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A ONU ataca a Igreja: uma guerra ideológica e doutrinal

© Filippo MONTEFORTE / AFP
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Relatório da Comissão dos Direitos da Criança, da ONU, baseado em afirmações superficiais e contraditórias, é exemplo de uma ingerência doutrinal que já vem de longa data.

O quarto ponto, a pedofilia, é certamente o mais candente, mas é também o ponto em que o documento atinge os picos do preconceito contra a Igreja. Surpreende a grande superficialidade com que o tema do "abuso sexual" é apresentado, com referências vagas a "dezenas de milhares de crianças" afetadas em todo o mundo. As observações sobre a política de acobertamento de padres pedófilos parecem basear-se em casos bastante datados. Na acusação de "não ter tomado as medidas necessárias" para proteger as crianças, a comissão não leva em consideração o relatório apresentado por mons. Tomasi há menos de um mês, descrevendo os instrumentos adotados nos últimos anos para lidar com este "triste fenômeno" (palavras literais do relatório de Tomasi).  O livro “Pedofilia: uma batalha que a Igreja está vencendo” (Milão, 2014), de Massimo Introvigne e Roberto Marchesini, conta que, desde 1995, a Igreja começou a dedicar notável atenção ao fenômeno, demonstrando uma continuidade que une João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco. Aliás, só nos anos de 2011 e 2012, Bento XVI reduziu ao estado laico mais de 400 padres acusados de abuso. No entanto, apesar da gravidade do problema, Cascioli observa que o fato é reduzido pelos "catolicofóbicos" a mero pretexto: "Como eliminar a Igreja? Desacreditando-a. E a pedofilia se tornou uma desculpa para travar essa batalha contra a Santa Sé. Isso é paradoxal, porque parece vir do mesmo lobby que tenta promover a pedofilia e torná-la aceitável: sabemos que, depois do homossexualismo, em âmbito internacional, estão tentando transformar a pedofilia em uma das muitas orientações sexuais possíveis. Isso já está acontecendo na Holanda e mesmo na Itália, por exemplo, onde os radicais estão lutando para reduzir a idade de consentimento para as relações sexuais ou até eliminá-la completamente".

As duas últimas questões abordadas pelo documento têm a ver com a chamada "saúde reprodutiva", conceito ambíguo que suscita certas indagações: por exemplo, como combinar a promoção da saúde materna e da criança com a contracepção (preventiva e de emergência) e com o aborto? A comissão solicita que a Igreja “revise a sua posição sobre o aborto com urgência”, interferindo no Código de Direito Canônico, e também que ela “garanta aos e às adolescentes o acesso à contracepção”. O próprio papa Francisco, mencionado várias vezes no documento como o defensor de uma visão "progressista", mas aqui "estranhamente" ignorado, já excluiu, na sua exortação apostólica "Evangelii Gaudiuum", a possibilidade de que a Igreja reconsidere a sua posição doutrinal sobre a defesa da vida humana, que não pode ser sacrificada em prol de suposta modernização nenhuma.

“No mais”, observa Cascioli, “temos que levar em conta que a convenção, no seu preâmbulo, enfatiza que a criança deve ser defendida ‘antes e após o nascimento’. Isto, por si só, já seria o contrário do que esta comissão alega. A comissão ainda pede que a Igreja mude a sua doutrina sobre estas questões, o que representa um ataque à liberdade religiosa, que não diz respeito somente à Igreja, mas a todos. Tenta-se afirmar também uma ideologia altamente estatizante, em que o Estado pode entrar em qualquer aspecto da vida da Igreja”. Em poucas palavras: entre tantos preconceitos e óbvias ingerências, o único aspecto que este documento parece deixar claro é a urgência de reforma dos mecanismos e das estruturas paridas pelo máximo organismo mundial sediado em Nova Iorque.

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