30 anos, onde os pobres são acolhidos e tratados. Um ato semelhante ao de Bento XVI ao visitar a Fazenda da Esperança em 2007, sentindo de perto o drama dos jovens que lutam para deixar o vício.

 

Seguindo ainda passos de anteriores Papas que visitaram o Brasil, Francisco se dirigirá ainda à Favela de Manguinhos para um encontro com os moradores deste bairro pobre e sem dúvida cumprindo um profundo desejo de seu coração. O Papa, que desde o início do pontificado vem pedindo que a Fé se concretize na caridade para com os mais necessitados, não poderia passar pelo Rio, emblema dos imensos contrastes sociais do país, sem deixar uma marca no coração dos moradores das favelas do Rio. Aquilo que para alguns poderia ser simplesmente mais um evento na agenda papal será para Francisco um momento marcante do seu pontificado, um momento de que ele mesmo ponha em prática aquilo que vem exortando os fiéis a fazerem. Sem sombra de dúvida poderíamos considerar esta visita um verdadeiro gesto de coerência do Papa. 

 

Já na sua chegada ao Brasil, o Santo Padre quis mostrar seu afeto por outra parte do seu rebanho pelo qual nutre um especial carinho: as crianças. Talvez com mais propriedade poderíamos considera-las o futuro da Igreja, enquanto que os jovens poderiam ser considerados o presente e o rosto vibrante da esposa de Cristo. Ambos grupos, porém, falam de um elemento presente no papado de Francisco: a esperança.   

 

Francisco também deixou um recado talvez um tanto entrelinhas, mas claro o suficiente para bons entendedores do seu magistério e do seu percurso na luta em defesa da família e da vida. Em meio aos gritos de aclamação dos jovens ao aproximar-se do Centro do Rio de Janeiro, Francisco beijou crianças em um gesto sem dúvida emocionante, mas que recorda que o povo brasileiro em sua maciça maioria ama a vida e rejeita todo tipo de agressão à ela como o aborto, um tema que vem sido colocado em pauta atualmente em Brasília em diversas iniciativas, feitas longe da atenção do público e solapadas pela mídia, de estender ainda mais a legalização do aborto.

 

Não resta dúvida de que esta viagem de Francisco deve ser acompanhada com grande atenção aos seus discursos, mas também aos seus gestos. A Igreja no Brasil e em todo o mundo se regozija hoje com a JMJ Rio 2013. Resta agora perguntar àqueles que, baseados em estatísticas ou em outros números, afirmam que a Igreja vai de mal a pior entre os jovens, o fato de que mais de um milhão deles são esperados no Rio de Janeiro. A juventude católica brasileira quer ser a juventude do Papa.

 
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