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Há novas “pílulas do dia seguinte” não abortivas?

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Patricia Navas González - publicado em 09/01/14

A pílula do dia seguinte só impede que surja uma nova vida ou pode destruir um embrião já fecundado?

A pílula do dia seguinte impede que surja uma nova vida ou destrói um embrião já fecundado? Segundo alguns cientistas, uma nova pílula pós-coital baseada no acetato de ulipristal só inibe a ovulação – o que derrubaria as barreiras éticas do seu uso.

É verdade que, teoricamente, haveria um prazo de 3 dias nos quais esta pílula poderia ser tomada sem o risco de inibir a nidação de um embrião já fecundado, mas, na prática, não é possível descartar este efeito abortivo. Quem explica isso em um estudo detalhado é o especialista em bioética e medicina reprodutiva Rudolf Ehmann.

A Associação Federal de Ginecologistas (BVF) e a Sociedade Alemã de Endocrinologia Ginecológica e Medicina Reprodutiva (DGGEF) afirmam que a pílula do dia seguinteellaOne®, comercializada desde 2009, é um anticoncepcional não abortivo porque supostamente só inibe a ovulação, e não a nidação.

Assessorado por estas entidades, o cardeal Joachim Meisner autorizou, no início de 2013, que os hospitais católicos da sua diocese (Colônia, Alemanha) prescrevessem este medicamento em casos de estupro.

Agora, o estudo de Ehmann demonstra que não existe nenhuma pílula do dia seguinte que unicamente iniba a ovulação, e sim que todas – também ellaOne® buscam, além disso, o efeito de impedir a nidação do embrião no caso de ter havido fecundação.

A substância ativa do ellaOne® é o acetato de ulipristal (AUP), que, na anticoncepção de emergência, está substituindo o levonorgestrel, uma substância com má fama, na qual se baseiam as pílulas do dia seguinte anteriores (Norlevo Pilem, Pozato, Postinor-2, Nogravid, Poslov, Dia D, Previdez-2, Evanor, Neovlar, Microvlar, Nordette, Cifarma).

O AUP é apresentado como um inibidor da ovulação, que poderia ser tomado em um período de até três dias supostamente sem risco de uma inibição da nidação.

No entanto, o novo estudo mostra que, além de inibir a ovulação, ele inibe também a nidação (ou seja, destrói a vida) e pode provocar danos ao embrião.

“Como modulador seletivo dos receptores de progesterona, invalida o efeito deste hormônio nos órgãos genitais internos da mulher, modificando a função tubular e o endométrio, de tal maneira que uma nidação do embrião é impossível”, afirma o estudo.

“Além das provas documentadas, descobrimos afirmações contraditórias dos que sustentam que o AUP unicamente inibe a ovulação, contradições que por sua vez confirmam o efeito inibidor da nidação – denuncia. Também, existem declarações inequívocas das empresas Watson e HRA, distribuidoras de ellaOne®, com respeito ao seu efeito inibidor da nidação.”

Três dias sem reservas éticas?

Com relação o prazo dentro do qual se poderia tomar a pílula sem riscos de inibir a nidação (causar a morte do embrião), a pesquisa afirma que, “na prática, não é possível delimitar estes três dias com segurança suficiente”.

Para determinar possíveis dias do ciclo nos quais esta pílula só inibiria a ovulação, seria preciso analisar cuidadosamente o ciclo ou, no mínimo, o muco vaginal, para delimitar a fase fértil. Além disso, uma ultrassonografia vaginal poderia determinar o tamanho folicular ou de um possível corpo lúteo e a espessura endometrial, bem como um rápido exame de progesterona na urina. Mas tudo isso não é realista, menos ainda depois de um estupro.

“Como é que pode saber um médico de urgências nestas circunstâncias qual é o período de tempo correto e justificável? Para se assegurar, dispensará o AUP já que, segundo Brache et al., no caso de um tamanho folicular superior a 18, a expulsão do folículo atrasar-se-ia ou não se produziria com uma probabilidade de 60%.”

E acrescenta: “É possível que na prática esta percentagem relativamente alta motive o médico a receitar o AUP, sem emprestar a devida atenção à inibição da nidação em 40% dos casos de uma ovulação de escape”.

