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Refletindo sobre a Campanha da Fraternidade 2014

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Geraldo Trindade - Pensar Paralelo - publicado em 25/02/14

No âmbito internacional, das 2,5 milhões de pessoas traficadas, 43% são para a exploração sexual, 32% para a exploração econômica e 25% para os dois ao mesmo tempo

Este ano a Igreja Católica no Brasil, no tempo da Quaresma – que convida à conversão, oração e reflexão – desenvolverá a Campanha da Fraternidade com o tema: Fraternidade e tráfico humano. O lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Mais de 200 anos após o 13 de maio que extinguiu com a escravidão no Brasil, milhões de pessoas continuam sendo tratadas como mercadorias, passíveis de serem vendidas, compradas e exploradas.

A ONU, por meio do protocolo de Palermo (2003), define o tráfico de pessoas como “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo-se à ameaça ou ao uso da força ou a outras formas de coração, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter consentimento de uma pessoa que tenha  autoridade sobre outra para fins de exploração”.

As vítimas do tráfico humano são retiradas de seu ambiente, de seu país ou cidade e passam a ter sua mobilidade reduzida; pois são usadas para a exploração sexual ou de trabalho. Outros meios para o aliciamento das pessoas são as propostas de trabalho na agricultura, pecuária, comércio, construção civil ou oficinas de costura.

A pessoa humana criada por Deus (Gn 1, 26-27), vista como fruto querido e amado da criação divina, deixa de ser sujeito capaz de liberdade e passa a ser tratada como objeto, um produto, uma mercadoria, que se vende, troca, transporta e explora. O tráfico humano e a exploração buscam privar a pessoa da sua dignidade, da sua liberdade e capacidade de orientar sua vida. O reconhecimento da filiação divina possibilita que, por Jesus cristo, todos são dignos de ter sua vida respeitada. Dessa forma, tudo o que vai contra a vida também vai contra o projeto do Reino de Deus, realidade onde “justiça e paz se abraçarão” (Sl 85,11), pois o Senhor é o Deus que liberta e salva os oprimidos, liberta das algemas da opressão; pois leva ao cumprimento pleno o plano salvífico de Deus (Lc 4, 14-21).

No Brasil, mais de 25 mil pessoas prestam serviços presas em fazendas, garimpos e carvoarias. De 1995 a 2008 cerca de 33.750 foram libertadas do trabalho escravo. Em 21 estados da federação já foram encontrados trabalhos escravos. No ano de 2000 foi desmantelada uma rede de tráfico humano para a venda de órgãos que ligava o Pernambuco e a África do Sul. Em 2004, o Ministério Público denunciou 28 pessoas por este crime. A comercialização de 30 órgãos movimentou 4,5 milhões de dólares neste esquema criminoso. Há ainda o tráfico interno de pessoas no Brasil para o trabalho em situações ilegais e subumanas. O nosso país, infelizmente, é também importador de mão de obra dos países vizinhos, principalmente da Bolívia, do Peru, do Paraguai, do Haiti e da Colômbia.

No âmbito internacional, das 2,5 milhões de pessoas traficadas, 43% são para a exploração sexual, 32% para a exploração econômica e 25% para os dois ao mesmo tempo.

O tráfico humano está diretamente associado ao modelo de desenvolvimento presente na economia, pois a competitividade e o desejo de lucro pressiona para que se reduzam os gastos do trabalho, a “flexibilizar” as leis trabalhistas para que o produto final chegue a um preço mais baixo e gere um consumo maior. Porém, tais mercadorias, que alimentam a sede de lucro, vêm da exploração escrava de homens, mulheres e crianças; que têm sua liberdade cerceada, seus planos e projetos desfeitos, seus laços afetivos relegados ao esquecimento.

Esta Campanha daFraternidade favorece-nos em gestos concretos claros e pertinentes:

– estar atento para perceber pessoas que aliciam outras para o

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trafico
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