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Aleteia responde: como os padres devem se vestir?

© P.DELISS / GODONG

Julio De la Vega Hazas - publicado em 29/01/14

Confira as reflexões em resposta a esta interessante pergunta que nos chegou de uma leitora via Facebook

"Eu gostaria de perguntar, como todo respeito, se os padres devem usar “uniforme” somente quando estão em seus respectivos “trabalhos”, para onde foram enviados, ou se devem sempre estar identificados como sacerdotes, porque, na minha cidade, nenhuma congregação se identifica como padre (nem em missão, nem nos colégios, nem nas próprias paróquias), exceto na hora da Missa."


Sobre este tema é recorrer ao último documento da Santa Sé que trata do tema: o número 61 do Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros, na sua última versão, de 2013. É fácil encontrá-lo na internet, mas resumirei algo do seu conteúdo.


O documento afirma, em primeiro lugar, que o sacerdote deve ser reconhecido como tal, de maneira que sua roupa seja “sinal inequívoco da sua dedicação e da sua identidade de detentor de um ministério público”. Acrescenta, a seguir, que sua realidade interior deve se manifestar no exterior, também desta forma.


Por isso, indica que o padre deve usar o hábito talar ou um hábito eclesiástico decoroso, que o distinga dos leigos, segundo as normas das conferências episcopais e os legítimos costumes locais.


Não podem ser considerados legítimos os costumes que se opõem às indicações anteriores. Obviamente, o documento está falando de situações cotidianas – pois às vezes há circunstâncias extraordinárias, como no caso da perseguição religiosa.


E conclui com um parágrafo que afirma que estas medidas não beneficiam apenas o povo, mas o próprio sacerdote, pois sua forma de vestir é uma lembrança permanente da sua entrega e missão, e também o protege: “Vestir o hábito clerical serve, ademais, para a salvaguarda da pobreza e da castidade”.


Estas são as disposições do Diretório. Considero que ele deve ser entendido sem uma rigidez excessiva, que iria contra o bom senso mais elementar (não se trata de vestir obrigatoriamente o hábito sacerdotal quando o padre vai fazer um dia de excursão na montanha), mas ao mesmo tempo com toda a exigência que se desprende das suas palavras.


Um esclarecimento pertinente é que tais palavras se dirigem fundamentalmente ao clero secular. O regular – os religiosos (na pergunta se mencionam “congregações”, o que corresponde a estes) – não é que fique de fora, mas é que cada instituto tem seu próprio hábito religioso.


Há muitos comentários que poderiam ser feitos sobre este tema, mas nos limitaremos aos mais relevantes. Em primeiro lugar, existe a objeção de que o padre precisa estar no meio do povo, o pastor com o seu rebanho, e de que qualquer singularidade (como a de se vestir de forma diferente) o afastaria das pessoas e, portanto, da sua missão.


No entanto, por trás desta forma de pensar, há um equívoco: estar com o povo não significa ser “mais um” entre as pessoas. O sacerdote não é “mais um”, porque o que ele proporciona é próprio e peculiar.


De um ponto de vista mais teológico, o padre é uma pessoa consagrada, e o “sagrado” significa precisamente algo que sai do uso comum e se dedica diretamente a Deus. Os fiéis precisam ver no sacerdote o distribuidor do sagrado, e ele mesmo precisa dar a entender isso com sua pessoa. Vê-lo de outra maneira é deformar o próprio sacerdócio: para ser “mais um”, não seria preciso receber a ordenação sacerdotal nem tudo o que a acompanha.


Ao mesmo tempo, corre-se o risco de perder o próprio sentido do sagrado, como se comprova em alguns casos, nos quais se começa por diluir a peculiaridade das coisas sagradas (por exemplo, utilizando os templos para reuniões e outras atividades) e se acaba concebendo os próprios sacramentos como algo meramente simbólico.


Do ponto de vista mais “leigo”, o uniforme nos adultos (aqui não estamos considerando os escolares) têm o significado de estar trabalhando. E um padre, ainda que logicamente tenha seus horários de atendimento, precisa ser considerado como alguém que está permanentemente “trabalhando”, a serviço. E a realidade costuma confirmar isso: sempre há imprevistos, sempre surgem coisas inadiáveis.


A vocação sacerdotal é de serviço permanente.


Valha como resumo o comentário feito em um debate sobre o tema. Alguém recordou o ditado de que “o hábito não faz o monge”, mas outro participante respondeu com estas palavras: “É verdade, o hábito não faz o monge. Mas o veste”.

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