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Por que São Valentim é o padroeiro dos apaixonados?

Samuel Hearn

Aleteia Vaticano - publicado em 14/02/14

A figura de São Valentim está ligada ao início da primavera e ao despertar do amor.

O culto a São Valentim como protetor do amor e dos namorados tem sua origem na Idade Média, na França e na Inglaterra. No começo, ele era invocado exclusivamente como protetor dos epiléticos e doentes, mas, por coincidências de calendário, o dia da sua memória foi vinculado à renascente primavera e, portanto, ao surgimento do amor.

A origem do culto a São Valentim como padroeiro dos apaixonados tem suas raízes em várias lendas, surgidas imediatamente depois da cristianização da festa pagã dos Lupercalia.

A festa de São Valentim, mártir e bispo de Terni entre os anos 199 e 273, relaciona-se à antiga festividade romada dos Lupercalia, celebrada em 15 de fevereiro, em honra do deus Fauno, como protetor dos rebanhos, e que estava ligada à purificação dos campos e aos ritos de fecundidade.

Pelo seu caráter licencioso, a festa foi suprimida pelo Papa Gelásio I, em 494, quem repreendia os cristãos pelo fato de participarem desta festa. A Igreja, então, na tentativa de dar um revestimento cristão a estes ritos tão arraigados na população, decidiu antecipar a festa para o dia 14 de fevereiro, atribuindo ao mártir de Treni a capacidade de proteger os namorados e apaixonados no caminho rumo ao casamento e a una união abençoada com filhos.

A notícia mais antiga sobre o culto a São Valentim de Terni (região italiano de Úmbria) está no Martirológio Jeronimiano, uma espécie de calendário da Igreja universal atribuído a São Jerônimo e compilado provavelmente entre os anos 431 e 450.

Atualmente, no dia 14 de fevereiro, comemora-se no mundo inteiro do “Dia de São Valentim”, mas, na realidade, no novo calendário litúrgico, nesse dia se celebra a festa dos santos Cirilo e Metódio, os irmãos monges originário de Tessalônica (atual Salônica, na Grécia) que, no começo do século IX, evangelizaram os povos eslavos e a quem João Paulo II proclamou como padroeiros da Europa.

A festa de São Valentim, como é conhecida hoje, não tem uma origem religiosa, mas é uma herança anglo-saxônica que remonta à Idade Média.

Desde a Alta Idade Média, o culto religioso reservado a São Valentim foi difundido especialmente pelos beneditinos, primeiros custódios da Basílica de Terni, que já existia desde meados do século VIII, os quais difundiram imagens e gestos sobre ele nos diversos mosteiros italianos, até chegar à França e à Inglaterra.

Em muitos países, no entanto, surgiu, ao mesmo tempo, a tradição de um patronato sobre os apaixonados, devido a uma coincidência de calendário. A festa cai, de fato, em um período do ano em que a natureza começa a dar os primeiros sinais de despertar, depois do letargo invernal. Portanto, o santo se transformou, pouco a pouco, no anunciador da primavera iminente, quando os pássaros começavam a nidificar, e não foi por acaso que o santo às vezes é representado com o sol na mão.

Uma veia da crítica literária atribui a responsabilidade da difusão deste patronato ao poeta inglês Geoffrey Chaucer. “The Parliament of Fowls”, um poema alegórico composto por ele durante sua estadia na Itália, entre 1372 e 1380, é considerado pelos especialistas um dos primeiros testemunhos literários nos quais São Valentim é chamado a velar sobre o despertar do amor. Nele, a celebração se relaciona ao namoro de Ricardo II da Inglaterra e Ana de Bohemia.

No início, ele era venerado somente como padroeiro dos epiléticos, das crianças doentes e dos animais domésticos.

Antes do florescimento das numerosas lendas que fizeram dele o símbolo dos apaixonados, São Valentim, como demonstra o protótipo iconográfico que se estende sobretudo no norte da Itália, era venerado como padroeiro dos epiléticos. Esta tradição tem seu fundamento em um texto, “Vita Sancti Valentini”, composto por volta do ano 725, no qual se relata a cura milagrosa de Cheremone, o filho de um professor de retórica latina de nome Craton, que lecionava em Roma e que, a partir desse fato, decidiu batizar-se junto à sua família, provocando assim a ira dos pagãos, que acabaram decapitando Valentim.

Ainda hoje, em Vêneto, o padroeiro da cidade de Terni é invocado nos casos de epilepsia, pelos doentes mentais e crianças. É particular a devoção que ele recebe em Bussolengo e Monselice, em cuja igreja de São Jorge são veneradas as relíquias do santo, procedentes de Roma. Entre os aspectos curiosos deste lugar, existe um, originário da lenda da chave abençoada que os pais entregavam aos seus filhos no dia 14 de fevereiro, como símbolo de proteção contra a epilepsia. As chaves deveriam permitir também que os filhos abrissem as portas do Paraíso.

Também no sul da Itália, conservam-se marcas da devoção ao santo: em Vico del Gargano, existe a tradição de doar grandes quantidades de laranjas para enfeitar a igreja e a capela de São Valentim, padroeiro dos cítricos.

Em outros países, a devoção a São Valentim não é menor. Na França, por exemplo, ele também é invocado pelos apicultores. Graças ao beneditinos, o culto a São Valentim cruzou as fronteiras da Itália, chegando à Alemanha, onde se fundiu com o culto de outro santo do mesmo nome, padroeiro da diocese de Passau, bispo de Rezia (Lorch), documentado no século VI e cuja festa é em 7 de janeiro.

O santo também é invocado como protetor dos animais domésticos e seu culto chegou finalmente à Igreja Oriental, tanto que, ainda hoje, na catedral de Cristo Salvador, em Moscou, venera-se um ícone seu em caracteres cirílicos.

Entre as lendas que fizeram dele o santo dos namorados está a da “rosa da reconciliação” e a história de amor entre a jovem cristã Serapia e o centurião romano Sabino.

Conta-se que, um dia, Valentim, ao ouvir um casal discutir no jardim, foi ao encontro deles levando uma rosa vermelha e convidou-os a fazer as pazes.

As palavras tiveram a força de serenar o casal. Depois de algum tempo, eles foram falar com Valentim, pedindo-lhe sua bênção para o casamento, e fizeram juras de amor eterno. Quando o povo soube disso, nasceu o costume de presentear rosas entre os namorados e dirigir-se a Valentim para pedir proteção.

Em Terni, conta-se a história de amor de uma donzela cristã de nome Serapia e do centurião pagão Sabino. Quando ambos conseguiram finalmente vencer as resistências dos pais dela graças ao batismo de Sabino e à fé da jovem, esta já estava doente de tuberculose, e Valentim decidiu dirigir-se aonde a jovem agonizava. Serapia tinha junto de si Sabino, desejoso de poder permanecer sempre com ela. Aquela vontade inquebrantável foi escutada e, com a intercessão do santo, os dois namorados, abraçados um ao outro, caíram em um sono que os uniu pela eternidade.

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