Difusão da pílula do dia seguinte

O estudo também oferece dados interessantes sobre a frequência anual de consumo de pílulas pós-coito, entre eles o número de 12 milhões de pílulas do dia seguinte em 2012.

As indicações das instituições alemãs que assessoraram a Igreja no país se baseavam em um estudo realizado por Kirstina Gemzell (et al), presidente há 4 anos da Federação Internacional de Profissionais do Aborto e Contracepção (FIAPAC).

Para o responsável do novo estudo, “evidentemente, Rabe et al. conheciam o efeito inibidor da nidação do AUP quando publicaram que este fármaco unicamente inibiria a ovulação. Portanto, neste contexto, esta tese deve interpretar-se como engano intencional ao cardeal Meisner e à Conferência Episcopal Alemã”.

Em sua opinião, “isto é tanto mais grave porque estas tergiversações semânticas não se referem a objetos inanimados, mas à existência ou não de uma vida humana não nascida”.

“É difícil de entender que se formulem afirmações indiferenciadas a respeito que contradizem todos os conhecimentos científicos – afirma. No entanto, a compreensão é mais fácil, se se tem em conta o interesse de alguns agrupamentos ideológicos e dos fabricantes, que consiste em eludir qualquer debate ético e vender tantas pílulas do dia seguinte como seja possível.” 

“Até hoje não existe na realidade nenhuma pílula do dia seguinte que unicamente iniba a ovulação. Infelizmente, informou-se o cardeal Meisner e os bispos alemães de forma incorreta a respeito”, conclui o estudo.

O que é o acetato de ulipristal (AUP)?

Segundo o estudo, o AUP é um modulador seletivo dos receptores de progesterona, sucessor da mifepristona (RU 486).

Para o especialista, “o mero feito de uma eficácia durante um período de tempo de até 120 horas depois do coito é uma prova de que não sozinho explica-se pela inibição da ovulação. Também, o maior grau de segurança também é um indício do seu efeito inibidor da nidação, já que a taxa de gravidez caiu, com o AUP, de 5,5% a 1,8%, e, com o LNG, se reduziu de 5,4 % a 2,6 %”.

O Ulipristal, como modulador seletivo dos receptores de progesterona, invalida o efeito deste hormônio nos órgãos genitais internos da mulher, modificando a função tubular e o endométrio de tal maneira que uma nidação do embrião é impossível.

Como explica o novo estudo, “a supressão do efeito da progesterona por parte do AUP tira a base de vida ao embrião, já que sem a progesterona ou o seu efeito não há nenhuma nidação e não se pode manter a gravidez”.

Até a empresa HRA-Pharma, fabricante do ellaOne®, que contém AUP, confirma este fato fundamental para a fisiologia natural: “Informação de fundo sobre o acetato de ulipristal: a progesterona desempenha um papel decisivo na procriação de muitas espécies. Intervém no controlo da ovulação, nidação e a manutenção da gravidez”.

O mecanismo de ação do AUP em relação à inibição da ovulação e nidação afeta o ovário, trompas e endométrio, como explica o estudo:

“1)  Ovário: inibição ou atraso da ovulação: efeito agonístico sobre os receptores da progesterona. Devido à retroalimentação negativa reduz-se a secreção e evita-se o bico da HL (eixo hipotálamo-hipófise). É possível que se iniba a ovulação pelo efeito direto sobre o ovário.

2)  Trompas: bloqueio dos receptores da progesterona nas trompas, que leva a uma desregulação da motilidade das trompas e da função secretora (dessincronização destes processos), que tem como consequência um transporte excessivamente rápido do embrião e mudança na composição da secreção das trompas.

3)  Endométrio não preparado para a nidação, porque o bloqueio dos receptores PR atrasa ou impede a sincronização endometrial (falta de concordância em fases): impede-se a maduração, quer dizer, a transformação secretora do endométrio.”

Por outro lado, ainda não se demonstrou a segurança e eficácia desta nova substância ativa em menores de idade, mas isso não é mencionado na bula de ellaOne®, que é prescrita também a adolescentes.

Finalmente, o estudo recorda que a contracepção pós-coital não reduziu o número de abortos.

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