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Deus sim, religião não

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Jaime Septién - publicado em 07/01/14

Uma análise da realidade religiosa dos jovens da nossa época

Experiências de Deus e seguimento de Cristo, perdão, amor, busca de Deus, angústia, dentre outros, são temas familiares para o Pe. Juan Jaime Escobar Valencia, que trabalhou como conselheiro de jovens e hoje é reitor da Universidade Cristóbal Colón (México) e superior da Província Escolápia da Colômbia.


Ao falar sobre a experiência que os jovens têm de Deus, ele começa explicando a dificuldade de generalizar o tema “jovens”, mas descobre uma constante entre eles, sobretudo os pertencentes à realidade urbana: a prevalência dos indiferentes, agnósticos e os declaradamente não religiosos.


O título do seu último texto, “Deus sim, religião não”, é explicado pelo Pe. Escobar: “Inquietude pelo espiritual, sim. Deus, talvez. Religião, não”. Por meio de uma aproximação fenomenológica da postura dos jovens diante do espiritual, de Deus e da religião, o sacerdote aborda as causas que explicam a indiferença juvenil com relação a tais realidades, típicas da vida ocidental.


Ainda que os jovens de hoje não assumam posições radicais de incredulidade, como em outras épocas, nada garante neles uma capacidade de captar no fundo a essência de Deus. O autor explica esta ambivalência dizendo que, ainda que não sejam tão radicais, os jovens contemporâneos manifestam certa inquietude espiritual em forma de perguntas ou necessidades existenciais.


O “talvez” de Deus mostra que a inquietude espiritual dos jovens é suficientemente difusa para não ser necessariamente uma opção por Deus. E não o é porque pode consistir somente em um desejo, um sentimento, não uma busca no sentido estrito da palavra.


E quanto ao “não” à religião, o Pe. Escobar explica que, nos ambientes urbanos, os jovens, sem negar o espiritual ou a fé em Deus, não cogitam a possibilidade da participação em uma experiência religiosa como elemento fundamental da vida.


As causas deste fenômeno são, em parte, produto do meio social e cultural e da própria religião, concretamente da realidade da Igreja.


O sacerdote escolápio comenta que o problema de fundo é que a cultura atual está profundamente marcada por realidades alheias, ou pelo menos distantes dos valores religiosos. A preeminência do indivíduo e do individual torna difícil ou até incompreensível a experiência comunitária – uma experiência decisiva na celebração da Palavra e na vida de fé.


Para o autor, o mundo atual, com todos os seus conflitos, pode talvez despertar a inquietude espiritual dos jovens e até levá-los a questionar-se sobre Deus, mas incapacita para a vivência da religiosidade como tal.


Outro dos fatores mencionados pelo Pe. Escobar quanto à rejeição que a juventude faz da religiosidade, inclusive de Deus, é ter perdido a consciência do pecado.


De fato, se não há uma consciência clara do que é o pecado, há menor consciência da necessidade de alguém transcendente que perdoe ou salve, e menos ainda da necessidade de um sistema religioso para ter acesso ao perdão e à salvação.


O Pe. Escobar identifica um descuido da Igreja, talvez uma ingenuidade ao achar que a fé católica continua sendo transmitida como se fazia tradicionalmente, entre pais e filhos.


Em síntese, a Igreja descuidou gravemente dos processos evangelizadores e catequéticos, especialmente os dirigidos às crianças e jovens. Tudo isso leva os jovens a centrar-se mais com sua solidão e tristeza que sair para ajudar os carentes e desamparados, deixando de lado uma grande força de persuasão do Evangelho.


Os jovens consumistas e indiferentes da nossa época também são os jovens que guardam o desejo de ter uma casa, sentar-se à mesa e ser amados de verdade por alguém que não seja somente uma ideia ou uma energia cósmica, e sim que tenha o sabor de uma família e possa oferecer o amor de um lar ao qual se pertence, conclui o Pe. Escobar.

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