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Espanha: censura ao livro “Casada e submissa”

© DR
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“Tento explicar que o homem e a mulher são duas pobrezas que se encontram, e não precisam gritar por seus direitos, mas aceitar uns aos outros”

“Comecei a perceber que algo estava acontecendo na Espanha”, afirmou Constanza Miriano, autora do livro “Casada e submissa”, em seu blog “Il Foglio”.

Há vários dias a escritora e jornalista tem recebido telefonemas da imprensa espanhola, que pergunta sobre o livro. Ela afirmou que na segunda-feira (11/11) pela manhã “fui acordada por um telefonema. Um jornalista me pede, muito nervoso, que explique o que é a submissão, se possível, em menos de dois minutos. Trato de fazer um resumo do meu livro em 120 segundos. Sei que saiu na Espanha, mas não tenho mais notícias. Depois disso, outro telefonema, e outro, e outro. Uma dúzia de televisões, rádios, agências, sites”.

Miriano, atenciosamente, responde a todos os telefonemas e mensagens dos jornalistas. “Trato de explicar que a submissão, a palavra de São Paulo, não tem nada a ver com a violência, que esse é um tema para os juízes, os psiquiatras. Tento explicar que o homem e a mulher são duas pobrezas que se encontram, e não precisam gritar por seus direitos, mas aceitar uns aos outros… curiosamente neste ponto meus colegas parecem desinteressados”.

O livro torna-se polêmico na Espanha

Por que tenho recebido tantas ligações da imprensa? O que está acontecendo na Espanha, que eu não fiquei sabendo? Perguntas como essas certamente passaram pela cabeça de Constanza Miriano. E “ao décimo segundo jornalista que me ligou pedi para explicar o motivo de tanto interesse em mim. ‘O problema não é o livro que escreveu – confessa – ‘O problema é que a editora que traduziu é do arcebispo de Granada, o bispo que afirmou: pode estuprar mulheres que abortaram’”.

Após ter entrado em contato com o tradutor do livro – em sua edição espanhola –, o padre Mariano Catarecha, ela ficou sabendo que o arcebispo de Granada nunca disse uma coisa como essa.

A ideologia de gênero no governo espanhol

Na Itália o livro vendeu 50 mil exemplares em três anos e não houve problemas desse gênero. Por que na Espanha foi diferente?

“Interei-me de que no Parlamento o PP, o PSOE e a Izquierda Unida pedem que meu livro seja retirado de venda, e que a Izquierda está recolhendo assinaturas para pedir o mesmo à Fiscalía (Ministério Público)”, confessa Miriano, assustada.

A escritora italiana é acusada de “incitar a violência contra as mulheres”, acusação baseada na interpretação aleatória do seguinte trecho de seu livro: “o homem deve encarar a condução, regra, autoridade. A mulher tem que deixar a lógica da emancipação e, com alegria, abraçar o papel da acolhida e do serviço”.

De fato, as acusações são superficiais, ideológicas e infundadas, pelo motivo que a jornalista italiana aponta em Onda Cero Granada: “Quem protesta, quem critica, é por que não leu. Teriam que retirar de circulação todas as bíblias, porque o título está baseado numa epístola de São Paulo”.

Alguns meios jornalísticos questionaram Constanza sobre a posição da Igreja frente ao seu livro, ao que ela respondeu: “O Pontifício Conselho para os Leigos o definiu como ortodoxo”, mas não entra em detalhes, afirmando ironicamente: “Teologia em 140 caracteres não, obrigado”.

Tentam censurar um livro aprovado pela Igreja

Não há conversa para os políticos espanhóis que, apesar de não terem lido o livro “Casada e submissa”, põem-se a criticá-lo ferrenhamente e prometem lutar por sua censura. Até parece que se tornou moda global censurar livros que não agradam um certo grupo social.

José Luis Sanz, secretário geral do Partido Popular (PP), afirmou que a obra de Miriano é “um autêntico despropósito” e, junto com Ana Vanessa García, vice-secretária, que definiu a obra como “uma barbaridade que supõe um retrocesso histórico”, enviou um pedido ao arcebispo de Granada: retire o livro de circulação.

A conselheira de “Igualdad y Salud” (Igualdade e Saúde), María José Sánchez Rubio afirmou que todos “têm que lutar pela igualdade entre mulheres e homens” e, acrescentou: “nem a submissão nem a desigualdade são critérios que vamos tolerar”.

Vale lembrar que Maria Rubio é Conselheira de Igualdade de Granada, a região com o maior índice de desigualdade social da Espanha. E concluiu sua fala dizendo ao arcebispo que “o melhor que poderia fazer é retirar essa publicação”.

O livro só sairá de circulação por uma ordem judicial

As ameaças da Izquierda Unida, que propunha fazer uma petição à Fiscalía, não resultaram, ainda, em nada, senão em barulho. Fontes do Ministério Público assinalaram ao Europa Press que não receberam nenhuma denúncia formal.

O arcebispo de Granada, Javier Martínez, e a editora “Nuevo Inicio”, em nota, afirmaram que não vão ceder a pressões. E, Constanza Miriano afirmou em Il Foglio: “Meu livro será o primeiro a ser censurado na Espanha desde o final do regime de Franco” e, com um tom humorado, acrescentou: “poderiam dar-lhe uma oportunidade. A maior parte das pessoas que o fizeram deram um monte de risadas (em muitas livrarias está na seção de humor). E sempre é possível não comprá-lo”.

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