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A experiência do perdão

© DR
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O rancor, no fundo, é a cooperação livre e eficiente da vítima com os desejos do ofensor, enquanto o perdão engrandece o coração

O perdão sincero e carinhoso é um acontecimento extraordinário, que acontece poucas vezes em nossa vida. Não é nada habitual que perdoemos ou que peçamos perdão aos nossos semelhantes.
 
O perdão e o arrependimento talvez sejam sentimentos excessivos para a nossa cultura burguesa, moralizada, profissionalizada e objetivada, para a qual as exaltações incontroladas são mal vistas, ainda mais quando provêm de um sentido profundo, existencial, que inevitavelmente exige a humanidade do outro.
 
No entanto, a superficialidade nos fascina e ficamos rolando na lama de coisas fúteis e absurdas, como a inveja, o poder, a superioridade ou a culpa – do vizinho, claro. Esta perspectiva sobre a vida confere à ideia do perdão um matiz especial, porque o converte em uma forma de vingança.
 
Se você sente que o caminho para perdoar começa no ponto quilométrico no qual o outro deve cumprir com a sua obrigação, tenha claro: você deseja vingança. Por isso, castigamos o ofensor com a indiferença, não o cumprimentamos mais, negando-lhe a possibilidade de compartilhar nossa comum humanidade; e, com isso, procuramos que o outro se lembre do dano que nos causou e inclusive do ódio que lhe temos.
 
No entanto, este castigo é ridículo. Quem não quer perdoar se vê obrigado a ficar enfiando o dedo na ferida constantemente, ampliando o dano por conta própria, muito além do que o ofensor queria ou podia fazer. Só nós podemos dar tanto poder a quem nos causou dano, por meio do rancor.
 
Os amantes da vingança talvez não tenham compreendido que o pior inimigo de si mesmo é esse "eu rancoroso", que consegue contaminar e determinar todo o presente com o fétido lixo de um passado que só a ele interessa. O rancor é a síndrome de Diógenes da alma humana.
 
Mas quem perdoa não só recupera uma relação danificada, mas renasce para o tempo presente, que estava embaçado pela recordação da ofensa.
 
Perdoar é uma dessas experiências nas quais descobrimos a grandeza da vida, nossa capacidade de domá-la e a beleza de uma Presença que nos acompanha e que é o que torna possível a graça do perdão, que alcança o ofensor, mas que, acima de tudo, engrandece o coração de quem perdoa.
 
No final das contas, receber o perdão nos liberta da culpa, mas não deixa de ser por um ato externo a nós. Perdoar nasce do nosso interior, amplia nossos horizontes e eleva a vida, porque revela o futuro com possibilidades que o rancor mantinha presas. Isso é justamente o contrário do que acontece com o rancoroso, que vive acorrentado.
 
Perdoar é uma experiência muito mais bela do que ser perdoado. E, para comprovar isso, não precisamos buscar referências em nenhum discurso ou autor, mas prestar atenção na própria experiência. Porém, muitas vezes não pedimos perdão porque isso nos dá medo.
 
Mas quem deseja o perdão se vê na necessidade de criar uma ponte, uma situação que permita que o outro se aproxime, para realizar o ato que o libertará do peso que tem sobre seus ombros. E a pessoa que faz isso é movida por um afeto renovado com relação ao "culpado" – que, na verdade, já não o é, mas ainda não sabe disso.
 
Evidentemente, é preciso que a pessoa seja amada de maneira excepcional, que lhe seja dada uma graça especial, para que possa imaginar que uma experiência de amor assim seja possível. Uma experiência, aliás, na qual encontramos os alicerces de um mundo novo e de uma vida nova, do mundo e da vida que realmente desejamos e que nenhuma modificação das estruturas que não atenda a este nível de profundidade poderá outorgar.
 
Os demais esforços ideológicos por construir uma nova realidade política não são mais que violência construída sobre critérios de poder, superioridade e culpa – do vizinho.
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