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Economia não é sinônimo de consumismo, nem necessariamente de mercado

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Manuel Bru - publicado em 22/11/13

O que a doutrina social da Igreja diz sobre a economia?

Com a crise mundial, todos nós falamos de economia, todos nós entendemos um pouco de economia, e o que muitos dizem sobre economia é como um oráculo divino, indiscutível, inevitável, ao qual é preciso entregar-se sem hesitar.

Costuma-se dizer que a economia é a ciência social que estuda como os indivíduos ou as sociedades usam ou lidam com os escassos recursos para satisfazer suas necessidades. Esta é uma definição um pouco raquítica.

A origem etimológica da palavra "economia" provém do grego "oikonomia" (norma – “nomos”- do lar -"oikos"). Trata-se, portanto, da arte de organizar a vida do lar, seja o lar familiar, da comunidade social ou da pólis.

Por isso, por muito que os liberais se empenhem, a economia é um instrumento ao serviço da vida humana digna, solidária (o lar é sempre comunitário) e política (organização da pólis), e não a lei cega do mercado indigno, insolidário, que se opõe a toda intervenção política. A doutrina social da Igreja tem isso muito claro, quando diz que há duas realidades que não são economia:

Economia não é consumismo: o desenvolvimento econômico não pode se reduzir ao acúmulo de bens, pois a "excessiva disponibilidade de todo o gênero de bens materiais, em favor de algumas camadas sociais, torna facilmente os homens escravos da ‘posse’ e do gozo imediato, sem outro horizonte que não seja a multiplicação ou a substituição contínua das coisas que já se possuem, por outras ainda mais perfeitas. É o que se chama a civilização do ‘consumo’, ou consumismo” (Sollicitudo Rei Socialis, 28).

E economia não é necessariamente mercado: "A atividade econômica não pode resolver todos os problemas sociais através da simples extensão da lógica mercantil. Esta há de ter como finalidade a busca do bem comum, do qual se deve ocupar também e sobretudo a comunidade política. Por isso, tenha-se presente que é causa de graves desequilíbrios separar o agir econômico – ao qual competiria apenas produzir riqueza – do agir político, cuja função seria buscar a justiça através da redistribuição” (Caritas in Veritate, 36).

Isso está longe do que muitos dos políticos e economistas entendem, pois eles se ocupam é do seu bolso ou do bolso dos que mandam neles – o que não tem nada a ver com esse "lar humano" que é a economia.

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Doutrina Social da IgrejaEconomiaPecado
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